Professor de Karatê - Faixa preta 4º Dan, filiado à Confederação Brasileira de Karatê e à Federação Gaúcha de Karatê.
Aulas: Centro de Treinamentos Sul Grilo`s. Rua Barão do Triunfo, 975, Santa Maria-RS.
Lynell Waterman conta a história do ferreiro que, depois de uma juventude cheia de excessos decidiu entregar sua alma a Deus. Durante muitos anos, trabalhou com afinco, praticou a caridade, mas - apesar de toda a sua dedicação - nada parecia dar certo na sua vida.
Muito pelo contrário: seus problemas e dívidas acumulavam-se cada vez mais.
Uma bela tarde, um amigo que o visitava - e que se compadecia de sua situação difícil - comentou: "É realmente muito estranho que, justamente depois que você resolveu se tornar um homem temente a Deus, sua vida começou a piorar. Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas, apesar de toda a sua crença no mundo espiritual, nada tem melhorado".
O ferreiro não respondeu imediatamente: ele já havia pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia em sua vida.
Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta, começou a falar - e terminou encontrando a explicação que procurava. Eis, o que disse o ferreiro: "Eu recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isso é feito? Primeiro, eu aqueço a chapa de aço num calor infernal, até que ela fique vermelha. Em seguida sem qualquer piedade eu pego o martelo mais pesado e aplico vários golpes até que a peça adquira a forma desejada. Logo, ela é mergulhada num balde de água fria, e a oficina inteira se enche com o barulho do vapor, enquanto a peça estala e grita por causa da súbita mudança de temperatura. Tenho que repetir esse processo até conseguir a espada perfeita: uma vez apenas não é suficiente."
O ferreiro deu uma longa pausa, acendeu um cigarro e continuou: "Às vezes o aço que chega até minhas mãos não consegue agüentar esse tratamento. O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras. E eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina de espada. Então, eu simplesmente o coloco no monte de ferro-velho que você viu na entrada da minha ferraria."
Mais uma pausa, e o ferreiro concluiu: "Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições. Tenho aceito as marteladas que a vida me dá, e às vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa que peço é: 'Meu Deus, não desista, até que eu consiga tomar a forma que o senhor espera de mim. Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser, mas jamais me coloque no monte de ferro-velho das almas'." (Lynell Waterman)
Publicação: www.paralerepensar.com.br 13/05/2008
KARATÊ-DO: Significa literalmente, “O Caminho das Mãos Vazias”. Kara – vazio. Te – mão. Do – caminho ou via.
KATA: Significa forma. É um conjunto de movimentos de ataques diretos, indiretos, bloqueios, técnicas de perna que se realizam em determinadas posições mantendo-se uma ordem lógica. Existem em torno de 50 Kata, dos quais alguns são apropriados para o desenvolvimento físico e fortalecimento das articulações e músculos e outros que buscam desenvolver os reflexos, a velocidade e a habilidade nos deslocamentos rápidos. Todos os Kata em sua execução requerem um perfeito ritmo e coordenação. Os Kata simulam um combate com vários adversários e em situações diversas. Executam-se com: Ordem, correto Embusen. Entendimento do significado dos movimentos. Consciência do objetivo. Ritmo e Coordenação. Respiração adequada e compassada.
KUMITE: Significa luta, combate. É a aplicação pratica das técnicas do Karatê diante de um adversário real. Seu objetivo é demonstrar a efetividade, tanto das técnicas de ataque como de defesa. Os pontos importantes a observar no trabalho do Kumite são: Distância, Velocidade, Reação, Antecipação, Controle e Correto ataque e defesa. O Kumite permite desenvolver a tática e a estratégia, seu aprendizado é progressivo e inclui o:
KIHON KUMITE: Combate básico. Inclui: a - Gohon Kumite: Ataque e defesa em 5 passos. b - Sanbon Kumite: Ataque e defesa em 3 passos e c - Ippon Kumite: Ataque e defesa em 1 passo. Todos com ataques, defesas e zonas de ataque definidas.
JYU IPPON KUMITE: Combate básico com liberdade de movimentos, porém apenas com zonas de ataque definidas.
SHIAI KUMITE: Combate com regras oficiais e tempo definido.
JYU KUMITE: Combate livre.
BUSHI-DO: Significa literalmente a Via do guerreiro. Contém sete princípios: 1 – GI: A verdade. A atitude justa. Quando devemos dormir, devemos dormir, quando devemos lutar, devemos lutar. 2 – YU: Bravura. 3 – JIN: Amor universal. 4 – REI: O comportamento justo, a cortesia (ocupar harmoniosamente o espaço onde você está). 5 – MAKOTO: Sinceridade. 6 – MELYO: Honra (consciência real do que se possui). 7 – CHUGI: Devoção e lealdade.
AS TRÊS ETAPAS DO TREINAMENTO:
- Primeira: Um período de prática com vontade e esforço consciente (+ ou – 5 anos). Busca-se neste príodo vencer as quatro dificuldades; surpresa, medo, dúvida e indecisão. /E adquirir as quatro virtudes: cortesia, força, calma e velocidade.
- Segunda: É o tempo de concentração sem consciência. O abandono do ego.
- Terceira: É a etapa da união do corpo com o espírito. Aí as técnicas parecerão simples, os adversários fáceis e a vitória igual a derrota.
完成 (kansei) = formação, conclusão, atingir o ideal.
に (ni) = particula para ligar uma idéia a outra, só diz respeito a gramática, por si só não tem significado.
努むる (tsutomuru) = dedicar-se, abraçar a causa, trabalhar em cima de algo, assumir algum cargo.
こと / 事 (koto, em hiragana e kanji, os 2 estão certos, é comum ver algumas escritas em hiragana e outras em kanji para essa palavra) = fato, acontecimento, ato, uma sugestão ou uma forma imperativa leve de falar, que é o caso do "koto" usado no dôjô-kun.
A tradução literal soa estranho, mas ficaria algo como - Trabalhar na causa de formar um caráter ideal.
Mas sinceramente acho que o "Esforçar-se para a formação do caráter" está ok. -.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
誠の道を守ること - MAKOTO NO MICHI WO MAMORU KOTO.
Esse é difícil de traduzir redondo porque a palavra makoto é um mix de algumas idéias. E a tradução "razão" não me cai muito bem, nem "fidalidade". Mas não culpo quem traduziu, eu também não saberia traduzir com 100% do significado japonês em uma frase breve. Traduzir 100% o significado de uma língua é impossível porque as palavras carregam um sentido cultural e histórico também.
誠 (makoto) = verdade, honestidade, correto (nas atitudes e informações).
の (no) = partícula possessiva.
道 (michi) = caminho, pode ser caminho no sentido normal de "rua / via" ou caminho no sentido taoísta, que está mais relacionado com este contexto.
を (wô/ô) = particula também.
守る (mamoru) = proteger, defender.
こと / 事 (koto, em hiragana e kanji, os 2 estão certos, é comum ver algumas escritas em hiragana e outras em kanji para essa palavra) = fato, acontecimento, ato, uma sugestão ou uma forma imperativa leve de falar, que é o caso do "koto" usado no dôjô-kun.
Tradução literal = Proteger o caminho (taoísta) da honestidade/atitudes corretas.
Significado = Monitorar-se (proteger o caminho) para não acabar mentindo ou cometendo atitudes consideradas não certas. Proteger este caminho também quer dizer que eu não devo permitir que outros em minha volta sejam desonestos e façam coisas erradas.
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努力の精神を養うこと - DORYOKU NO SEISHIN WO YASHINAU KOTO.
努力 (doryoku) = esforço, no dicionário achei esta expressão - "usar toda a força/recurso que tem de forma consciente", também achei a famosa palavra Ganbaru, que é algo como esforçar-se com dedicação.
の (no) = partícula possessiva.
精神 (seishin) = mente, psique.
を (wô/ô) = partícula também.
養う (yashinau) = cultivar, criar, alimentar.
こと / 事 (koto, em hiragana e kanji, os 2 estão certos, é comum ver algumas escritas em hiragana e outras em kanji para essa palavra) = fato, acontecimento, ato, uma sugestão ou uma forma imperativa leve de falar, que é o caso do "koto" usado no dôjô-kun.
Tradução literal = Cultivar a mentalidade do esforço.
o significado... é isso mesmo, não tem que dificultar o que é claro. -.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.
礼儀を重んずること = REIGI WO OMONZURU KOTO.
礼儀 (reigi) = etiqueta, educação (modos), regras e normas estabelecidas pela sociedade e atitudes de acordo.
を (wô) = partícula.
重んずる (omonzuru) = 重い (omoi) é pesado, 重んずる (omonzuru) é dar peso, dar importância, tratar com o seu devido peso.
こと / 事 (koto, em hiragana e kanji, os 2 estão certos, é comum ver algumas escritas em hiragana e outras em kanji para essa palavra) = fato, acontecimento, ato, uma sugestão ou uma forma imperativa leve de falar, que é o caso do "koto" usado no dôjô-kun.
Tradução literal = Dar o devido peso às regras e normas estabelecidas pela sociedade (que reflete na etiqueta).
Não gosto da tradução "acima de tudo" porque parece que fica sobre os outros kuns.
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血気の勇を戒むること = KEKKI NO YÛ WÔ IMASHIMURU KOTO.
血 (ti, ketsu) = sangue.
気 (ki) = energia.
血気 (kekki) = estado de energia (emocional) que vem do sangue, ou seja, quando o "sangue sobe na cabeça".
の (no) = partícula possessiva.
勇 (yû) = bravura, coragem, ato bravo.
戒むる (imashimuru) = conter, reprimir.
こと / 事 (koto, em hiragana e kanji, os 2 estão certos, é comum ver algumas escritas em hiragana e outras em kanji para essa palavra) = fato, acontecimento, ato, uma sugestão ou uma forma imperativa leve de falar, que é o caso do "koto" usado no dôjô-kun.
Tradução literal = Conter/reprimir os atos de bravura que vem do "sangue na cabeça" (nervosismo, raiva).
Não tem nenhuma palavra "agressiva" ou "destrutiva" no meio. Até mesmo porque quando você luta, em certos momentos tem que mostrar agressividade.
“Talento não é nada. Coragem é tudo! Você tem coragem para mostrar o talento com que nasceu? O que realmente conta é coragem!” [Woody Allen]
“Com coragem utilize-se de justiça e paciência para preparar seu espírito.”
“Apague de sua mente a inquietação, a insegurança e a mentira e escreva no lugar disso tudo, a palavra “coragem”.”
“É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfo e glória, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito, que não gozam muito e nem sofrem muito, porque vivem na penumbra cinzenta que não conhece nem vitória nem derrota." [Theodore Roosevelt]
“Espere o melhor. Prepare-se para o pior. E encare o que vier.”
Tanto o mal quanto o bem disputam tuas ações. Cabe a tua consciência decidir a qual deles deixar tomar posse. [Estivales]
No Karatê encontramos coisas que o dinheiro não pode comprar: Saúde, lealdade, amor, razão, caráter, honestidade, respeito etc... [Estivales]
“Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar, mas não há ninguém menos interessado em aprender quanto o ignorante.”
Nunca desanime. Apaixone-se pelo Karatê! Os apaixonados pelo que fazem vencem! Reapaixone-se pela sua academia, pelo seu treino, pela sua vida.
“Os calculistas tornam-se inevitavelmente covardes. O calculismo deles refere-se aos ganhos que eles podem ter ou às perdas que podem sofrer. Eles não podem deixar de referir-se à idéia de ganho ou perda. Pensam na morte como uma perda e na vida como um ganho. Não será de admirar que eles detestem a morte. Aí está como se tornam covardes.” [Tsunetomo Yamamoto]
“Assimilar significa absorver o conhecimento. Assim como o alimento precisa ser digerido, com esse conhecimento você pode sobreviver, pode viver. Se você adquire algum conhecimento, você precisa de tempo para digeri-lo. Isso se chama “aceitar” Quando o conhecimento é completamente assimilado, não há nenhum vestígio dele, porque ele se transforma na energia da vida, apenas vida. Tudo o que você pode ver é apenas a energia da vida em movimento diário. Isso é compreensão.” [Dainin Katagiri]
“A sua vida é algo que você constrói dia após dia. Você deve convencer-se de ter ultrapassado o ontem. E amanhã você deverá ter a sensação de haver ultrapassado o hoje. Assim não há fim para o seu aprendizado.” [Tsunetomo Yamamoto]
“O bushido significa a morte em desespero. Várias dezenas de samurais sadios não podem matar um único samurai (que arda com essa morte em desespero). Homens sadios, de mente calmamente bem-compostas não podem realizar um grande empreendimento. Você só precisa ficar desesperado a ponto de morrer. Se a discrição e a consideração do momento fundem-se com seu bushido, você na certa hesitará e ficará aquém de sua empreitada. Para o bushido, a lealdade e o dever filial naturalmente seguirão seu desespero. Porque nessa morte em desespero tanto uma como a outra dessas qualidades residirão em suas ações. [Naoshige]
“A melhor maneira de ganhar amigos é agir como amigo. Trate os amigos de hoje como se pudessem se tornar os piores inimigos amanhã.”
“Um karateca de verdade jamais esquece os amigos cujo sangue e suor se misturaram ao seu nos Dojôs da vida.”
“A amizade multiplica o bem e partilha os males.”
“Não há como dar-se bem com a vilania, pois ela não tem compromisso com a integridade, nem convém tratá-los com fidalguia, pois não entendem o que é honradez. Eis por que não existe amizade verdadeira entre os maus.”
“No Karatê, os adversários estão ali para testar sua coragem, sua persistência, sua firmeza. São eles quem lhe forçam a lutar por seus sonhos e por sua evolução. Por isso mantenha seu coração livre do ódio por eles.” [Estivales]
“Nunca aja por teimosia, apenas por reflexão atenta.”
“O Karatê é um combate. Num combate devemos decidir rápido se avançamos, esperamos ou recuamos. A indecisão mata mais do que câncer, então devemos partir para a ação.”
“Os atletas distinguem-se pelo que fazem, os professores pelo que levam os atletas a fazer.” [Estivales]
Karatê é uma palavra japonesa que significa “mãos vazias”. Um Karateka (praticante de Karatê) utiliza, durante a sua prática as suas armas naturais, como: visão, mãos, braços, corpo, pés, e cérebro. É uma arte altamente científica, que faz o mais eficaz uso de todas as partes do corpo com finalidades defensivas. O objetivo principal do Karatê é o aperfeiçoamento do caráter de seus praticantes, disciplinando o corpo e a mente através do seu treino. Além de ser um excelente meio de defesa pessoal, o Karatê constitui uma forma ideal de exercício. Desenvolve a força, a velocidade, a coordenação e o reflexo, e é indicado para efeitos de valor terapêutico. O Karatê pode ser praticado por quem o desejar, desde crianças até idosos de ambos os sexos.
Mestre Gishin Funakoshi: “No Karatê não existe atitude ofensiva”. Decorria o mês de Novembro do ano 1868, quando na província de Shuri, Okinawa, nasce prematuramente Gichin Funakoshi. Aos doze anos Gichin Funakoshi começa a praticar To-De (anterior designação de Karatê) sob a orientação de Yasutsune Azato, recomendado pelo seu avô Tokashiki, que era também médico da família. Funakoshi treinará com muitos outros Mestres tais como Itosu, Matsumura, Higaonna ao mesmo tempo em que vai estudando. Aos vinte anos, obtém o diploma de professor primário e começa a lecionar, sem que lhe tenha sido registrada uma única falta por doença até que abandonou a sua profissão em… 1921, para se dedicar ao ensino e divulgação do “To-De”. Com o intuído de dar a conhecer cada vez mais esta arte, durante muitos anos conservada no segredo de famílias, Funakoshi faz uma demonstração perante o responsável escolar da sua região e mais tarde apresenta um programa por ele elaborado, para que os alunos de Okinawa possam aprender nas escolas o To-de.
A Marinha Imperial Japonesa também se mostra interessada nestas técnicas até então pouco divulgadas e é também a Gichin Funakoshi que recorrem para usufruírem dos seus ensinamentos. É organizada então uma equipe de demonstração que percorrerá as diversas províncias de Okinawa, e mais tarde o próprio Funakoshi lidera a primeira demonstração publica de To-De fora de Okinawa, sendo depois convidado para uma demonstração frente ao príncipe herdeiro Eroito. Todo este esforço e dedicação começam a dar os seus frutos, e no inicio de 1930 são várias as universidades que ensinam o To-De. Gichin Funakoshi pede então ao seu terceiro filho Yoshitaka (Gigo) Funakoshi para auxiliá-lo. Dentre os muitos alunos que Gichin tem, destacam-se Shigeru Egami e Nakayama.
Assumindo cada vez mais o legado de seu pai, Gigo Funakoshi, introduz a esta arte treinamentos, que se manterão até hoje tais como: Ippon Kumite, Ju Ippon Kumite, Ju Kumite e técnicas em que se destacam: Yoko Geri (kekomi e keage). As posições assumidas até então, passam também por sugestão de Gigo a ter uma postura mais baixa, fortalecendo desta forma as pernas. Um pouco mais livre, Gichin Funakoshi tem tempo para terminar a sua obra e publica “O texto do Mestre” (karaté-do Kyohan). É nesta obra que Funakoshi propõe a alteração de To-de para Karatê-Do (o caminho das mãos vazias).
Estando já o ensinamento do karaté-do profundamente enraizado na província de Okinawa, constrói-se aí então o dojo de Funakoshi. Gichin Funakoshi que além de um grande Mestre, era também conhecido por se retirar com alguma freqüência para um pinhal, onde escrevia os seus poemas inspirado no “shoto” (ondulação dos pinheiros), viu então a sua escola (kan) receber uma tabuleta com o nome – Shotokan – sem duvida uma homenagem dos seus alunos e amigos.
Desagradado com o rumo do karaté-do, Gichin Funakoshi proíbe entre os seus alunos a prática de Jiyu Kumité (ou combate livre), reforçando desta forma que o Karatê não é uma forma de combate ou um esporte violento.
Gichin Funakoshi o grande Mestre, por muitos considerado o pai do Karatê-Do morre a 26 de Abril de 1957. No seu túmulo, situado no templo de Engakuji, pode-se ler gravado no granito preto aquilo por que Gichin Funakoshi lutou – Karatê Ni Sente Nashi – no Karatê não existe atitude ofensiva.
"TER TEMPO É UMA QUESTÃO DE PREFERÊNCIA"! Certa vez, quando fui dar uma desculpa de falta de tempo ao meu professor de Karatê, ele me disse: "Não me fale de não ter tempo, ter tempo é uma questão de preferência"!Isso me levou a refletir muito em como “escapar” desse refrão.
...Não tem escapatória. Partindo do princípio de que todos temos o livre arbítrio para decidir o que queremos ou não em nossas vidas, isso se torna uma verdade.
Muitas e muitas vezes eu até gostaria de estar fazendo uma coisa, mas tive que "preferir" fazer outra por uma questão do custo/benefício que uma ou outra situação me causariam, mas isso não foge da questão da “preferência”, uma vez que, mesmo sendo prejudicado por uma ou outra situação eu poderia escolher o que fazer.
Então escolhi por dizer “não pude”... Mesmo assim “poder” fazer alguma coisa, não é uma questão de preferência ou de escolha, é uma questão de possibilidade real e física, algo que geralmente não depende de nós, mas que pode depender de coragem de gastar o tempo na tentativa de fazê-lo, nem que para isso precisemos de um esforço heróico, quando sabemos que a vitória sempre será daqueles que se arriscam, dos que agem... Como diz o poeta: “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”...e dessa, forma, muitas vezes saí meia hora mais cedo de casa para chegar ao treino, porque não tinha o todo o dinheiro da passagem do ônibus e então preferia apenas voltar de coletivo. O que devemos lembrar é que estamos acima de nossa vontade e até da nossa própria vida, nós fazemos propósitos e tomamos nossas atitudes. A verdade está dentro de nós e é mudando de atitudes que mudamos nossas circunstâncias e nossa vida. Autor: Cesar Estivales
O Karatê só não é esportivo, quando não está competindo, seja em qualquer regulamento que for. Colocou-se regras, se torna esporte. Budô e esporte não combinam... segundo meu pensamento.
Sempre penso: Qual é o motivo que me move atualmente? O Sundome significa parar o golpe antes de ter contato ou atingir o alvo, mas a uma distância tão pequena que o adversário até pode sentir psicologicamente o impacto. Que exemplo isso pode nos trazer para a nossa vida? Alguns não usam o sundome para falar e então acabam atingindo o interlocutor de forma brutal. Outros usam o sundome para não prejudicar o adversário e acabam sendo atingidos por ele no contra-ataque porque baixam o kamae e perdem o zanshin, por isso temos que sempre manter o Kamae e o Zanshin. O sundome, nada mais é do que “controle” e esse sundome deve ser trazido para todas as ocasiões de nossas vidas, temos que ter controle em tudo, até para não atingir a nós mesmos. Entretanto, quando achamos que o adversário está protegido (luvas, protetor bucal, protetor de peito, caneleiras, etc) temos sempre a inclinação de afundar mais o golpe e é aí que mora o perigo de causarmos injúrias aos outros. Atualmente procuro o sundome em tudo, porque não quero me tornar inflexível, intolerante e obcecado pelas “verdades” de ninguém. Quero minhas próprias verdades agora e somente procuro tornar-me mais competente naquilo que faço... por isso, muito sundome nessa hora. Pode acontecer acidentes com sangue nos treinamentos fortes, mas o que digo que isso não deve ser algo a ser perseguido. "Acidentes acontecem", mas para mim, ACIDENTE É ERRO de percurso! Se fizermos tudo corretamente, jamais nos machucaremos. No exame que fiz para 4º Dan tive que fazer três lutas de Jyu Kumite. 1º contra um, depois contra dois, depois contra 3 karatekas, ao mesmo tempo. Houve gente com costela quebrada, houve nocaute, joelho estourado e algumas porradas na boca. No entando não me machuquei e nem machuquei ninguém, porque usei apenas o Sen-No-Sen e o Sundome. Mas porque aconteceu isso? Porque o pessoal não estava treinado para esse tipo de situação, mas não foi por maldade também, talvez por insegurança. Esqueceram o Sundome. Isso mostra o quanto somos falhos quando o "bicho pega".... Muitos perdem o Zanshin, ficam nervosos e preocupados, apesar da alta graduação que possam ter. Quando entro para lutar eu sempre penso: Este é o meu momento, agora não existe passado, nem futuro. Minha vida é agora, e acaba agora!
KARATÊ - Arte marcial, esporte, disciplina, história, definição.
KARATÊ Arte marcial, esporte, disciplina, história, definição. Resenha Histórica: Oriundo de uma arte marcial que surgiu na Índia, ao redor do ano 600 de nossa era. Embora se saiba pouco da origem dessa arte, o antecedente mais remoto se atribui a um monge budista chamado Daruma, o qual formou um sistema de preparação física e de combate. Entretanto, sem dúvida, o karatê moderno nasceu na ilha japonesa de Okinawa, sendo seu patrono Funakoshi Gichin, quem o denominou como Karatê Do, onde “kara” significa vazio, “te” mãos e “do” caminho, é dizer “o caminho das mãos vazias”, o que indica que se trata de uma técnica de auto-defesa com as mãos. Definição da Disciplina: O sistema de ensino no karatê se concentra em cinco fatores técnicos: equilíbrio, utilização das superfícies mínimas, respiração correta, aproveitamento da constituição anatômica, contração e descontração. O lutador usa uma superfície de ataque pequena, por exemplo, a frente do punho fechado. Sabendo que um golpe é tanto mais duro quanto mais rápido e, quando se domina perfeitamente a técnica respiratória do movimento.
HISTÓRIA: É uma arte de origem japonesa. Significa MÃO VAZIA. Mais do que uma técnica de luta, é uma disciplina físico-mental por meio da qual seus praticantes desenvolvem capacidades, habilidades e aprendem a conhecer um conjunto de valores que contribuem em seu desenvolvimento integral. Os princípios e fundamentos de sua prática são proporcionados pelos sistemas e estilos que existem e nos últimos anos sua face esportiva tem tido um grande desenvolvimento. Em nosso país de maneira oficial inicia sua difusão no ano de 1950 através da colônia japonesa, inicialmente no estado de São Paulo e posteriormente em outros estados, o Karatê logo ganhou diversos adeptos. Foram precursores do Karatê no Brasil, por estilos, data de chegada e data de nascimento, os seguintes professores:
KATA: Significa forma. É um conjuntos de movimentos de ataques diretos, indiretos, bloqueios, técnicas de perna que se realizam em determinadas posições mantendo-se uma ordem lógica. Existem em torno de 50 katas, dos quais alguns são apropriados para o desenvolvimento físico e fortalecimento das articulações e músculos e outros que buscam desenvolver os reflexos, a velocidade e a habilidade nos deslocamentos rápidos.
Todos os Katas em sua execução requerem um perfeito ritmo e coordenação. Os katas simulam um combate com vários adversários e em situações diversas. Executam-se com: Ordem, correto Embusen. Significado dos movimentos. Consciência do objetivo. Ritmo e Coordenação. Respiração adequada e compassada.
KUMITE: Significa luta, combate. É a aplicação pratica das técnicas do Karatê diante de um adversário real.
Seu objetivo é demonstrar a efetividade, tanto das técnicas de ataque como de defesa. Os pontos importantes a observar no trabalho do Kumite são: Distância, Velocidade, Reação, Antecipação, Controle e Correto ataque e defesa.
O kumite permite desenvolver a tática e a estratégia, seu aprendizado é progressivo e inclui o:
KIHON KUMITE: Combate básico. (Inclui: a - Gohon Kumite: Ataque e defesa em 5 passos. b - Sanbon Kumite: Ataque e defesa em 3 passos e c - Ippon Kumite: Ataque e defesa em 1 passo. Todos com ataques, defesas e zonas de ataque definidas. - Inclusões do tradutor).
JYU IPPON KUMITE: Combate básico com liberdade de movimentos, porém apenas com zonas de ataque definidas.
SHIAI KUMITE: Combate com regras oficiais e tempo definido. (Inclusão do tradutor). JYU KUMITE: Combate livre.
Fonte: El cinturón Negro Pesquisa Tradução: Prof. Cesar Estivales
Todas as técnicas básicas do Karatê são passadas principalmente através do Kihon, sejam os chutes, golpes e defesas, para você ser um bom karateca, você tem que fazer um Kihon bem feito, pois ele vai dar base para se fazer um Kata bem feito e se sair bem em competições de Kumite. É no Kihon que o karateca vai ganhar uma base forte e firme e também velocidade e força nos seus golpes. Através do Kihon, o karateca consegue atingir uma potência muito forte, reflexo da velocidade com que executa os golpes, somente a força muscular não permitirá que a pessoa se sobressaia nas artes marciais, o poder do Kime (finalização) resulta da concentração de força máxima de força no momento de impacto, um golpe de um karateca bem treinado pode chegar a ter uma velocidade de 13 m/s e gera uma força equivalente a 700 kg. No Kihon também é treinada a movimentação em base com o movimento de quadris, essencial para um movimento bem feito. Os quadris estão localizados aproximadamente no centro do corpo humano, e o movimento deles exerce um papel crucial na execução de vários tipos de técnicas do Karatê. Além de uma fonte de potência, os quadris constituem a base de um espírito estável, de uma forma correta e da manutenção de um bom equilíbrio. “No Karatê aconselha-se frequentemente a “golpear com os quadris”, “chutar com os quadris” e a “bloquear com os quadris”“. Após o treinamento sistemático de KIHON, KATA e KUMITE, entramos numa outra parte que chamamos de impacto direto ou TREINAMENTO DE MAKIWARA. O Makiwara é uma tábua de 1,30 m de altura, por 10 cm de largura e de uns 15 mm de espessura, enrolado com palha. O treinamento das mãos deve ser metódico. Os 4 golpes que mais são treinados são: soco de frente (GYAKU ZUKI), pancada com o lado da mão fechada (TETSUI), pancada com o cutelo da mão aberta (SHUTO UCHI) e a parte posterior do soco (URAKEN). Após alguns anos de treinamento, exercitando seus golpes no KATA, KIHON e MAKIWARA, os lutadores de Karatê adquirem alta eficiência, não havendo necessidade de atingir pontos vitais, pois em qualquer parte do corpo que acertarem seus golpes, prejudicam causando terríveis lesões ou até mesmo a morte. Este é um fato que deve ser dito, pois a idéia que se tem do Karatê atual esta longe de ser o Karatê que existiu no passado. Qualquer pessoa que treine Karatê pode tornar essa arte uma arte mortal como era antigamente na China e em Okinawa. Os pés são treinados no SANDOBAKO (em Inglês: Sandbag), ou simplesmente um saco contendo areia e/ou serragem, além do SUNATAWARA, que consiste em bambus amarrados. Muitas pessoas acham que o treinamento é para se criarem calos nas mãos ou nos pés, mas não é isso. As repetições, com esforço de postura, criam grupos musculares que tornam o praticante forte nas pancadas, juntamente com seu corpo. Outro detalhe que não deve ser esquecido são os saltos que existem no Karatê, cuja finalidade pode ser de ataque ou de esquiva (fuga de algum perigo). Esses saltos são treinados com pesos nas pernas e saltitamentos. Por último existe também o treinamento PRÊNSIL, que torna as mãos fortes como alicate. Em suma, o corpo todo daquele que pratica o Karatê torna-se uma arma. Este é o Karatê na parte física.
Torne seu corpo rijo, mas nunca abandone o verdadeiro caminho da razão. Oss!
O Karatê é fundamentalmente BUDO e assim sendo, o seu código ético é inspirado pelo do BUSHIDO. Neste código, a honra e a lealdade são dois dos seus princípios mais importantes. Mas, não menos significativos, temos também: justiça, coragem, bondade e benevolência, sinceridade, correção e respeito, humildade e modéstia e especialmente auto-controle em todas as circunstâncias. Estes valores são necessários para a vida em comunidade. No entanto, apesar de representarem a arquitetura espiritual do Homem, tendem a desaparecer nas sociedades modernas. Assim, a primeira grande missão de qualquer Faixa Preta é a de renovar estes princípios, tornando-os vivos com o seu comportamento exemplar.
HONRA - MEIYO A dignidade fatal. Sem honra não poderá haver combate. Tudo depende disto. Significa possuir e respeitar o código ético de forma justa e dignificante. “A honra é a poesia do dever.” /Alfred de Vigny/
LEALDADE - CHUJITSU A honra não pode ser usada sem sinceridade para com determinados ideais e para com as pessoas que a possuem. Ela é imprescindível para cumprirmos a nossa obrigação e mantermos a nossa palavra. “A lealdade é necessária no bem-estar, é imprescindível na desgraça.” /Sêneca/
SINCERIDADE - SEIJITSU A lealdade necessita de sinceridade nas nossas palavras e ações, porque a intimidade não pode existir sem ela. A mentira e a ambigüidade produzem a suspeita que é fonte de disputas e rixas. A saudação no Karatê é uma expressão desta sinceridade. Ela é um sinal daquele que não oculta os seus ideais e sentimentos e consegue ser ele próprio. “As palavras sinceras não são elegantes, as palavras elegantes não são sinceras.” /Lao c’/
CORAGEM - YUUKI A força de espírito que nos faz resistentes ao perigo e sofrimento, chama-se coragem. Significa respeitar, sob todas as circunstâncias, tudo o que nos possa parecer bem e ser capaz de ultrapassar os nossos receios e medos. Valentia, entusiasmo e, sobretudo, vontade, são pilares de coragem. “É preferível viver um dia como um leão do que 100 anos como um carneiro.” /provérbio/
BONDADE e BENEVOLÊNCIA - SHINSETSU A bondade e a benevolência são sinais de coragem e revelam um alto grau de humanismo. Dispõem-nos num estado de espírito que nos conduz à ajuda mútua e com a atenção dirigida aos outros, ao futuro, ao ambiente e ao respeito pela vida. “A benevolência encontra-se no caminho dos deveres” /Mencius/
MODÉSTIA e HUMILDADE - KEN A bondade e benevolência não podem ser expressas sem moderação na auto-avaliação. A única garantia de modéstia é a capacidade de ser humilde, sem orgulho ou vaidade. Quer dizer, ser autêntico e real sem falsas imagens de si mesmo. “Se os rios e os mares imperam sobre todos os riachos, é só porque eles se mantêm abaixo do nível destes.” /Lao c’/
JUSTIÇA - TADASHI Justiça significa seguir e cumprir deveres e nunca se afastar deles ou deixá-los. Lealdade, honra e sinceridade são pilares da justiça, capacitando-a de sensatez para as decisões corretas. “Ninguém perderá no caminho correto” /Goethe/
RESPEITO - SONCHOO A justiça evoca o respeito aos olhos daqueles que nos rodeiam. Caracteriza a capacidade de tratar as pessoas e as coisas com consideração, não olhando à sua idade, mérito ou religião. Correção no comportamento é expressão do respeito pelos Homens sem reparar nas suas riquezas, fraquezas e posição social. Etiqueta e cerimonial são a expressão do respeito e da correção. “Aquele que não respeita a Deus e a si próprio, embora respire, não vive.” /Provérbio Sânscrito/
AUTO-CONTROLE - SEIGO Esta deveria ser a característica incondicional de todos os Karatecas. Significa o perfeito controle de nossos instintos e sentimentos, sendo um dos alvos na prática de uma Arte Marcial. Além de tudo mais, os nossos sucessos estão dependentes disso. O dever e a honra na moral tradicional estabelecida para o Karate-Do, são a base para conseguir esta perfeição. “Um lago reflete as estrelas melhor do que um rio.” /Th. Jouffroy/
O kumite é um método de treinamento em que se aplicam na prática as técnicas de ataque e a defesa aprendidas no kata. Nesse treinamento os oponentes se encontram frente a frente. Nunca se enfatizará suficientemente a importância do kata para o kumite. Se as técnicas do kata forem executadas sem naturalidade ou de maneira forçada, a postura será desajeitada. E se essas técnicas forem aplicadas de modo confuso, o kumite não se aperfeiçoará. Em outras palavras, o aperfeiçoamento no Kumite depende diretamente do progresso no kata; os dois andam juntos como a mão e a luva. É um erro enfatizar um em detrimento do outro. Durante a prática do kumite, deve-se ter isso em mente.
Existem cinco estados antes de alcançar a perfeição na via do Budô, perfeição que está mais além destes cinco estados. Na tradição secreta (Hi-Den) se faz menção, para definir as diferentes etapas de evolução espiritual, ao simbolismo do stupa (gorín) japonês, constituído por cinco elementos e por cinco figuras geométricas cada uma delas constituindo um meio de identificação entre a forma e sua essência ou entre o homem e a Divindade Universal. Este sistema está ainda vigente em nossos dias para instruir aqueles que se preparam para ensinar.
O ESTUDANTE Até o primeiro Dan, aquele que treina em um dojô não é mais do que um simples estudante, um aluno ainda pouco integrado na vida do grupo do dojô. É durante esse período que se elimina a maior parte dos alunos para os quais o Budô não é a via a seguir. Estes alunos são provados e seu caráter fortalecido. É sobre eles que recai a tarefa de limpar o tatame e o dojô. Durante o noviciado, sua moralidade é submetida a numerosas provas. O Instrutor ou Sensei requer de seus discípulos a igualdade de humor, o silencio, a coragem, a perseverança, a amabilidade, a paciência. É uma etapa durante a qual o corpo é domado e depois moldado. Se aprende a caminhar, a equilibrar-se, a respirar, até chegar a obter uma saúde forte e dinâmica. Até aqui, somente as bases da arte escolhida são ensinadas através da diversidade das técnicas (waza). Como para todo debutante, a percepção (chamada sen) é lenta e baseada unicamente sobre a percepção objetiva dos cinco sentidos, as defesas são realizadas com a força muscular (chikara) e ainda não têm nenhuma coordenação (Iki-Ai)
DISCÍPULO No segundo Dan, o discípulo já não é um noviço, posto que voluntariamente aceitou as regras de disciplina e o ensinamento, algumas vezes severos, do Sensei. Aquilo que este ordenar será cumprido por seu discípulo sem que uma palavra de réplica saia de seus lábios. Tal é a lei do Budô, já que uma confiança absoluta deve estabelecer-se entre o Sensei e seu discípulo. O discípulo é elevado do estado bruto da terra até o elemento da emoção, onde o Sensei insistirá a fim de que seja firme diante do medo, da agressividade, da crítica, da timidez e, em definitivo, diante dos sentimentos perturbadores que assaltam ao praticante durante os combates livres (jyu-kumite e jyu-randori).
Quando chegou a purificar (o controlar) suas diferentes reações emocionais, o discípulo recebe uma atenção particular por parte do Sensei. Seu sentido de combate se aguça e suas defesas, esquivas, projeções, etc., são proporcionais aos ataques. Por outro lado, é capaz de se fazer uno com o adversário, partindo ao mesmo tempo que ele, Nesse Grau e para desenvolver seu poder dinâmico (kime) e sua intuição, a prática da meditação (zazen) é indispensável.
DISCÍPULO ACEITO No terceiro Dan, o discípulo é reconhecido e qualificado para que um dia possa chegar a ser instrutor. Ao chegar nesse grau se converte em discípulo aceito pelo Sensei e lhe são confiadas instruções pessoais. Algumas vezes trabalha com o Sensei para demonstrar aos outros alunos certos princípios técnicos. Pode também supervisionar o treinamento dos estudantes menos avançados. Se beneficia de certos privilégios devidos exclusivamente a sua perseverança e a suas qualidades morais. Nos ensinamentos do antigo Budô está escrito que o terceiro Dan não é adquirido senão através de dez longos anos de duro trabalho. Antigamente, um discípulo devia ter um domínio perfeito de sua mente (o elemento fogo) durante a ação.
RENSHI Este titulo compreende três graus: quarto, quinto e sexto Dan. Renshi (literalmente instrutor) é uma etapa capital, posto que a partir desse momento o praticante está autorizado a ter seu próprio dojô. Antes de ter adquirido o grau de Renshi em uma disciplina, um professor é incompetente e perigoso. É também a partir deste grau quando um ensinamento lhe é conferido pelo Sensei, concernente aos pontos vitais e a estrutura nervosa do corpo humano.
RENSHI 4º DAN O grau de Renshi faz de um bom praticante um expert. É aqui onde desgraçadamente (freqüentemente ocorre no Ocidente), por interesse ou por orgulho, muitos se fazem passar por mestres, seja por terem adquirido alguns títulos em campeonatos, seja porque estejam em regiões pouco informadas sobre o verdadeiro Budô. Alguns Renshi se inclinam para o ensinamento e outros para a competição. Sem dúvida, tanto uns como outros devem treinar sobre outros níveis de consciência e desenvolver neles KOKORO, um estado de espírito perto da Facilidade, onde toda ação é percebida na unidade da essência universal. É a partir deste grau e unicamente se são dignos que lhes podem ser revelados em profundidade certos ritos ou técnicas espirituais (himitsu) com vistas a uma integração mais profunda entre a alma e a personalidade. Sem este esforço de integração a personalidade pode degenerar pelo desejo de poder, o que ocorreu com numerosos experts japoneses que chegaram a Europa.
RENSHI 5º DAN Tal expert possui (ou deveria possuir) o domínio de sua personalidade constituída por um corpo físico por um corpo emocional e por um corpo mental. Quando esta triplicidade é purificada e alinhada uma fusão pode ser realizada com os planos de consciência espirituais, a fim de acender a esse estado que os japoneses chamam Iro-kokoro. Alcançando este objetivo, o Renshi percebe o fim verdadeiro de sua vida e o plano subjacente na vida universal. Sua vontade própria é então substituída pela vontade divina, onde a sabedoria universal ordena e dirige, pela lei e o Verbo, a criação inteira. Esta entrada na corrente ascensional lhe permite experimentar certas experiências espirituais como aquelas realizadas pelo Mestre Morihei Ueschiba, que lhe revelaram a via do Aikido.
RENSHI 6º DAN Há muito pouco a dizer sobre este grau, senão que este aumenta sem cessar o domínio da arte pelo domínio de si mesmo, e muito numerosos são aqueles que deveriam sentir vergonha de semelhante comportamento.
KYOSHI Este título é concedido aos sétimos e oitavos dans. Não é nem técnico nem honorífico, mas corresponde a um grau de perfeição interior. Raros são aqueles que alcançam estes graus e somente um autêntico Mestre pode discerni-los, é dizer, um Mestre com visão interior que ultrapassou o mundo das aparências e passou por todas as etapas anteriores.
No estado de kyoshi não existe nenhum espírito de vingança, de luta, de cobiça, de crítica, de agressividade, de mentira, de preguiça nem de debilidade. O bom grão, por inumeráveis sofrimentos e duros esforços, é separado da discórdia. Tal personagem não é utopista, idealista ou extremista, ao contrário, é profundamente realista, percebe os conflitos humanos e decidiu remediá-los. Mesmo assim está muito longe de ser um sábio, o Kyoshi cavou um abismo entre ele e o mortal comum. Tais seres existem e trazem amor, conhecimento e luz para a humanidade. Um plano de experiência interior. É por isso que um Kyoshi não falará jamais sobre si mesmo e não fará jamais ostentação de sua maestria ou de seus títulos, se os tem, já que numerosos são os que chegados a este grau, desdenharam os dans, demonstrando assim sua verdadeira identidade espiritual.
SHIHAN Shihan é um título honorífico dado aos Mestres por seus alunos em sinal de respeito, já que jamais um verdadeiro Mestre se atreveria a tal honra. O shihan não pode ser etiquetado. Algumas vezes silencioso, outras ruidoso, doce hoje, duro amanhã, se adapta com justiça a todas as circunstancias e trata em perfeita harmonia com toda manifestação vivente. O shihan pode ser comparado ao guru hindu, ao qual os discípulos confiam suas vidas incondicionalmente. O shihan, sendo um homem divino, se aproxima do estado puro da divindade. Seu conhecimento não é intelectual, mas irradiado de seu eu espiritual superior. O shihan domina a vida temporal pela espiritual, assim é dado a estes seres conhecer os pensamentos de outros, curar por imposição ou por oração e dominar todo obstáculo destruidor.
O Mestre ao qual nos referimos já não é humano mas divino. E aquele que a tradição Oriental chama um Mestre de Sabedoria ou Boddhisatva. Tais seres nos são bem conhecidos ao longo da história: Confúcio, Sankharacharya, Apolonio de Tiana, Platão, Pitágoras, Nagarjuna, Kukai, Buddha, Krishna, Jesus...
Não amar o magistério nem a matéria dos mortais, e aparentar ignorância sendo iluminado, este é o segredo de toda maravilha. Lao T´sé
O Mestre somente é mestre porque, esquecendo de si mesmo, transmitiu seu saber aos seus alunos e através deles a todos os que venham mais tarde. O discípulo somente é discípulo porque se entrega totalmente ao seu mestre. Morihei Ueshiba
Extrato do livro Budô Secreto, Capítulo: SENSEI: MESTRE Editorial Obelisco. *** Recomendamos sua compra.
Na postura seiza, também conhecida como nipon-za, os praticantes se sentam sobre os calcanhares com as pernas dobradas. O homens devem deixar um espaço entre as pernas de dois punhos, enquanto as mulheres devem se sentar com os joelhos encostados.
Quando sentamos por pouco tempo, devemos colocar o peito do pé esquerdo em cima da planta do pé direito. Quando for para ficar por muito tempo devemos colocar apenas o dedão do pé esquerdo sobre o dedão do pé direito. O tronco deve estar sempre bem ereto, com as nádegas apoiadas nos calcanhares. As orelhas devem estar alinhadas com os ombros e o nariz com o umbigo. Todos os músculos devem estar completamente relaxados com exceção do baixo ventre, principalmente o ponto localizado 4 dedos abaixo do umbigo, esse ponto na china chama-se “tan tien” no Japão “tanden” na terminologia médica chinesa de “kihai”, aqui ele é traduzido como “mar de energia”. Seiza é escrito com dois ideogramas: “Sei” e “Za”. “Sei” significa tranqüilidade, esse ideograma na verdade tem um grande número de significados, dentre os quais destacamos os mais amplos. 1-Repouso, diz-se de algo firme e imóvel, 2-Estar calado, antônimo de Ken (vozerio), 3-Calmo, tranqüilo,
Tais sentidos podem ser observados em uma série de palavras compostas como: Sei-i - vontade serena, Sei-kan – visão serena, visão tranqüila, Sei-za – sentado em tranqüilidade, descansado, Sei-shi – contemplação, Sei-jaku – Concentração, Sei-yô – cura, recuperação.
Um dos ideogramas muito utilizados é o Sei-shi. Enquanto Seiza é o ato de sentar-se numa atitude calma, tranqüila e repousada com silêncio e transparência, Sei-shi é um estado de espírito calmo transparente e correto. Seiza é, então, a expressão de quietude do corpo, ao passo que, seishi exprime a tranqüilidade do espírito. Temos assim expressada a quietude dos dois aspectos que fazem o ser humano: corpo e espírito. As duas palavras expressam a quietude do ser humano.
Foi por influência do Zen. Entre as variadas e primorosas manifestações da cultura japonesa, que chamam a atenção das pessoas de todo o mundo, conhecemos o teatro Nô, o Haikai, os arranjos florais, as artes marciais, a cerimônia do chá, entre outras. Todas estas artes datam de um período que se entende dos fins do século XIV até o século XVI (Período Muromachi), no qual o Zen foi totalmente incorporado à vida prática.
Nos tempos antigos, os japoneses não se sentavam sobre esteiras, sentavam em cadeiras ou de pernas cruzadas sobre o chão de terra batida. Mas uma transformação gradual nos costumes foi alterando o ato de sentar, principalmente depois da classe guerreira dos samurais tomar o poder político. Talvez porque o sentido da impermanência de todas as coisas, derivado da vida inconstante do guerreiro japonês, sempre exposto a muitos perigos, levasse os samurais a procurar uma resposta para o problema de como viver..
Deste modo, os japoneses praticaram o Zen e formularam o Bushido. Essa atitude dos guerreiros, de dedicação ao Zen, foi se popularizando, e depois dos agitados anos de guerra civil do século XIV, na era Muromachi, generalizou-se e o uso das cadeiras acabou sendo completamente substituído pelo Seiza. Destes princípios brotaram e cresceram os elementos culturais acima mencionados, onde se situa a nossa arte marcial, o Karatê. Um elemento importante no processo de substituição das cadeiras por esta postura foi o código de etiqueta dos samurais.
Organizado por Sadamung Ogasawara, sob orientação do monge chinês naturalizado japonês Socho, sofreu pequenas alterações na época do Shogun Yoshimitsu Ashikaga e tornou-se, enfim, o código oficial da classe guerreira, com o nome de Sangi-ito, conhecido vulgarmente como estilo Ogasawara de etiqueta.
Entre as várias formas de praticar a meditação Zen existe a Bosatsu-za, ou postura do Bodisatva, que consiste em sentar-se sobre os calcanhares. Essa postura se transformou no Nipon-za provavelmente pelo código de honra dos samurais ser calcado nas virtudes do Bodisatva, aquele que no seio da comunidade humana se esforça na prática e na difusão dos ensinamentos de Budha. Para manter uma posição na qual se está sempre pronto para instantaneamente atender ao apelo de outrem é preciso manter a maior calma, até para discernir os ruídos exteriores.
Senta-se sobre os calcanhares, sem cruzar as pernas, para conseguir esses objetivos. Os guerreiros, que como os bodisatvas precisavam responder imediatamente à apelos diversos, manifestaram um grande interesse por essa postura. O uso das esteiras tornou-se comum no início do século XVII. Assim que as vantagens do seiza foram reconhecidas pelos guerreiros, sua prática passou a ser obrigatória no treinamento das artes militares. Os elementos da cultura japonesa são qualificados com a palavra “do” que quer dizer “caminho”, como o Caminho das flores, O caminho do arco e da flecha, o caminho das Mãos vazias etc. Todos eles são aperfeiçoados e sublimados graças ao emprego do Seiza.
Certa vez numa escola de Formosa, investigando as relações entre a disposição mental e a prática do seiza, pediu-se a um professor de arte marcial que adiasse o ensino de sua luta aos alunos recém matriculados, que foram exercitados apenas na arte do Seiza. Os alunos chineses não tinham nenhum costume de se sentar daquela maneira. Alguns sofriam bastante com apenas cinco minutos de prática. Com perseverança, passaram a tolerar dez, quinze, trinta minutos. Foi preciso cerca de dois anos para que eles agüentassem uma hora sentados imóveis em Seiza. Depois de adestrados em Seiza, passaram ao aprendizado das técnicas. No fim do terceiro ano, todos, além de obterem melhores notas nos estudos convencionais, conseguiram as melhores colocações nos exames de graduação.
Nos fins da Segunda Guerra Mundial, intelectuais do mundo inteiro, transcendendo o sectarismo religioso, passaram a demonstrar profundo e especial interesse pela maneira Zen do homem viver a vida. Isso levou a um verdadeiro boom do Zen, que passou a atrair intensamente a atenção das pessoas. Em muitas universidades dos Estados Unidos, de Los Angeles a Cincinati, há professores publicando trabalhos minuciosos sobre zen. O Dr. Clark, do laboratório de psicologia infantil de Detroit, vem realizando trabalhos práticos sobre a utilização do Zen na terapia de distúrbios mentais, abrindo, assim, um novo caminho para o Zen. Misako Miyamoto, professora de uma universidade feminina japonesa, que realizou tais estudos na América do Norte, publicou um apanhado geral dos mesmos em Psychologia, revista internacional de psicologia do Oriente.
Nos Estados Unidos já foi ultrapassada a fase dos meros estudos e se atingiu a da utilização prática do Zen. Considera-se, então, terminado o aprendizado de boas maneiras. Diante da ineficácia da coerção externa, procura-se levar o educado a espontaneamente manifestar o desejo de praticar boas maneiras. No seiza, a parte superior do corpo é mais importante que as pernas. O termo Zen vem do sânscrito Dyana, que na China modificou-se para Zen, porque os chineses não conseguiam repetir a palavra Dyana, falando então Ch'anna, quando chegou ao Japão passou-se a utilizar a palavra Zen que quer dizer meditação.
Os antigos comparavam a mente à água dentro de uma vasilha, e diziam: Quando a vasilha se move a água se agita, mas quando fica imóvel o líquido fica tranqüilo. Daí a idéia da prática do seiza, que passou a ser considerado o método correto para a obtenção da tranqüilidade mental. Isso porque, quando se está em pé, o centro de gravidade do nosso corpo se acha em posição elevada, sem estabilidade suficiente, o que acarreta um estado de inquietude mental. E, quando se deita, a estabilidade do corpo é excessiva e provoca quietude mental exagerada, gerando sonolência. Quando se dorme, obviamente não se está no estado de quietude mental visado. Quando tomamos a posição sentada, porém, obtemos o grau ideal de estabilidade física e mental, o estado de quietude mental mais conveniente.
Além da posição sentada, buscaram-se condições ideais para a obtenção da quietude mental. Verificou-se que, de olhos fechados, o praticante tem a sensação de estar balançando e se torna mais propenso ao sono. Por isso, os olhos devem ficar sempre abertos. Como não é bom que o corpo fique apertado, aconselha-se também que as vestes sejam folgadas. Recomenda-se ainda que a coluna vertebral fique rigorosamente na vertical e que seja aumentada a quantidade de ar inspirada no processo respiratório. Para isso, o ideal é a respiração abdominal Assim, pouco a pouco os antigos foram estabelecendo a posição e as regras propícias para o seiza.
Que esclarecimentos nos dá a ciência moderna sobre o seiza?
Vejamos primeiramente a respiração. Ela começa por ocasião do nascimento, quando o ar penetra no interior do corpo do bebê, produzindo seu primeiro vagido. A vida depende da respiração. O fim da respiração é um dos sinais da morte, fim da vida. Existe uma profunda relação entre respiração e saúde. Para ter uma vida longa, é necessário ter uma respiração profunda. Corpo e mente entram em quietude e são criadas melhores condições para a vida.
Um adulto saudável respira de 12 à 16 vezes por minuto. A emoção aumenta esse número, a raiva, a emoção mais fácil de se observar, pode elevá-lo a quarenta por minuto. O corpo fica então extremamente exausto, o que prejudica a saúde. Quando, porém, se pratica o seiza, provocando uma tensão nos músculos do baixo-ventre e regulando a respiração, dentro de dois ou três minutos a freqüência baixa para 4 ou 6 vezes por minuto. Nota-se um aumento da capacidade pulmonar normal, de 500cc., para 1000 ou 2000. Também melhoram as condições da circulação sangüínea. Uma pessoa normal, respirando normalmente, conserva um terço de seu volume sangüíneo mais ou menos estagnado no baixo-ventre. A respiração abdominal controlada acarreta uma circulação perfeita. A pessoa treinada consegue condições ideais de circulação sangüínea após os primeiros quinze minutos de controle. Os batimentos do coração, o pulso e a pressão também atingem condições ideais. Baixa a pressão daquele que a tem alta demais e vice-versa. Agora, vejamos a questão do gasto de energia pelo organismo. Um homem adulto em repouso necessita por dia um mínimo de 1400 calorias. A prática do seiza e do controle da respiração faz baixar essa necessidade para 1000 calorias. A saúde é mantida com um mínimo de alimentação. A alimentação frugal dos antigos samurais e dos praticantes da cerimônia do chá está relacionada com essas práticas.
Kama É uma foice de cabo comprido que se utilizava para cortar cereais. A diferença da foice ocidental é a curvatura e o cabo mais longo.
Algumas vezes o kama possui uma corda com um peso e se chama kusarikama ou kusarigama. Este instrumento era manejado pouco afiado e sem ponta incisiva, até que se converteu em uma arma letal chegando a ser usados aos pares contra armas como o bo e a katana.
Tonfa Na sua origem, a Tonfa foi uma ferramenta utilizada para bater os grãos de cereais ou tirar-lhes a casca, ou segundo outras fontes, uma manivela para fazer girar uma roda de moinho. O comprimento da Tonfa deve ser ligeiramente superior ao do antebraço.
Habitualmente as tonfas são utilizadas aos pares para se poder, assim, efetuar-se defesas e ataques simultaneamente.
O cabo da Tonfa deve ser perpendicular ao resto da mesma, a fim de permitir realizar movimentos circulares, dotando os ataques de maior força, devido a velocidade do giro.
A Tonfa é uma arma muito versátil, podendo-se utilizar-se tanto como uma arma curta como uma longa (haja vista que o cabo não está completamente centralizado, o que permite dispor de duas distâncias diferentes para realizar movimentos segundo seja necessário à situação).
Com a tonfa pode-se realizar numerosas técnicas de defesa já que sua forma e posição protege o antebraço com grande eficiência e nos permite desviar tanto ataques com armas como ataques de pernas e braços.
O cabo da tonfa também pode ser utilizado para executar imobilizações, enganchando o mesmo no pescoço, joelho, braço ou qualquer outra parte do corpo do adversário para dificultar seus movimentos.
Sai O Sai é uma arma de origem Okinawense. Acredita-se que foi uma ferramenta agrícola que se converteu em arma, porém também se afirma que evoluiu desde o princípio como uma arma. Sua forma básica é a de uma adaga sem fio, porém com uma aguda ponta, com duas grandes proteções laterais (“guarda-mãos” ou “tsuba” em japonês) também pontiagudas, unidas à empunhadura. Os Sai são fabricados de variadas formas, em alguns, a ponta central é redonda e lisa, enquanto que em outros é octogonal O tsuba é tradicionalmente simétrico, com ambas pontas apontando para a frente, sem dúvida existem algumas variações do Sai. No desenho do Manji, desenvolvido por Tai Shinken, as pontas estão opostas, isto é, uma ponta para frente e outra para trás. Outra variedade é o Jitte, que foi muito usado pela polícia Japonesa no período Edo, este tem somente uma ponta de tsuba na mesma direção da ponta principal.
A utilidade dos sai como arma se deve a sua forma característica. Tradicionalmente, os Sai eram levados na cintura em número de três, dois nas laterais, como armas primárias e um terceiro guardado atrás, no caso em que um fosse desarmado. Os Sai se usam como arma defensiva e de ataque, com eles se pode bloquear golpes e atacar de forma perfurante usando a ponta aguda central ou golpeando de forma contundente com a parte lateral da ponta central ou com a empunhadura. Também é utilizada como uma arma de arremesso, o sai tem um raio de ação mortal ao redor de 5 metros.
Os Sai podem ser utilizados com eficácia contra uma espada (Katana Japonesa) apanhando a lâmina da espada com o tsuba do Sai, ou contra um Bo (bastão longo) usando-os da mesma maneira. Os usuários experts podem reter a arma de um oponente e desarmá-lo com uma torção de mão. No caso de ser usado como uma arma de arremesso, o Sai de ferro (ou aço contemporâneo) é relativamente pesado, e lançá-lo com suficiente força é capaz de perfurar uma armadura. Em resumo, há diversas maneiras de manejar os Sai nas mãos, o que lhes dá uma grande flexibilidade, podendo-se ainda usar tanto como arma letal e não-letal.
Bo Um bo é uma arma em forma de vara alongada, geralmente feita de madeira ou bambu. Existem de uma forma ou outra em todas as culturas. Variam em comprimento, peso, flexibilidade ou decoração (pode ser tão rústico como o galho de uma árvore ou tão decorado como uma obra de arte. A medida básica do Bo pode ser de 180 centímetros.
O termo “BO” que se utiliza para referir-se a vara de 180 cm aproximadamente, é na realidade uma abreviatura de Rokushakubo. Roku sifnifica seis em japonês, shaku. Shaku é uma medida que se usava antigamente no Japão e que equivale a aproximadamente 30 centímetros, e BO significa bastão. Portanto, Rokushakubo significa literalmente "Bastão de seis shakus"
O uso primário do bo é o de amplificar a força utilizada para um golpe mediante o uso da alavanca e a inércia do movimento do artista marcial. O bo é também utilizado para alcançar objetivos de médio alcance.
A arte marcial japonesa dedicada ao uso do bo é conhecida como bojutusu, a escola Masakatsu Bo Jutsu, fundada por O Sensei Morihei Ueshiba pratica-se como complemento ao Aikido.
Nunchakus Originalmente era utilizado como uma ferramenta de trabalho pelos camponeses (mayal) e servia para debulhar o arroz (separar o grão da palha) golpeando com eles as espigas postas em uma caixa. Em 1609 se proibiu aos camponeses o uso de armas, e depois dos constantes ataques dos samurai, os quais roubavam e oprimiam aos camponeses, começaram a usar ferramentas de trabalho para defesa, criando assim o Kobudo de Okinawa, quase ao mesmo tempo que o karatê, que foi criado com a mesma finalidade porém sem o uso de armas.
Dentro das armas do Kobudo de Okinawa (tonfa ou tungwa, sai, bo (pau), nunchaku ou so-setsu-kon e kama), se encontra o nunchaku, que se compõe de duas varas em forma cilíndrica que são da medida do antebraço praticante, se unem em um dos extremos entre si com uma corrente ou corda na medida do contorno do punho. Isto permite ágeis e rápidos movimentos dinâmicos, que em conjunto com a massa dos paus se convertem em uma grande inércia que pode ser mortal.
Assim como as idéias ou os pensamentos racionais têm suas fases de maturação, todos temos fases em nossa trajetória no Karatê.
No Karatê também temos diversas fases, sendo que tais fases algumas vezes ocorrem de uma só vez na nossa mente, mas podem acontecer espaçadas em claros estágios que podemos perceber, quando fazemos uma introspecção ou meditação.
Há épocas que parece que estacionamos em nossa evolução e nada mais conseguimos aprender. São estágios ou fases de maturação daquilo que aprendemos. Algumas pessoas ficam muito desestimuladas nessas épocas e alguns até acabam por desistir do Karatê, mas é quando mais devemos persistir com tranqüilidade. Então, de repente, parece que nossa evolução parece continuar.
Com exceção daqueles que já fazem outra Arte Marcial, geralmente quando entram para o Karatê, sentem-se como em uma fase nebulosa. Não conseguem perceber muito bem o que é o Karatê. Na FASE INICIAL, eu identificava o Karatê como uma coisa interessante, mas ainda não era capaz de perceber com certeza ou racionalmente o que ele era na sua totalidade.
Lembro apenas que inicialmente eu queria aprender a me defender, ganhar mais segurança, desenvolver minha coragem (que é de onde provêm todas outras qualidades), meus reflexos e aprender técnicas que me protegessem. O tempo passou e eu ganhei segurança e autoconfiança, então acredito que esse foi um objetivo alcançado.
Então cheguei a uma fase um pouco mais concreta e através de minhas observações, práticas e estudos, o Karatê adquiriu, desta vez, uma forma ligeiramente mais sólida. mas ainda um tanto pastosa na minha compreensão. Apesar de eu conseguir definir as técnicas, ainda não as conseguia empregá-las perfeitamente ou racionalmente e com clareza, muito embora ainda não conseguisse definir perfeitamente minhas idéias sobre o Karatê eu já conseguia conversar sobre Karatê com algumas pessoas.
Então resolvi testar o meu Karatê em competições e essa foi a FASE ESPORTIVA DO MEU KARATÊ. Nessa fase venci e fui derrotado e então passei dessa época.
Quando finalmente atingi a faixa preta, comecei a ver o Karatê como algo mais concreto. Entrei na fase do “Karatê clássico”. Parece que finalmente o Karatê podia ser percebido por mim de uma forma mais precisa e delineada, eu pude perceber o meu início e lembrar dos meus objetivos iniciais, mas agora eu já conseguia pensar especificamente sobre alguma teoria ou técnica e observar na prática as evidências que as comprovavam ou refutavam.
Finalmente eu estava adquirindo a capacidade de explicar minhas teorias e minhas descobertas a outras pessoas e discutí-las mostrando seus pontos fortes e fracos.
Atualmente eu procuro um KARATÊ-ARTE e comecei a procura pela perfeição na arte, agora eu pratico para agradar a mim mesmo e isso me leva a uma nova fase.
A FASE FILOSÓFICA. Isso não vai me fazer um lutador melhor, mas é o que vai me dar auto-conhecimento, paz de espírito e harmonia... acho que é o que sobra de tudo no final,quando colhemos o que plantamos.
Sem dúvida para que as técnicas do Karatê sejam úteis, devem ser executadas com a máxima potência possível e ao mesmo tempo, devem ser realizadas com a velocidade necessária. Mesmo que isso pareça contraditório estas duas qualidades são dadas por dois efeitos de natureza diferentes. É dizer a forma vem da tensão muscular e a velocidade provém do relaxamento. Qualquer técnica executada com demasiada tensão muscular carecerá de velocidade, enquanto que uma técnica desenvolvida com muita relaxação estará fraca de força. Como conseguir unificar as “causas” tensão e relaxamento, para obter os “efeitos” desejados: velocidade e potência? Verdadeiramente, em um combate não existem ou não devem existir causas para contrair o corpo em nenhum momento, exceto no instante do contato do golpe, tanto recebido como dado. Inclusive no mesmo instante do golpear, a tensão de nosso corpo deve ser a máxima no mínimo de tempo, é dizer relaxar rapidamente depois de haver golpeado, com o que aplicaremos um gasto de energia muscular ao tempo que preparamos o corpo dando-lhe descanso para outra rápida contração do músculo. É muito normal ver como todos os principiantes contraem seus músculos de uma forma incorreta, desperdiçando uma energia de forma inútil e, pior ainda, contraem seu corpo durante toda a execução do movimento, ou o que resta efetivamente do mesmo. A contração causa uma lista dos erros que podem fazer. Os principiantes e inexperientes, ao contrair seus músculos no momento incorreto.
A) No PRINCIPIO DO MOVIMENTO. Nesta fase dos erros mais típicos, são apertar os dentes, contrair o peito, subir os ombros até as orelhas e baixar a mandíbula apertando-a contra o peito. Todo começo de qualquer movimento deve ser de uma maneira explosiva e deve executar sem nenhum tipo de sinal exterior preliminares ou movimentos inúteis.
B) Na METADE DO MOVIMENTO: Talvez os erros nesta fase de devam ao método de ensinar a técnica. Muitos instrutores ensinam as técnicas separadas em partes ou segmentos, o que induz o praticante a deter-se no meio da execução da técnica; por exemplo, no Mae Geri ou chute frontal. O pé se levanta e o joelho é preparado para golpear. Para o praticante, este é um lugar ou uma fase onde o movimento é detido pelo que mais tarde ele mesmo realizará uma pausa, o qual lhe ocasionará uma perda de velocidade no chute. Assim, o inexperiente contrairá seus braços, ombros e tronco para manter seu joelho acima, o que lhe cansará muito mais e lhe privará da fluidez que necessita este movimento continuado. É importante compreender as fases do golpe, porém não até o limite do que essas nos façam executar a técnica em partes.
C) A CONTRAÇÃO DOS OMBROS BRAÇOS E TRONCO ENQUANTO SE CHUTA: É fácil ao observar um principiante, ver como todo seu corpo se contrai no momento de chutar. Durante a execução dos chutes, a parte superior do corpo deve estar relaxada e unicamente contrair as pernas (músculos que trabalham), e o abdome, ao mesmo tempo que mantemos as mãos acima e frente ao corpo, livres para bloquear ou para qualquer contra-ataque, em qualquer momento.
D) TENSÃO DOS MÚSCULOS MANTIDA DEMASIADO TEMPO NO MOMENTO DO CONTATO DO GOLPE: a tensão no final de uma técnica de punho, de perna, ou de bloqueio, deve durar décimos de segundo. No último momento deve-se contrair os músculos corretos rápida e completamente e então, depois disto, relaxa-los tão rápido e de uma forma tão completa como anteriormente se haviam contraído.
E) DEMASIADA TENSÃO QUANDO SE MANTÉM UMA POSTURA: Algumas pessoas quando adotam uma postura ou posição, permanecem de tal forma que parece que levam todo o peso do mundo em seu corpo. Ainda que a tensão muscular de vários elementos seja necessária para adotar uma boa postura, o inexperiente contrai a grande maioria dos músculos de seu corpo sem saber que se contraísse muito menos da metade, o estaria fazendo melhor. Como resultado disso, no combate parecem estáticos como fosse estátuas. Deve-se sentir relaxada, ligeiro, móvel, sem tensão, solto. Se ao contrário estamos rígidos, forçados, estáticos, duros ou tensos, quando tivermos que golpear ou defender, o primeiro que nosso corpo faz é relaxar para agir, perdemos muito tempo e pode ser muito tarde quando tentarmos reagir. Deve-se examinar todas as posturas, para que o estudante aprenda a relaxar e contrair única e exclusivamente os músculos e articulações que sejam necessárias, nem uma a menos. O sistema muscular deve estar treinado até o limite para que os movimentos sejam automáticos e os músculos que devam atuar se tencionem, da mesma forma que os que tenham que relaxar relaxem de forma automática. Não somente a pessoa poderá reagir ou mover-se de forma mais rápida, se está relaxada, mas também o fará com muito menos esforço. Este é o verdadeiro motivo pelo qual uma pessoa treinada e com conhecimentos, melhor dizendo, um perito, pode treinar várias horas seguidas sem chegar a cansar-se, ou melhor, dizendo, sem esgotar-se, pois trabalha com o mínimo esforço, elimina os movimentos e a tensão desnecessária. Existem dois tipos de músculos em cada movimento. Os agonistas são os músculos que se contraem e os causadores da execução do movimento. Os antagonistas são os músculos que devem relaxar para permitir aos agonistas realizar seu trabalho sem opor nenhum tipo de força. Por exemplo, em um chute frontal (Mae Geri), os músculos da parte frontal ou dianteira da perna se contraem para provocar a extensão do joelho e a ação do movimento. Estes são os agonistas, os que trabalham. Porém para que isso seja executado da maneira correta, os músculos da parte traseira ou posterior da perna e coxa devem relaxar, pois quando estes se contraem fazem com que a perna se recolha ou se dobre, flexionado o joelho. Assim, pois, uns servem para a extensão e outros para a flexão. É natural que se busque o melhor efeito, não se contrai os músculos agonistas e antagonistas ao mesmo tempo. Se assim se faz, o que pode acontecer é que se obterá mais fatiga (quando se trabalha a resistência em 100 Mae Geri) ou menor velocidade, se é esta qualidade a que buscamos. Não é necessário dizer que uma parte importantíssima para não dizer obrigatória, que há que contrair, é aquela com a que se vai golpear, é dizer punho, pé, antebraço, etc., pois para desenvolver e gerar potência e tão importante como contrair e concentrar os quadris e o abdome. Por meio disto o corpo será uma unidade sólida somente no instante do contato, em lugar de serem várias partes soltas e sem direção. É por isso e desta forma, quando se golpeia um alvo, deve-se aproveitar todo o peso do corpo nesse golpe e não somente golpear com a força do braço ou da perna, que é infinitamente menor que a do peso do corpo. Assim, pois, um lutador, quando sabe aplicar toda sua força corporal na superfície de seu punho, poderá pegar muito mais forte e mais ligeiro que um karateka de maior peso e envergadura. O segredo está em saber usar o seu potencial particular. Por este motivo, o peso do corpo deve mover-se para o alvo no justo momento do impacto com o objetivo. Pela mesma razão, devemos aprender a mover os quadris e aplicar sua força em todos os golpes e defesas que executemos, dando-lhe um maior nível de força para realizar as técnicas. Ao contrair o corpo, o Kime, deve ser uma atitude e uma força tanto física quanto mental. Se nossos pensamentos não estão concentrados ou enfocados junto a nossa habilidade e força física, a técnica não será de todo potente e poderosa como poderia ser. A debilidade mental seja causada pelo medo, incerteza ou simplesmente carência da devida atenção, podem retirar a efetividade de qualquer técnica, da mesma maneira que pode acontecer com uma execução errada do movimento. Os principiantes devem fixar-se nos experientes e aprender com eles quais músculos são necessárias e quais não são; ao treinar conhecendo isto é um modo de fazer mais curto o caminho para o progresso nas Artes Marciais.
Foi um grande karateca, infelizmente morreu muito jovem, porém revolucionou o Karatê Shotokan que seu pai, Funakoshi, ensinou com esmero. Começou a pratica do Karatê aos doze anos. Enquanto seu pai treinava com Itosu e Azato, o jovem Yoshitaka observava atentamente. As posições que seu pai ensinava eram altas, como as do Karatê de Okinawa, mas Yoshitaka praticou e ensinou as posições que hoje são usadas no Karatê Shotokan. Também incluiu técnicas de perna como: Mawashi Geri, Yoko Geri, Fumikomi, Ura Mawashi Geri, e Ushiro geri. Enquanto Yoshitaka evolucionava o Karatê, seu pai consentia de bom grado com estas mudanças, talvez porque isso enriquecia o Karatê que ele havia aprendido. No treinamento também modificou algumas coisas, como foi incluir o Gohon Kumite, ele criou o Kihon Ipon Kumite e o Jiyu Ipon Kumite, que nessa época também treinavam com Shigeru Egami e Genshin Hironishi. Foi um grande karateca, que igual a seu pai, dedicou toda sua vida ao Karatê, arte que os dois amavam acima de tudo. Seus treinamentos eram duríssimos, repetindo as técnicas centenas de vezes, até a exaustão, como ele dizia, tinha que estar acima das possibilidades normais, somente assim se estava em condições de estar à altura que uma situação real exigiria. Praticou muito Makiwara, e desenvolveu uma enorme força nos Tzukis, dizem que chegou a quebrar vários Makiwaras.
Publicado em: http://aikos.galeon.com/funakoshi.htm Tradução livre para o português: Prof. Cesar Estivales.
A medida que você se move na direção ao do futuro, estudando e desenvolvendo-se quanto mais profundamente você mergulha em alguma coisa, mais insatisfeito você se sente. Isso é muito natural. Às vezes você se sente bem, outras vezes, não se sente bem, mas não há nada errado nisso. Seja o que for que você se sinta a esse respeito simplesmente caminhe na direção. Quando você senta para tomar café, apenas tome-o. Quando você beber um copo d'água, apenas beba. Quando você for treinar, apenas treine. Quer você se levante de manhã. Quer você apenas se deite para dormir, você está sempre fazendo ou preocupado com algo. Isso é apenas ir, apenas vir... é como tentar adormecer. Se você tenta dormir, você não consegue. Quanto mais você se preocupa e mais deseja dormir, mais os seus olhos ficam abertos. Se você não consegue dormir; simplesmente aceite esse fato. Em outras palavras, não se esforce. Executamos rituais todos os dias. Nós nos levantamos escovamos os dentes, lavamos o rosto, nos vestimos, e tudo isso são formas pelas quais podemos experimentar o Samadhi (concentração mental), uma vez que nos concentremos totalmente nelas. Para experimentarmos essa unidade e essa serenidade, não temos necessidade de um ritual religioso. Tudo o que você precisa fazer e apenas esforçar-se ao máximo libertando-se de um rótulo ou julgamento, de que você é ou não capaz e do que você é ou não. Esqueça isso e faça apenas um esforço enorme. Não há absolutamente nada a atingir. Não há nada a ser alcançado. Dar tempo a si mesmo, trabalhar ativamente em direção a um objetivo, sem estabelecer um limite de até onde se pretende chegar. Eliminar da mente a definição de prazo, é como retirar um peso do corpo. O caminho (o treino) não é um meio para um fim, ele é o próprio fim. O treino (a prática) deve ser um fim em si mesmo. Se tudo o que você faz, você realiza como se fosse um fim em si mesmo, você se liberta. O Sensei (Sensei, em termos espirituais, significa: "Sen: "antes" e Sei "nascido") assemelha-se muito ao mestre Zen; ele não procura o discípulo, nem o impede de ir-se embora. Quando alguém se torna aluno de um Sensei, é formado um vinculo moral indestrutível, porém sem nenhum compromisso. Quando o aluno vai embora do dojo (Dojo quer dizer: "O lugar da iluminação". Do = Caminho; Jo = Esclarecimento/iluminação) o Sensei não procura tirar satisfações do porque; cabe ao aluno e não ao mestre a justificativa de sua atitude. Para o verdadeiro Sensei não existirá ingratidão porque ele age independente dos resultados. Um ensino autêntico não pode se acomodar num compromisso além disso, cabe ao discípulo entender o mestre, não o contrário, o aluno deve ser "o paciente", desenvolver a capacidade da resistência calma e a confiança. Os mestres não "mostram" aos alunos as técnicas mas "dividem-nas" com eles. Se a mostrarem elas se tornam uma exibição, e com o tempo serão esquecidas, mas dividindo-as o aluno as retém para sempre, ao mesmo tempo em que mestre e aluno se aperfeiçoam.
Yagyu Tajima no Kami Munenori foi um grande espadachim e mestre de artes marciais de duas gerações de xoguns. Em suas conclusões intuitivas, expressa como "mente comum que não conhece regras", existe um ditado que diz: "Não existe táticas militares que se apliquem a um homem de grande força".
"Certo dia, um dos vassalos do xogum aproximou-se de Tajima no Kami e pediu-lhe que o aceitasse como discípulo, ao que Yagyu respondeu: - Pelo que vejo, o senhor já é um mestre. Peço-lhe que me diga a que escola pertence, antes que entremos na relação mestre-discípulo.
O guarda observou que se envergonhava de dizer, mas jamais tinha aprendido a arte da esgrima.- Mas eu nunca pratiquei nenhuma arte marcial - respondeu o homem.
- O senhor está zombando de mim? Sou o mestre do venerável xogum e sei que meus olhos jamais se enganam.
- Lamento ofender a sua honra, mas a verdade é que jamais tive qualquer conhecimento desta arte - insistiu o guarda.
- O senhor veio praticar o Tajima no Kami como esporte? Estou errado em achar que o senhor é um dos professores do xogum? - perguntou mestre Yagyu, mas o homem jurou que não e então, frente a tão segura negativa, o mestre vacilou um momento, ao final do qual disse: - Como o senhor afirma, não vou desmenti-lo, mas seguramente o senhor é mestre em alguma outra disciplina, embora eu não saiba qual seja'.
Respondeu-lhe o guarda: - Devo dizer-lhe que existe algo no qual me considero mestre. Quando eu era criança, ocorreu-me a idéia de que o guerreiro é um homem que não vive sua vida a se lamentar e não tem o direito de temer a morte em qualquer circunstância. Desde então lutei continuamente com a idéia de morte. Como acredito nisso há muitos anos, isso se tornou uma grande convicção. Hoje em dia, eu nunca penso na morte. Talvez seja a isso que o senhor se refere'. Mal ouvira tais palavras, mestre Yagyu ficou muito impressionado com a resposta e exclamou: - Alegro-me que minha impressão estava certa, pois o princípio mais profundo da arte da espada é atingir a libertação da idéia de morte. Tenho mostrado essa meta a centenas de discípulos, mas até o momento nenhum alcançou o grau supremo na arte da espada. O senhor não precisa de qualquer treinamento, pois já é um mestre'."
Dizem que depois disso, Yagyu Munenori concedeu imediatamente o certificado ao vassalo do xogum.
- História de Muragawa Soden Hagakure, Século XVII
"Viver sem medo da morte não significa que, durante as horas felizes, nos gabemos de não tremer diante dela, nem que possamos afirmar que a enfrentamos com segurança. Porém, quem domina a vida e a morte está livre de todo o temor, a tal ponto que não é mais capaz de experimentar a sensação de medo."
- A arte cavalheiresca do arqueiro zen, Eugen Herrigel
Possuo uma faixa-preta com mais de 18 anos de uso. Muitos alunos perguntam-me: professor, por que não compra uma nova? Tentei por várias vezes trocá-la. Passo um tempo com uma nova, e lá estou eu de novo com aquele resto de faixa que mais parece um farrapo. Afinal, são anos e anos de prática que ela passou a incorporar a minha vida. Antes de me tornar faixa-preta já ambicionava por uma faixa desbotada. Ao vê-la em um Mestre ou em um karateca veterano, sonhava com o dia em que estaria ostentando a minha própria. Se na época eu pensava daquela maneira, motivado pela vaidade ou pelo orgulho, hoje eu percebo na faixa-preta quase branca de tanto uso, o seguinte simbolismo: o Caminho da Evolução que nos conduz ao eterno retorno. Observando as pessoas realmente sábias damos conta disso. Percebemos nelas, antes de tudo, os traços da simplicidade e da humildade. Agem assim, porque sabem que nada sabem. São como os cachos de arroz; quanto mais carregadas, mais curvadas se apresentam. No Karate-Do verificamos que mesmo após muitos anos de prática, teremos muito que melhorar, tanto no aspecto técnico ou no aspecto humano. E que, inevitavelmente, um dia nos defrontaremos com as falhas, seja executando um Kata básico ou realizando um Kumite com um principiante. Conclui-se, então, que a perfeição é inatingível. A perfeição não é um resultado que se obtém, mas um processo incessante de dedicação. Desta forma, o importante é o grau de intenção que colocamos na prática a ponto de sermos capazes de absorver ao máximo cada instante do exercício. E isto só será possível quando exercitamos de corpo e alma, sem muita ansiedade ou angústia originadas da excessiva expectativa para a obtenção de um resultado. Como diz, Katsumoto, personagem do filme O Último Samurai: "A vida em cada respiração, em cada xícara de chá...". Pode ser redundante, mas a prática de Karate-Do se realiza na prática, sendo o grande empecilho para o aprimoramento, a vaidade. Somente através da humildade, estaremos dispostos a reconhecer as nossas falhas e deficiências, para que, posteriormente, possamos superá-las e avançar no Caminho. E será a persistência, a virtude que nos estimulará a repetir um sem número de vezes o mesmo golpe, o mesmo movimento, até que eles venham a se integrar naturalmente ao nosso ser. É muito comum observar aquele aluno que ao chegar na academia e perceber que há apenas iniciantes, se recusar a treinar. Um grande engano. Pois, a técnica avançada, penso eu, é uma ilusão. Técnica aprimorada seria o termo correto. O treino do soco, por exemplo, de um Mestre e de um discípulo sempre será o mesmo. O que os diferenciam é a qualidade dos movimentos adquiridos ao longo dos anos. Na prática correta, um karateca sempre estará imbuído de treinar com entusiasmo e vigor seja numa turma de iniciantes ou numa aula destinada apenas aos faixas mais graduados. O aprimoramento se concretiza através do modo simples de ser e estar no mundo, como o da criança que, uma vez aberta à experiência, segue o fluxo natural do seu desenvolvimento. Ao passo que muitos de nós tendemos a seguir o fluxo contrário devido à falta de humildade e a necessidade de ostentação. Um fato muito marcante em relação ao assunto, aconteceu quando participava de um Gashuku na sede da Kokushikan em São Roque, interior de São Paulo. Na oportunidade, o ministrante era o bi-campeão japonês Masaaki Yokomichi. Estávamos nós, no fundo da quadra, com o Mestre Sagara a exercitar conosco. Incomodado, o jovem ministrante saiu de onde estava e foi até o Mestre. Curvando-se, pediu-lhe que fosse até a frente onde se encontravam outros Mestres que apenas observavam. O Mestre, sorridente, disse-lhe para não que se preocupasse com ele e que continuasse, pois o treino estava ótimo. E o Mestre Sagara treinou ao nosso lado os dois dias com o entusiasmo de um faixa branca. Prof Hélio Arakaki
Um samurai conhecido por todos por sua nobreza e honestidade, foi visitar um monge zen em busca de conselhos. Não obstante, quando entrou no templo onde o mestre rezava, se sentiu inferior, e concluiu que apesar de ter passado toda sua vida lutando pela justiça e pela paz, não havia sequer se aproximado do estado de graça do homem que tinha a sua frente. Porque estou me sentindo inferior? – Lhe perguntou, assim que o monge acabou de rezar. – Já enfrentei muitas vezes a morte, defendi aos mais fracos, sei que não tenho nada de que envergonhar-me. Sem dúvida, ao vê-lo meditando, senti que minha vida não tinha a menor importância.
-Espera. E quando houver atendido a todos que me procuraram, lhe darei a resposta.
Durante todo o dia o samurai ficou sentado no jardim do templo, vendo como as pessoas entravam e saiam em busca de conselhos. Viu como o monge atendia a todos com a mesma paciência e o mesmo sorriso luminoso no seu rosto. Porém seu estado de ânimo ia de mal a pior, pois havia nascido para agir, não para esperar.
A noite, quando todos já haviam partido, insistiu:
Agora você pode ensinar-me?
O mestre o convidou para entrar e o levou até seu quarto. A lua cheia brilhava e o céu e todo o ambiente respirava uma profunda tranqüilidade.
Vê essa lua, que bonita é? Ela cruzará todo o firmamento e amanhã o sol voltará a brilhar. Porém a luz do sol é muito mais forte e consegue mostrar os detalhes da paisagem que temos a nossa frente: árvores, montanhas, nuvens. Contemplei aos dois durante anos e nunca escutei a lua dizer “Porque não tenho o mesmo brilho que o sol? Será que sou inferior a ele?”
- Claro que não – respondeu o samurai, a lua e o sol são duas coisas diferentes, e cada um tem sua própria beleza. Não podemos comprar aos dois.
Então já sabes a resposta. Somos duas pessoas diferentes, cada qual lutando a seu modo por aquilo que cremos, e fazendo o possível para tornar a este mundo melhor; o resto são só aparências.
Os aspectos das artes marciais Japonesas podem se resumir em algumas características: pesado, estável, simples, com muitas implicações em meditação.
Simplicidade: Os Japoneses enfatizam um soco, um pontapé e um balanço de uma espada tão forte e rápido que eles não precisem de mais nenhum movimento para matar o inimigo. Assim, todo movimento em artes marciais japonesas é muito simples sem excessos desnecessários, mas ao mesmo tempo poderoso. Devido a esta simplicidade os seus movimentos não são contínuos, mas intermitentes. Eles fazem cada movimento, pausam e fazem outro, especialmente no Karatê. Claro que, você pode encontrar algum movimento contínuo no Aikido, mas seu movimento ainda contém simplicidade. Compare com algumas das artes marciais chinesas. Mesmo se o movimento de Aikido parece ser contínuo é comparativamente muito simples. Eu quero dizer simplicidade não só na sua continuidade, mas em todas as suas características. Esta simplicidade é ao mesmo tempo mérito e defeito das artes marciais japonesas. Mas podemos apagar características desnecessárias e superficiais, para alcançar a essência das artes marciais japonesas.
Estabilidade: As Artes Marciais Japonesas são em geral, estáveis comparadas a outras artes marciais orientais. Eles enfatizam a postura (base) firme e estável e na prática, habilidades simples como a paciência de espírito que é necessária para suportar o monotonia e a dureza de uma base estável. A estabilidade das Artes Marciais Japonesas exige muita dor mental e física, às vezes até desnecessária. Esta é uma característica das Artes Marciais Japonesas.
Significado: Os Japoneses têm uma muita disposição em colocar implicação e significado até mesmo num simples e trivial movimento de cerimônia. Por exemplo, veja a cerimônia de chá. Pode ser uma forma simples de tomar um chá ou um café quando considerado no seu aspecto prático. Mas eles puseram mais implicação que isso. Eles acharam implicação até na vida e espírito interno ainda que não possam explicar isso. Esta disposição também pode ser encontrada nas artes marciais. Eles interpretam todo o movimento como tendo um significado. Estas interpretações também seguem a regra de simplicidade que é a característica distintiva das artes marciais japonesas.
“Um homem idoso estava a tentar encontrar um lugar para se sentar e observar os Jogos Olímpicos, à medida em que ia a cada ala. Todos os outros gregos riam enquanto ele tentava passar. Alguns ignoravam-no. Depois de entrar na ala espartana todos os espartanos ficaram de pé e ofereceram ao idoso os seus assentos. De repente o estádio inteiro aplaudiu. Todos os gregos sabiam que aquela era a coisa certa a fazer, mas os espartanos foram os únicos que a fizeram.”
Mokuso é parte do treinamento da mente chamada "Mushin", que vem do Budismo Zen. Deve-se tentar atingir o estado mental vazio, ou seja, sem medo, sem aflição, sem dor, sem frio, sem julgamento. Um adulto conhece o medo e fica receoso. Quando atacado abala-se e não consegue agir adequadamente. O karateka quando conhece o "Mushin" e treina a mente (através do Mokuso) passa a agir com naturalidade e consegue melhor resultado na luta e em situações de conflito. Como praticar Mokuso: - Sente-se na posição do seiza. - Mantenha a coluna vertical em linha reta, olhos fechados parcialmente. - Olhe um ponto no chão em um ângulo descendente de 45º aproximadamente. - No começo é difícil esvaziar sua mente. Então faça lentamente a contagem de 1 a 10, repetidamente - Inspire quando conta 1 e expire no dois e assim sucessivamente com o 3, 4, etc... - Concentre-se somente na contagem. - Se você puder, faça isto por 10, 20, 30 minutos. - Com o tempo deve deixar a contagem e esvaziar sua mente. Se você tiver que pensar em esvaziar sua mente, não está vazia. Quando você puder fazer isto naturalmente terá evoluido bastante.
Em japonês, KI é a energia interna mental que faz iniciar o movimento muscular. Em chinês CHI é a energia interna mental associada à energia física dos movimentos que foram iniciados pelo KI. No Karate, o KI se usa com o mesmo sentido do CHI, como as energias interna e externa.
O Karate ensina o estudante a: 1. Utilizar o KI para dirigir suas ações físicas gerando movimentos que sejam precisos e fortes, e 2. Ser capaz de perceber o KI que dirige as ações de seu oponente. Em resumo se trata, em primeiro lugar, de construir um sistema interno de comunicações por meio da utilização do KI, e em segundo lugar, de construir um sistema externo de comunicações por meio da utilização do KI. Quando você tem um desejo ou intenção, se movem elétrons em seu cérebro. Este movimento de elétrons é o que se chama de KI em japonês. O KI transporta mensagens ou ordens para qualquer lugar dentro de seu corpo, o que nas artes marciais é essencial treinar-se para fazer seu KI forte e fluido. Como resultado desse treinamento você poderá lograr movimentos mais precisos e poderosos, o que significa que o KI poderá fluir facilmente a qualquer ponto (comunicação dentro do cérebro e do cérebro para qualquer parte do corpo). À medida que seu KI se move, o campo elétrico que rodeia seu corpo muda. Na guerra contemporânea os mísseis são dirigidos por radar e as defesas detectam os movimentos do míssil por radar. No Karatê, à medida que seu oponente lhe ataca conduzido pelo seu KI, você, utilizando seu próprio KI, poderá perceber a intenção do atacante mesmo antes que ele se mova.
Visualização do KI – O olho da mente Mantenha um dedo erguido e olhe-o. O que sente na ponta do dedo? Você sente uma palpitação ou aquecimento? No momento que você se concentra em uma parte de seu corpo, uma mensagem se move até esse lugar porque você está pensando nele, mesmo não fazendo nada fisicamente. Isso se chama KI (CHI em chinês). O KI é seu desejo ou intenção.
KITOH KARATE volume I. S. Sugiyama e seus Estudantes. Fonte: http://www.oceanosoft.com/aikikai/Actividades/Karate_archivos/Elki.htm
O Senpai é um ponto de mira. Os olhos dos kohai estão constantemente sobre ele, e o seu exemplo tem tanto mais importância quanto mais apreciado é, haja vista que ele concretiza um ato ou uma atitude que não passava, até então, duma visão abstrata. Geralmente os alunos têm necessidade de ver o seu ideal encarnado numa pessoa que os anime pelo seu exemplo. Um Sempai que dá exemplo merece e conquista a confiança do seu Sensei. O exemplo do Sempai fala sempre mais alto ao Kohai e quando as suas ações não estão em sintonia com as orientações do Sensei, há uma contradição que escandaliza os fracos e revolta os fortes. Um Sempai que se abandona à lei do menor esforço permite que seus Kohai procedam de igual modo. Quando um Kohai vê o Senpai praticar sem tréguas, quando sabe que é a paixão pelo Karatê o anima, a sua admiração então está conquistada e estes não recusam mais nada àquele que se dedica incondicionalmente à Arte. Entretanto, aquele Sempai que julga ter sempre feito o suficiente em relação à graduação que ostenta, jamais será um Sensei verdadeiro. Muitas vezes ouve-se dizer que basta dar bom exemplo no Dojô e que fora dele o praticante pode fazer o que entender; mas não é assim. A influência não será profunda, se o exemplo não for total. O Kohai deve encontrar no Sensei e no Sempai, antes de tudo um exemplo e também uma maneira de resolver os problemas que a vida lhe impõe. Quanto mais alto, um praticante está colocado na hierarquia marcial, mais se vai tomando livre e solitário, porque sua consciência passa a ser seu guia.
Coloco aqui esta entrevista, haja vista que o meu primeiro professor de Karatê (Hinata) foi aluno direto de Mestre Harada. Cesar Estivales
Mitsuzuke Harada nasceu a 16 de Novembro de 1928 na Manchúria. Vive na China até aos nove anos, e quando volta ao Japão (Tóquio) começa a praticar Kendo. Com quinze anos entra para o Shotokan Dojo de Gichin Funakoshi e até a destruição do Dojo em 1943 provocada por um bombardeamento no decorrer da 2ª Guerra Mundial, Harada pratica com frequência o karatê-do, tendo como instrutor Gigo Funakoshi. O karatê-do reentra na sua vida dois anos mais tarde, onde Harada é aluno de economia na universidade de Waseda, e paralelamente se inscreve no Dojo universitário. O seu instrutor é então Egami, sendo uma vez por semana a aula dirigida por Gichin Funakoshi. Egami, reparando nas qualidades de Mitsuzuke Harada, convida-o a treinar com ele pessoalmente, convite que Harada aceita e durante dezoito meses, três horas por dia, Harada treina arduamente. Em 1956, é enviado pelo banco onde trabalha para uma delegação no Brasil, e é aí que Harada a pedido de Funakoshi, funda o "Brasil Shotokan Karatê Dojo". Neste mesmo ano Harada recebe a sua graduação de 5º Dan assinada pelo próprio Gichin Funakoshi. Em 1963 é convidado a ensinar karatê na França, segue-se depois a Bélgica e Inglaterra, onde Harada fixa residência em 1966 e funda o " Karatê-Do Shotokai da Inglaterra".
Entrevista com Mestre HARADA
Pode ler a entrevista que lhe foi feita em Agosto de 2001, por Jonathan de Claire e que se encontra divulgada no "site" de "SKM". E também outra entrevista que lhe foi feita em Maio 2002, por Iñigo López Menéndez e que encontra divulgada no "site" de "ASKT", mas como o texto está em espanhol fizemos a tradução, para que possa ser lido aqui em português.
O seguinte texto é uma compilação das conversações mantidas com Sensei Harada na sua visita a Bilbao para dirigir o curso feito na nossa cidade. Tentei centrar-me exclusivamente nos aspectos históricos entre toda a informação que o Mestre teve a generosidade de nos transmitir. A primeira parte pertence exactamente a uma entrevista concedida a um jornal local e está “transcrita directamente da fita gravada, razão porque existe determinada falta de coerência que se deve ao processo da conversação e da tradução e neste momento para manter a entrevista, eu preferi respeitar.
Pode falar-nos seus começos no karate? MH: Em 1943, durante a guerra, a situação no Japão era muito má, todas as atividades na escola estavam paradas e então mandaram-me para uma fábrica de munições para trabalhar. Durante o dia tinha que trabalhar, mas durante a tarde não havia nada que fazer. Então um companheiro da escola, disse-me que um amigo de seu pai sabia algo de karatê. Essa foi a primeira vez que eu comecei a ter um pouco de interesse. Nessa altura não sabia nada do que era Karate. Então um outro amigo da classe disse-me que havia um ginásio de Karate e deu-me um mapa para lá chegar, era o Dojo Shotokan. O amigo do pai do meu amigo era Yoshitaka Funakoshi. Em Abril de 1945 com os bombardeamentos, o Dojo Shotokan desapareceu. Após ter terminado a guerra, em 1948 o Karatê recomeçou na Universidade de Waseda. Na União Atlética da Universidade de Waseda havia um grupo do Karatê, juntei-me a ele e assim comecei outra vez.
Quantas pessoas estavam no Shotokan? MH: 30 ou 40 pessoas no máximo. Quando estava no Shotokan, Yoshitaka era o instrutor, ele era filho de Gichin Funakoshi. Gichin Funakoshi tinha chegado em 1922 de Okinawa e introduzido o Karate no Japão. Quando começou, o círculo de Karatê era muito pequeno, mas pouco a pouco foi crescendo. Tive sorte porque a Universidade de Keio interessou-se pelo Karatê. Um professor de Keio era praticante de Karatê com Gichin Funakoshi. Keio foi a primeira Universidade mas naturalmente Waseda que tinha uma rivalidade com Keio, como Oxford e Cambridge, quis também ter seu grupo do Karate. Também, julgo, Takushoku. A primeira foi Keio, a segunda Takushoku e a seguir Waseda. Aquelas três Universidades eram as 3 primeiras e gradualmente pouco a pouco outras como Senshu, Hosei. Quando o Mestre Funakoshi chegou ao Japão tinha mais de 60 anos, antes tinha sido professor de escola. Originalmente o Karate que ensinou era só Kata, como um sistema de ginástica, os estudantes não estavam muito satisfeitos com isso mas o Mestre Funakoshi sempre queria seguir este método, o kata. Como o Mestre Gichin tinha mais de 60 anos, não podia demonstrar fisicamente de forma correta. Então o grupo original de Funakoshi começou a ir às Universidades e a ensinar como seus assistentes. O primeiro foi Takeshi Shimoda. Ia a duas universidades, Takushoku e Waseda, principalmente a Waseda. Antes de começar no Karate tinha feito Kendo. Pouco a pouco a sua instrução foi se aproximando do método do kendo. Dado que Gichin veio de Okinawa tratou de fazer um sistema adaptando o Karatê à cultura japonesa. O trabalho em Okinawa era sómente de kata. Nas artes martiais japonesas deve ter-se um oponente. Essa é a razão porque o kumite foi introduzido pouco a pouco no Karate e se foi afastando do original que tinha vindo de Okinawa. Infelizmente em 1934 Shimoda Takeshi morreu de pneumonia. Assim perderam o instrutor principal, esse que ajudava o Mestre, assim Waseda e Takushoku procuraram alguém que o pudesse substituir. Pensaram no filho de Gichin, Yoshitaka, que não queria ensinar, recusou no começo, mas como não conseguiam encontrar outro, pressionaram-no e ele finalmente aceitou. Quando começou ocorreu uma nova evolução. Se alguém me perguntar qual era a prinicipal diferença entre Gichin e Yoshitaka, era o kumite, Yoshitaka fazia só kumite, enquando o seu pai era só kata. Por outro lado Yoshitaka praticou o “bo”. Ninguém sabe a que nível chegou, mesmo os seniors Egami e Okuyama, não o sabiam. Disse-me Higaonna, Goju ryu Okinawa , que, trabalhando com “bo” ou um sabre de madeira, a maneira como se usa os músculos do corpo é totalmente diferente se se trabalha só com as mãos. O conceito de Gichin era ginástica e de Yoshitaka, kumite. O sistema técnico mudou, mas isso não era o mais importante pois o uso do corpo mudou totalmente. Quando Yoshitaka aceitou e começou a ensinar na universidade o seu Karate era muito popular e os números começaram a subir. Então começaram a sonhar um pouco para ter o seu próprio dojo. Era necessário dinheiro e o problema era como obter o dinheiro. Para isso, em 1935 fundou-se a Associação de Shotokai do Japão, cujo o presidente era sensei Gichin e vice-presidente sensei Yoshitaka. Os estudantes que já se tinham graduado na universidade e estavam a trabalhar entregaram bastante dinheiro à associação. Yoshitaka trabalhava na Escola Médica da Universidade Imperial de Tokyo, era técnico chefe do departamento de raios X. Todo o dinheiro que arranjou foi para ajudar a criar o dojo. Em 1938 o sonho tornou-se realidade. Em 1939 foi inaugurado, aquele que foi chamado: “O grande Dojo Shotokan do Japão”. Foi nessa altura que começaram a fazer as regras da passagem de graduação. O mestre Yoshitaka com a ajuda de Egami começaram a fazer um sistema para a passagem de graduação, kata Taikyoku, kata Ten-no, kata Chino, Matsukase (Bo). Foi nesse dojo onde eu comecei em 1943, mas após a guerra a ocupação americana chegou.
Porque começou a praticar o karate? MH: Um amigo meu explicou-me que com nukite poderia ser posta a mão dentro do corpo e arrancar um órgão o que me interessou, mas como pode ser possível? Isso era estúpido mas nesse tempo, eu era pequeno, e acreditei. Também vendo demonstrações, via quebras de telhas e sentia medo. E isso interessou-me.
O seguinte texto é uma compilação das minhas conversações mantidas com Sensei Harada durante os quase 5 dias que permaneceu entre nós. Sobre o Shotokai e a JKA. A JKA foi criada para reunir os diversos estilos de karate e para isso se contatou com o Wado Ryu, que acabou por não aceitar, e por essa razão associou-se mais tarde com o Shotokan. Na primeira JKA criado em 1949 também estavam Hironishi, Noguchi, Kamata. Egami estava em Kyu Shu e não se associou. É necessário considerar que Gichin dava aulas em alguns dojos que não eram filiados na JKA e logicamente queriam os seus diplomas de graduação, Gichin era quem as assinava como presidente do Shotokai. Assim começou a aparecer o Shotokai a dar graduações. Quando Egami ficou com alguns dos Dojos de Gichin assinava pelo presidente do Shotokai. Com a morte de Gichin, Egami que passou a assinar as graduações. Um outro problema que se levantou foi porque Hironishi tinha prometido a Yoshitaka que plublicaria o livro Karate-Do Nyumon, de 1943, que fêz em 1950, mas usou o nome da JKA como a organização que o publicara o que não foi bem aceito na JFK e por isso Hironishi abandonou-a. Mas como Hironishi dava aulas em Chuo e em Senshu estas universidades viram-se com um problema e também abandonaram a JKA. Nessa altura Takagi e Nakayama tinham aberto um dojo e por seu lado também davam graduações, o que fez estourar a unidade da JKA. Waseda decidiu separar-se e ter seu próprio sistema dos graus. Por tudo isto a JKA ficou praticamente só com a universidade de Takushoku. Nakayama no princípio não fazia parte da direção da JKA mas, posteriormente assumiu uma posição de privilégio.
Estilos dos Mestres e histórias sobre eles. Hironishi e Yoshitaka tinham estilos totalmente diferentes. Hironishi seguia um estilo muito parecido ao de Gichin, com um Karate muito robotizado e com os deslocamentos em meia lua. Era o instrutor principal do Dojo Shotokan, só às vezes aparecia Yoshitaka para fazer treino livre com algum faixa preta, contudo nem sempre aceitava treinar com qualquer um, dependendo da atitude de cada um faixa preta. O karate de Yoshitaka era muito dinâmico, elástico, com origem no seu estudo do “Bo”. Tinha estado em Okinawa por várias vezes para aprender o Karate e o “Bo”. Sobre Hironishi conta-se que andou a estudar russo, e nessa época, a polícia andava muito atenta a elementos suspeitos e embora ele não fosse "vermelho" foi apanhado pela polícia a distribuir panfletos na rua e por isso esteve preso 7 meses. Ao voltar aos treinos, comenta Harada, Yoshitaka tinha mudado um pouco o estilo e já Hironishi se punha à parte a treinar ao velho estilo e Yoshitaka integrou-o no grupo. O kamae de Yoshitaka era em fudo-dashi com a mão da frente em tate-shuto-uke com o braço um pouco flectido e a mão de trás aberta com a palma para cima à altura do plexo. Mestre Harada recorda como deitava abaixo todos os que o atacavam, sem dificuldade aparente, quando se lembra que o impressionou quando estava no Shotokan. Os que se podem chamar como estudantes de Yoshitaka, eram Okuyama, Egami e Muramatsu da Universidade de Waseda, e Morihana e Miyata de Takushoku. Actualmente estão vivos do dojo Shotokan, que Mestre Harada saiba: Kase, Hayashi e Uemura, que tem agora aproximadamente 90 anos. Okuyama só ia treinar de tarde com Yoshitaka. Okuyama tem agora 83 anos. Takagi Jotaro, actual presidente do Shotokai, também treinou com o Yoshitaka na universidade. Dos kata que Yoshitaka desenvolveu, Egami conheceu Chinno Kata mas não consegiu retê-lo e quando Mestre Harada lhe perguntou ele disse que tinha muita pena mas que se tinha esquecido. Havia um outro kata mas não chegou a desenvolvê-la devido à morte de waka sensei (Yoshitaka).
À cerca do Shotokai Com a morte de Gichin, Egami e Hironishi decidiram que a presidência seria para a família de Funakoshi. Egami ficou como o diretor técnico e Hironishi como presidente. Por essa razão com a morte do último filho de Funakoshi a posição foi deixada vaga e nunca ocupada. Hironoshi tomaria conta da administração deixando a parte técnica para Egami. Por isso, embora seus estilos de Karate fossem totalmente diferentes, nunca colidiram. Unia-os uma grande amizade. As suas maneiras de ser eram opostas, Hironishi tinha uma mente lógica, rígida na opinião de Mestre Harada e Egami era uma pessoa emocional, embora nunca o deixasse transparecer durante os treinos. É necessário ter em conta que davam aulas nas mesmas universidades e isto causava uma situação de dúvida perante as diferenças do karate. O karate de Egami era identificado, pelas pessoas que tinham treinado anteriormente nas universidades com Waka Sensei, como o Karate de Yoshitaka.
O grupo de Nakano. Yoshitaka pediu a Okuyama para tomar conta de um grupo de contra-espionagem do exército japonês, que tinham solicitado Yoshitaka como o instrutor. Nesse grupo também estavam Egami, Kamata. Um dos objetivos do grupo era introduzir-se nas linhas inimigas e fazer prisioneiros. Este grupo fêz testes com prisioneiros para verificar a eficácia dos golpes. Okuyama verificou que os golpes, tal como os estavam usando até esse momento não eram eficazes, quer dizer, o mito do golpe único do karate não funcionava e começou a experimentar e assim mudou a técnica. Esta situação ocorreu dada a circunstância que Kamata era senior de Okuyama na Universidade de Waseda e era júnior no grupo Nakano, também de Okuyama. Kamata competia sempre com todos e não suportava ter Okuyama sempre em cima dele. Quando o exército solicitou uma exibição do grupo a Okuyama para fazer uma demonstração Okuyama não quis, mas Kamata desafiou-o. Por fim Okuyama aceitou e o resultada foi de Kamata por terra ao primeiro golpe.
Okuyama Tadao. Tadao Okuyama era o principal aluno de Yoshitaka. Estudante da universidade de Waseda, o seu karate era, de acordo com Mestre Harada, difícil de compreender. Era costume ter problemas nos treinos assim que aparecesse Kamata. As suas acaloradas discussões na universidade ainda estão na memória de Mestre Harada. Os seus conceitos eram totalmente diferentes, Kamata seguia Noguchi, com um karate muito contraido e Okuyama seguia Waka sensei. Um dia, desapareceu, foi para uma montanha e reapareceu após algum tempo com o cabelo comprido e a roupa andrajosa. Durante os anos seguintes não quis mais saber de nada nem de ninguém.
Histórias sobre Okuyama: Na universidade viviam em casas de 5 pessoas. Mestre Harada estava na mesma casa que Okuyama. Diz que lhe havia noites em que Okuyama o acordava para lhe dar pancadas no ombro olhando-o fixamente e passado um bocadinho mexia a cabeça no sentido negativo sem dizer nada e desaparecia. Repetia isto diversas vezes durante a noite e Mestre Harada recorda que chegava arrasado às aulas. Outras vezes passava toda a noite a olhar para uma vela na obscuridade e se lhe perguntassem se estava a observar as oscilações, direita, esquerdo, dizia: "não, não, só a olhar". Noutro dia Mestre Harada encontrou-o a dar murros a uma pequena vara que tinha amarrado por um cordel e pendurada do teto. E disse ele: "Harada, é muito difícil parti-lo, quando dou por um lado ele vai para o outro" e foi assim toda a noite. Num curso de verão, que costumavam fazer com outras universidades, tiveram problemas com os mosquitos e tinham que dormir em grupos, em colchões com redes mosqueteiras. Okuyama ficou a olhar fixamente para uma tábua de madeira que tinha atirado para o chão e dizia: "parece confortável", apanhou-a e sem rede nem nada pôs-se a dormir nela. Em Outubro de 2001 Mestre Harada esteve com Okuyama, em sua casa no Japão. Diz que o convidou para umas cervejas e durante a conversa mostrou-lhe um exercício com bokken como prova do seu nível técnico. Nisto, Okuyama pergunta a Mestre Harada se achava possível sobreviver, só a cerveja, um ano inteiro e perante a resposta duvidosa de Mestre Harada, disse Okuyama: "sim pode, eu fi-lo, mas perde-se um pouco de musculatura." (!!) Mestre Harada diz que ele era um génio, exêntrico, mas gênio. A nível técnico Egami dizia que Okuyama tinha superado Yoshitaka. Mestre Harada, que treinou diariamente com Egami durante 18 meses, enfrentou Okuayama quando Egami pensou que ele estava preparado. Mal tentou fazer kamae já estava no chão. Okuyama disse-lhe para fazer kamae outra vez, e nem assim, ao seu primeiro movimento e já estava no chão. Okuyama disse a Egami, mas que andas a ensinar-lhe? E um partiu. Egami disse-lhe: "não compreendo Okuyama, não consigo, paro, paro". A nível técnico Okuyama tinha um sistema de absorver para devolver, com o uso de todo o corpo relaxado, mas com musculos explosivos , tal como uma serpente a atacar. Um dia, viam um treino em Waseda de Okuyama uns seus amigos que faziam sumo. Quando viram que davam um passo e a seguir relaxavam o braço perguntaram a Kamata porque davam o passo se não o aproveitavam (estilo velho). Em suma o impulso explosivo inicial acompanha a projeção dos braços, essa é a maneira de Okuyama.
O aluno perguntou ao mestre: Como faço para me tomar o maior dos guerreiros? O mestre respondeu: Vá atrás daquelas colinas e insulte a rocha que se encontra no meio da planície. Mas pra que, se ela não vai me responder? - retruca o aluno. Então a golpeie com tua espada. Mas minha espada se quebrará! Então a agrida com tuas próprias mãos. - Aconselha o mestre. Assim eu vou machucar minhas mãos - diz o aluno insatisfeito com as respostas do mestre - E também, não foi isso que eu perguntei, o que eu queria saber, era como eu faço para me tomar o maior dos guerreiros. O mestre diz: Maior guerreiro e aquele que e como a rocha, não liga para insultos nem provocações, mas está sempre pronto para desvencilhar qualquer ataque do inimigo.
O que é? Para que serve? Por que fazer várias vezes? Será que estou fazendo certo? Essas são perguntas feitas pela maioria dos iniciantes no Karatê Shotokan.
Os exercícios de kata (forma) pode ser definido como uma série de movimentos sistematicamente organizados de técnicas ofensivas e defensivas, executadas numa seqüência predeterminada. São vários golpes de defesa e ataque, onde o aluno vai de um determinado ponto a outro e depois retorna a sua origem. Espiritualmente falando, kata objetiva desenvolver no karateca a cortesia, coragem, confiança polidez e humildade. Fisicamente desenvolve fatores como: vigor, força, velocidade e postura adequada. Também desenvolve no karateca criatividade, animação, coordenação rítmica e dignidade. O kata deve ser treinado diariamente, com sinceridade e dedicação, pois seu efeito é cumulativo. O kata tem a capacidade de estimular e equilibrar a mente dos praticantes, assim pode-se descobrir técnicas para aliviar tensões ou dificuldades que se encontram na área da luta. Existem Katas fáceis e difíceis que exigem maior coordenação neuromuscular, curtos e longos, cada um com características próprias, que podem ser classificados em duas qualidades básicas: alguns são de movimentação simples, ortodoxas, fortes, que se destinam à formação muscular ou potência do corpo para condicionar o físico e a mente. Outros representam, com os exercícios rápidos, leveza de ação brusca e suave, com o objetivo de melhorar os reflexos e movimentação do corpo. De modo geral, o kata contém ambas as qualidades, diferindo em sua maioria pela predominância da força ou dos reflexos. Os katas exigem a movimentação de todas as partes do corpo, ou seja, o trabalho integral do corpo humano. Podem ser praticados sem limitações de sexo e faixa etária, sem necessidade de maiores espaços e materiais.
DICAS PARA UMA BOA EXECUÇÃO DO KATA Seqüência correta dos movimentos, respiração adequada (breve, curta e longa, lenta) , ter ritmo e tempo (expansão e contração dos movimentos), observar o início e fim (deve começar e terminar no mesmo lugar), concentrar-se no significado de cada movimento (saber a aplicação dos golpes).
BUNKAI É o estudo do kata, onde treinamos suas aplicações: omote-waza (técnica básica onde todos logicamente conseguem ver na sua execução) e ura-waza (técnicas que ficam difíceis de observar durante sua execução e são adaptadas ao biótipo de cada praticante) podendo ao invés de executar um bloqueio forte, esquivar-se do seu adversário. Estuda-se também a nomenclatura original dos movimentos e suas posturas corretas. Também podemos sistematizar treinos modificando o Enbuzen (mapa do kata) original para um melhor rendimento do karateca. No Karatê, devemos repetir os movimentos inúmeras vezes, pois além de aprimorá-los iremos fortalecer o nosso espírito que deve ser forte e perseverante em tudo que fazemos, pois enquanto tivermos um objetivo iremos lutar com afinco para alcançá-lo. Por exemplo, se pegarmos uma pessoa e mandarmos que ela fique pendurada em uma barra a um metro do chão, quanto tempo ela ficará? Uns dez minutos? E se tirarmos essa barra e colocarmos a 10º metros do chão, quanto tempo essa mesma pessoa conseguirá ficar? Não é a mesma pessoa? A mesma barra? Só mudou o objetivo, aí entra o espírito. Revista Combat
ALGUNS ASPECTOS DO KARATÊ COMO ESPORTE DE COMPETIÇÃO
O Karatê empregado nas competições esportivas torna-se um jogo de reflexos que exige sincronismo, velocidade, técnicas, estratégia, muita dedicação nos treinos, espírito esportivo e um controle soberbo. Durante a competição, tudo se funde e embora sejam executados golpes fortemente desferidos, estes devem ser, segundo as regras, nas regiões de contato perigoso, justos, e controlados, o que toma as competições muito emocionantes. As competições de Karatê foram criadas no sentido de uma "obra de lapidação", mas estas não são o objetivo final no desenvolvimento do karateca. Foi graças às competições, que o Karatê espalhou-se rapidamente por todo o mundo, não somente como mais um esporte (Karatê não e somente esporte), mas também como uma forma de melhorar a saúde, desta forma popularizou-se também como uma modalidade de exercícios para que homens, e as mulheres de todas as idades mantenham a forma e a saúde através da "nobre arte das mãos vazias", hoje em vias de se tornar esporte olímpico. O número crescente de procura do Karatê foi estabelecido também por crianças, que através dos treinos aprimoram a coordenação motora, reflexos e a disciplina. Quando nos referimos às competições de luta, sem duvida, nos referimos à execução de técnicas que nos levarão a conseguir pontuação em uma competição. As técnicas que desde sempre gozaram de maior popularidade entre os ataques, são as técnicas de braços, por este motivo e dada ênfase na pontuação das técnicas de pernas. Pode ser que por sua complexidade e devido às condições físicas que requerem por parte do executante, as técnicas de pernas sejam vistas em menor uso nas competições, haja vista a sua comprovada complexidade e espetacularidade, pelo que se lhes vai adicionada a maior pontuação. Na criação das estratégias ofensivas ou defensivas, surgem durante a fase de estudo, as fintas, sendo estas as estratégias que dão maior probabilidade de êxito nos ataques, quando o adversário comete um erro defensivo. Na atualidade, para que um ataque surta efeito, e necessário que sejam feitas algumas tentativas, dado que os sistemas defensivos esmo cada vez mais desenvolvidos. O ataque deve ser seguro, para que também não se abra a guarda para um possível contra-ataque. E necessário que cada competidor tenha um modelo de ataque muito bem treinado, mas em nenhum caso deve ser rígido. Tem que deixar uma margem de liberdade conforme as situações inesperadas que surjam. o erro fundamental do ataque costuma produzir-se pelo fato do atacante querer fazer apenas o seu próprio jogo (combate), sem levar em conta o sistema defensivo empregado pelo competidor contrário. Na procura do ataque pontuável e necessário criar o erro defensivo do adversário e aproveitar imediatamente a situação, sem perder 0 tempo, antes que se apresente a condição defensiva do adversário. No caso em que a defesa do adversário atuou corretamente, devemos retificar e continuar o ataque por tentativas, este passo deve ser dinâmico, pois no ataque também nos expomos a um maior perigo de levarmos um contra-ataque. A atenção não só deve estar no ataque, mas numa saída defensiva própria para se efetuar uma defesa eficaz. (Atacar não nos exime de que devamos defender-nos). - Não se deve descuidar da reação defensiva do adversário nem procurar ataques sem efeito Eliminar os movimentos inúteis. - A posição corporal deve ser ampla e mutante, nunca estreita ou rígida. O lutador deve ter o domínio de vários tipos de ataque (a se possível com igual número de saídas). Desenvolver estratégias capazes de tornarem ineficazes os ataques adversários, seja através de bloqueios ou esquivas. Estudar os tipos de deslocamentos eficazes, em relação com o Koto e o adversário possuir um sistema tático alternativo nas seguintes situações: a) Quando o adversário não mostra iniciativa, ou quando e muito afoito nos ataques. b) Quando estamos em desvantagem ou em vantagem na pontuação. e) Quando o sistema defensivo do adversário é o forte, mas não possui um contra-ataque eficaz. d) Quando o adversário pontua constantemente. Em todos os casos devemos nos tranqüilizar, relaxar um pouco, adotando o Zanshin correto para realizar o próximo movimento de ataque ou defesa seguida de um contra-ataque eficaz. Digo isto porque muitas vezes quando o lutador não tem o êxito desejado, quer iniciar um ataque com rapidez em demasia, a qualquer custo, em busca da igualdade na pontuação, ao invés de aguardar o momento mais propicio.
Qualquer resultado, por menor que seja, exige certa firmeza e certa tenacidade. É lógico que é necessária também inteligência, mas, com certeza, antes de tudo, para atingir a vitória, é necessária uma vontade firme que não se disperse. Tudo está contido no sentimento e na palavra “querer”. São conhecidos exemplos, onde uma inteligência mediana, fixa toda a sua vontade mantendo preso o espírito no seu objetivo, tendo a certeza de triunfar, persevera e atinge seu objetivo. Entretanto, é muito difícil alguém vencer sem um trabalho bem dirigido. O que, muitas vezes, pode parecer "sorte" não é senão fruto de um longo trabalho preparatório e de uma forte vontade de chegar ao sucesso. Qualquer que seja o ideal que anima um atleta, há horas em que o treino pode lhe parecer pesado e ele sinta-se tomado por certa lassidão à qual vem juntar-se um pouco de amargura, dado que as condições de treino são por vezes ingratas. Mas o atleta não deve se perturbar, deixar-se surpreender nem desconcertar-se, deve lembrar-se que nenhum esforço se perde e que nenhuma derrota é definitiva. Ele não pode deixar que nada dobre a sua vontade. Deve possuir alma grande para reconhecer seus erros e corrigir seus pontos fracos, mesmo com risco da sua tranqüilidade. Terá de permanecer senhor de si, da sua emoção, do seu capricho e da sua cólera. A força de vontade não é outra coisa senão uma adaptação incessante de si mesmo e das circunstâncias da vida para um fim claramente previsto e obstinadamente perseguido. Todo o atleta deve contar com vida dura, física e moralmente. Conhecerá talvez mais derrotas que vitórias, mais decepções do que alegrias, mais incompreensões do que recompensas, mais ingratidões do que encorajamentos, mais dificuldades do que oportunidades de triunfar. Mas não deve deixar-se deter por esta perspectiva, porque tem outra em seu coração: a da vitória invisível, aquela sobre si mesmo. Neste sentimento encontrará a fonte oculta das suas melhores energias. A recompensa está em si mesmo, na auto-superação.
“Kiai” em japonês “KI” significa energia ou espírito e “AI” significa unir. Portanto, KIAI significa “reunir a energia”. É uma característica indispensável do Karatê. Esse grito obtém-se pela contração rápida do diafragma, à qual sucede a emissão de um som seco. Não se trata, portanto, de um simples grito – o som vem do abdome e não da garganta. O Kiai serve à três propósitos principais: a) Demonstrar disposição de combate. Ajuda a pôr o karateca no estado psicológico ideal para o combate. Além disso, é valorizado ao nível da competição. Ou seja, mostra a todos, incluindo ao próprio, a convicção nas ações que desempenha. b) Intimidar o oponente. Provoca hesitações no adversário que propiciam “aberturas” para atacar. Por curiosidade, verifica-se que existiam uma arte marcial “Kiai-Jutsu” que se baseava essencialmente na utilização do Kiai como forma de atordoar os oponentes. c) Contrair os músculos do torso. Aumenta a potência dos golpes e também a resistência aos danos infringidos pelo oponente. Como em tudo na vida, existem bons e maus “kiais”. O Kiai é geralmente definido como um estranho poder adquirido por algumas pessoas envolvidas por forças místicas inexplicáveis. Contam-se histórias de homens que poderia paralisar ou mesmo matar pequenos animais com um grito de Kiai, ou parar o adversário com um Kiai apenas. O Kiai é uma técnica como um soco ou chute, mas não é tão físico. Na verdade o Kiai é o uso consciente de uma técnica que todos nós já usamos inconscientemente. Por exemplo, quando você contrai o abdome quando está levantando algum peso emite um grunhido, é uma forma rudimentar de Kiai. Treinando o Kiai você aprenderá a usar de modo mais eficiente seu potencial de energia vital, que é o “Ki”. Primeiramente há uma preparação para a ação que é física e mental e então uma concentração de poder que é física e mental. As duas fases do Kiai são o retesamente e o impulso. A fase de retesamente consiste na contração dos músculos abdominais e inspiração profunda, assim como o cérebro é o quartel-general das atividades mentais o abdome é o quartel-general das atividades físicas. A contração dos músculos abdominais prepara o corpo para um surto de energia. A inspiração profunda enriquece a corrente sanguínea do oxigênio indispensável para o organismo que vai depender dessa energia adicional. A segunda fase é o impulso, nesta fase a ação essencial é levada a termo (ação de levantar, atirar, empurrar ou desferir o golpe), quando o ar é espirado bruscamente. A expiração pode ser acompanhada por um grito, o Kiai, que tem um som monossilábico mais ou menos assim: “hai”, “eei”, “hum”, “iahh”, “aai”, etc. O Kiai deve ser curto e tão alto quanto possível, porém não deve ser confundido com um simples grito. Um Kiai bem executado não fará sua garganta sentir-se áspera como um grito faz. O som produz dois efeitos psicológicos, assusta e desconcerta o adversário e aumenta nossa coragem. Qualquer som pode ser usado como Kiai, muitas vezes o som “Ki” é usado durante a preparação para o golpe e o som “ai” durante a execução. Quando feito corretamente, o Kiai limpa o ar dos pulmões. Isto é bom, porque se você for barrado após executar um Kiai, as chances de ter o ar comprimido para fora são bastantes reduzidas. Também por tirar o ar dos pulmões faz de você um obstáculo mais forte e denso e se você for acertado depois do Kiai não será tão machucado. O Kiai deve assustar seu oponente. Mesmo uma simples pausa ou um piscar de olhos do seu oponente podem abrir uma brecha para você. Use o Kiai para ajudar a abrir essa entrada. O Kiai deve “mexer” com você mesmo, liberar a sua adrenalina antes da luta e dar-lhe coragem e força. Com o treinamento é possível concentrar a energia onde ela é mais necessária, ao invés de espalhá-la pelo corpo. Isto envolve concentração física e mental que canaliza a energia para regiões definidas do corpo. Você, a princípio, não é capaz de conseguir isso, mas com o passar do tempo, sua capacidade de concentração aumentará cada vez mais.
A sala de treinos de Karate-do designa-se DOJO. A palavra significa: “Lugar para o estudo da Via (Senda ou Caminho)”. É um termo de proveniência budista. A sala de meditação de certos templos budistas chama-se "Dojo". É também o nome da sala onde se estuda e pratica uma Arte Marcial. Quando queremos aprender um ofício, procuramos sempre o lugar especializado no assunto. Assim deve ser no caso da procura da escola, ou Dojo (sala de treino). O Dojô não é apenas um lugar de treino físico, é também um centro de cultura e de busca espiritual.
Uma escola boa (Academia) não é aquela que prima pelo luxo ou pela ostentação, mas sim aquele que denota organização e todos os princípios fundamentais da arte. Dojo é o local onde guarda-se o respeito, não se eleva a voz e as “piadas” não existem. Este respeito entende-se também a maneira de se vestir e não somente à maneira de portar-se com um comportamento sóbrio e cerimonioso. O respeito pelo lugar onde se aprende e pratica uma Arte Marcial, traduz o respeito que cada um tem, por aquilo que aprende, bem como, por si próprio. O silêncio é condição fundamental para quem treina e assim sendo mesmo nos vestiários a conversa sem alteração de voz e apropriada é uma demonstração de educação e seriedade. Tradicionalmente, o Dojo é uma vasta sala, em que o chão de madeira está coberto por um imenso tapete (tatami). As paredes são nuas, brancas, ostentando no centro da parede, a nascente, os símbolos do Budo (O Espírito das Artes Marciais): uma foto do Shihan (Mestre fundador), a quem o Karate deve a sua existência; uma katana (sabre Samurai); um "kakemono" (pintura japonesa que se enrola em bambú), e um quadro, contendo as cinco máximas, os regulamentos ou mandamentos do Dojo: o "Dojo Kun", As visitas quando têm permissão de assistir a um treino, não fumam, não elevam a voz e portam-se educadamente, devido ao ambiente de respeito que há no Dojo. Assim esta impressão de austeridade é aumentada a cada passo ou a cada instante entre uma explicação do professor e uma prática dos alunos. São nestes instantes onde podemos notar a concentração e a seriedade que existem nestes lugares de prática. O Dojo tem em cada um de seus cantos um significado diferente: SHIMOSEKI, JOSEKI, SHIMOZA e KAMIZA. No Shimoza e Shimozeki é onde ficam os alunos. Sendo Shimoza os alunos mais antigos e Shimozeki os alunos novatos. O Kamisa é o local de honra onde é colocado o retrato de M. Ginchin Funakoshi, reverenciado por todos em memória de sua obra pela arte em foco. O Joseki são reservados para o professor e o assistente (Senpai). O Dojo divide-se em quatro partes, tendo cada uma, um significado e sentido diferentes, a saber: SHIMOZA «Kamiza» – O lugar do Mestre (Sensei). Este, é assinalado pelos símbolos do «Budo», a que acima já foi referido. Pode ainda estar assinalado por uma espécie de altar, o «Tokonoma». Nesse caso, o mesmo deve possuir todos os símbolos atrás mencionados, os quais, representam a “passagem de testemunho” ao longo dos tempos, de todos os Mestres que nos precederam no estudo da Via. Representa igualmente, a posição da mais alta graduação existente no Dojo.
«Shimosa» – O lugar do aluno (Gakusei). Aqui os karatekas são dispostos em linha, sob a forma de “parada militar”, se assim se pode considerar, e a relação de ordem entre si, é de maneira a que, junto à porta ficará o aluno mais novo da classe, "o recém chegado", (Kohai), (ou júnior), e no outro extremo do Dojo, ficará o aluno "mais velho", (Senpai), (ou sénior).
«Shimoseki» – O lugar do aluno de honra (Senpai). Este é o local mais profundo do Dojo. É o colo e o regaço de um Dojo de Artes Marciais. A sua conquista, e respectivo merecimento, resulta da compreensão e do espírito abnegado, a que o praticante teve de desenvolver durante toda a sua prática, desde principiante a graduado.
«Joseki» – O lugar de Honra. Geralmente, ele é destinado aos convidados a assistirem a um treino, dado que não é permitido a assistência a treinos, a não ser em ocasiões circunstanciais, como estágios, exames, etc.
Tommy Morris é o homem creditado para a criação das regras atuais de WKF. É um homem de muita experiência, e apesar de não ser um praticante de Shotokan, nós sentimos que sua introspecção valiosa no mundo do árbitro seria muito útil.
Sarah Amos: Poderia você por favor falar um pouco sobre como você começou no Karatê? TOMMY MORRIS: Meu interesse começou primeiramente em 1953, quando tinha 14 anos de idade. O Karatê era desconhecido então, mas eu comecei lendo um livro da biblioteca local sobre jujitsu, o que fez pegar fogo na minha mente. Eu comecei então treinar em um clube pequeno que faz o jujitsu e judo. Em 1957 eu juntei-me à reserva voluntária dos fuzileiros navais, onde eu me qualifiquei como um comando, um pára-quedista e um coordenador do assalto, (as minas, as armadilhas, as demolições etc.) e naturalmente eu continuei meu interesse no combate desarmado. Durante meu serviço, eu participei completamente em algumas demonstrações, tais como os dias da marinha de Rosyth, que estavam abertos ao público. Eu igualmente comecei um clube desarmado do combate no salão no pedágio de Eglinton em Glasgow ao redor de 1959 ou de 1960. Eu comecei primeiramente ouvir sobre o Karatê em finais de 1959, coisas como “você já ouviu sobre estes indivíduos japoneses que quebram tijolos com suas mãos? Suas mãos assim que endurecem e deformam-se não podem ser furadas por agulhas!” Aquele era o tipo dos desperdícios que os povos falaram sobre o Karatê, mas eu quis encontrar mais.
Sarah Amos: Você pensa que suas experiências no judo e no Jujitsu deu-lhe uma vantagem quando veio a começar praticar o Karatê? TOMMY MORRIS: Sim, eu acredito que fez, principalmente no equilíbrio de bases e na compreensão do hara. Era igualmente uma grande ajuda no jiyu-kumite porque quase qualquer técnica você poderia usar naqueles dias. Era especialmente útil quando eu fui a Japão em 1967. Surpreendeu-me como pôde parecer não muita karateca japonês era familiar com as técnicas de arremessos naquele tempo.
Sarah Amos: De acordo com sua biografia, você começou a aprender o Karatê dos livros. Que tipo dos livros você leu, e você pensa que o uso de uma leitura previa e longa teve algum efeito em seu treinamento físico? TOMMY MORRIS: Eu encontrei um livro do Sensei Nishiyama, o “Karatê, a arte das mãos vazias”. Minha esposa comprou para mim como um presente de Natal e aquele livro transformou-se na fundação da minha aprendizagem. Eu aprendi o Karatê desse livro e de outro qual veio num curto período de tempo mais tarde. Um destes era “Karatê ” por H.D. Plee em Paris. Esse mudaria minha vida, embora eu não o soubesse então.
Sarah Amos: Você é creditado como sendo uma das principais pessoas responsáveis pelo desenvolvimento das regras de competição atuais do Karatê WKF. Eu imagino que este foi um trabalho difícil e desafiante. Qual foi a parte a mais dura deste processo? TOMMY MORRIS: Bem eu posso reivindicar a responsabilidade por isso. Em 1977 quando eu fui apontado para o Conselho de Árbitros da WUKO (como era chamado a WKF então) eu fui feito presidente do comitê da revisão das regras. David Mitchell fez a maioria da reescrita das regras de competição da WUKO em 1984 juntamente comigo, e muito pouco foi mudado durante os 15 anos seguintes. Houve muitas novas idéias vindas dos vários povos na federação européia do Karatê sobre mudanças das regras nos anos noventa, mas nada aconteceu. Eu estava em um quarto de hotel no Kuwait ou em algum lugar em 1996 e assistia a um programa de esportes na TV. Havia varias reportagens interessantes e emocionantes que estavam sendo mostradas, mas nenhuma de Karatê. Eu comecei perguntar-me porque, e percebi que o Karatê Esporte simplesmente não era um esporte atraente ao espectador; um grande esporte para o participante mas não para o público geral. Era diferente no princípio em que o Karatê era novo, mas é simplesmente difícil fazer as pessoas se interessar e prestar atenção num esporte que estivesse composto principalmente de dois concorrentes que tentam pontuar desde o começo da luta somente com Gyaku zuki. Se o Karatê quisesse ser aceito como um esporte olímpico, muitas coisas teriam que mudar Embora eu tentasse, o presidente Jacques Delcourt não estava interessado em nenhuma mudanças; era somente quando eu encontrei Antonio Espinos e se transformou o presidente que as coisas começaram mover. Eu elaborei as primeiras propostas em 1997 e sou aqui um extrato do papel. “Este original é apresentado como uma base para a discussão, no desenvolvimento futuro da competição do Karatê da EKU e de FMK. Seu alvo é aumentar a apelação do esporte aos meios, e o público, assim como aos concorrentes e os oficiais. Nós precisamos desenvolver o Karatê como um esporte. A competição precisa de ser espetacular, desafiando, excitando, e compreensível. Nós precisamos mudar as regras para enfatizar os aspectos positivos do esporte e para reduzir a disposição desconcertante de penalidades. Nós precisamos incentivar os concorrentes para usar as técnicas que são mais espetaculares, e recompensá-las. Nós precisamos introduzir o treinamento estruturado dos árbitros, não somente para os novos candidatos, mas igualmente para os mais experientes em como tratar as situações específicas que ocorrem na competição. O Karatê tornou-se imensamente popular no mundo todo como um esporte, e é considerado já não unicamente como um método da luta aliado ao Budismo Zen. Nós estamos, entretanto, sofrendo as limitações impostas em nós pela tradição, e por nossa incapacidade de separar a “arte marcial” do “esporte”. Até que nós façamos isso, nós limitamos nossas possibilidades de fazer um progresso significativo tornar o Karatê empolgante para o espectador e um esporte olímpico.” Infelizmente eu não consegui todas as mudanças que eu queria e o pacote final era mais complicado e menos eficaz do que eu tinha esperado, mas eu acredito que as regras são muito melhor do que antes. Nós estamos vendo que uma variedade muito maior de técnica que está sendo usada e as táticas mudaram muito conseqüentemente. Antes das regras mudarem: um competidor que conseguisse dois ou três pontos e com somente os segundos a seguir já tinha assegurado a sua vitória, mas agora não. A habilidade de marcar três pontos com uma técnica conduziu a muitas reviravoltas na luta. Eu estava muito feliz que minha proposta em incluir Bunkai nos finais de Kata Equipe foi aceita revitalizando a competição do kata equipe, foi um sucesso de tal modo que a WKF introduziu Bunkai para disputa de terceiro lugar igualmente.
Sarah Amos: Infelizmente, as regras de competição atuais da WKF passaram muitas impressões negativas, começou sendo responsabilizada por alguns "como falta da atitude de Budo" nos competidores de hoje. Como você responderia àqueles que se prendem a esta opinião? TOMMY MORRIS: Se há impressão negativa então eu penso que seria mais justo dizer “na impressão do Shotokan” porque essa não é a reação na maioria das federações nacionais da WKF. Porém eu compreendo que as pessoas estão dizendo, e eu tendo a concordar, mas é discutível que o esporte moderno do Karatê e os princípios de Budo são compatíveis em todo caso.
Sarah Amos: O que da regra atual mudou durante estes últimos anos e você sente que teve grande efeito positivo em competições? TOMMY MORRIS:A competição do Karatê tornou-se uma disputa de Gyaku Zuki e Kizami Tsuki, notou isso ? O público em geral ficou afastado e permaneceu afastado sem interesse em assistir. A solução do problema ocorreu-me enquanto eu prestei atenção a esse programa de esportes. O Karatê tem uma riqueza de técnicas, mas como poderíamos usá-las com o sistema o velho sistema de pontuação? O conceito do ippon era o problema. Desde que a contagem a mais alta para toda a técnica era ippon, não fazia nenhum sentido tentar qualquer coisa mais espetacular do que o tsuki ou gyaku zuki ou mae geri. Todos sabem que marcar um ponto com mawashi geri jodan é muito mais difícil do que marcar com Gyaku zuki ou Mae geri Chudan, assim porque devem as recompensas e pontuação ser as mesmas? Um estivador não recebe o mesmo pagamento que um neuro cirurgião. Três pontos para as técnicas mais difíceis e um ponto para as técnicas mais simples parecem razoáveis para mim. Sim, eu ouvi o argumento em defesa do ippon que “você não pode matar qualquer um mais de uma vez”. Desculpe-me; nós estamos falando sobre um jogo esportivo. Se qualquer KARATKA acredita realmente que o karatê esporte ou o karatê no dojô são o mesmo que o combate real, está tristemente confundido. Eu cacei homens armados que igualmente me caçavam, se você pensa que aquilo é o mesmo que a competição de Karatê faça uma tentativa, vá em frente.
Sarah Amos: Que mudança da regra criou dificuldades, do ponto de vista de um árbitro? TOMMY MORRIS: Tendo três juízes em vez de um, de dois, ou de quatro. Felizmente não era minha idéia, embora eu tivesse que escrever as regras.
Sarah Amos: Como um árbitro, você tem um Kata de um estilo particular que você prefere prestar atenção? TOMMY MORRIS: Não, todos são interessantes.
Sarah Amos: Qual é seu favorito Kata a executar? TOMMY MORRIS: Provavelmente Seienchin.
Sarah Amos: Seu filho é um competidor internacional bem sucedido. Eu imaginaria que sua experiência de treinamento ajudou muito. Que parte você faz como um técnico no treinamento do seu filho? TOMMY MORRIS: Assim como seus sucessos internacionais Steven aposentou-se como campeão britânico invicto de Kata, ganhou tudo de 1985 até 2000, ano em que sua esposa morreu. Era muito bom nos treinos solitários e geralmente eu não precisei passar muitas horas com ele. Porém eu não sou certo se eu o ajudei muito internacionalmente, porque minha própria atitude de “Budo” era responsável por Steven fazer um kata mais poderoso e mais realístico, visto que outros competidores, como o espanhol, por exemplo, fazia algo mais show e teatral. Havia igualmente muito engano no antigo sistema de notas, quando Steven se aposentou que eu pude o mudar para o sistema da eliminação com bandeiras.
Sarah Amos: Como um árbitro bem sucedido, qual o melhor competidor que você já viu e por quê? TOMMY MORRIS: Eu qualifiquei-me como um árbitro internacional em 1970. Eu vi milhares de competidores muito bons e seria injusto escolher para somente um deles. Como começar? Terry O'Neill, Ticky Donovan, Hamish Adam, Vic Charles, Jeff Thomson, Frank Brennan; a lista encheria essa entrevista inteira, apenas com os bons competidores britânicos.
Sarah Amos: Você era um competidor nos anos 'de 65 'a 70. As competições mudaram muito hoje. Como você pensa que a competição moderna é diferente agora? Como você pensa que concorrentes tais como o senhor mesmo, Frank Brennan, Billy Higgins e semelhantes iriam atuar sob as novas regras de competição? TOMMY MORRIS: O Karatê atual não é o mesmo como era então. As regras, as táticas, e as atitudes são completamente diferentes. Eu penso que os competidores são hoje mais preparados, mas os competidores de antigamente eram em linhas gerais muito mais resistentes. As crianças dos anos 40 e 50 cresceram em uma Grã Bretanha austera durante e após a segunda guerra mundial. Tudo foi racionado e o alimento era escasso. As pessoas eram mais ativas em seu dia-a-dia, andavam a pé em toda parte, jogos e brincadeiras eram praticados por crianças nas ruas, não havia nenhum computador e os jogos de computador e as atitudes das pessoas eram diferentes. Brincávamos instruídos a ser donos das ruas, assim que quando o Karatê veio, as pessoas abraçaram arte. O que nós fizemos nos dojos e nas primeiras competições então, não seria tolerado nunca hoje. A primeira competição que eu lutei foram os primeiros campeonatos britânicos em setembro de 1965 no palácio de cristal. Os eventos que estavam sendo disputados eram o campeonato de equipe por clubes, categoria individual Junior e Sênior. Não havia nenhum evento de senhoras ou categoria por peso ou shiai kata. Nós socamos e chutamos de qualquer jeito à nossa maneira, ignorando totalmente como eram as regras e como éramos julgados. Nós só sabíamos que tínhamos que bater, simplesmente devia bater antes que o outro nos batesse. No primeiro confronto da equipe, eu soquei chutei e atirei meu oponente fora da área de luta (fiz somente essa técnica a luta inteira) e ganhei por decisão. Para marcar o ippon era raro, e para fazê-lo só usava chudan tsuki ou gyaku, você enfrentava um oponente que tinha o dobro do seu tamanho e peso. Ninguém usava proteção (luvas etc...) e havia muitos ferimentos. Apenas não seria aceitável hoje. Uma estadia diferente, um mundo diferente.
Sarah Amos: Quanta ênfase você coloca no BUNKAI em suas aulas? TOMMY MORRIS: Eu desenvolvo como uma ferramenta para ensinar o kata, particularmente ao ensinar o kata de Shitoryu aos estilistas de Shotokan. Ensinando o Bunkai como uma forma de Yakosuku kumite ( luta combinada) , as pessoas podem melhor compreender os movimentos e ajuda a manter seu interesse em aprender o kata.
Sarah Amos: Que conselho você daria a qualquer karateca que desejar se transformar num árbitro? TOMMY MORRIS: A primeira coisa a compreender é que não é fácil ser um árbitro, assim como não é fácil se transformar em um competidor bem sucedido. Muito trabalho duro e muito tempo praticando em ambos, e devemos começar jovens. Comece no dojo, a seguir participe dos cursos da federação e aproveite cada oportunidade para adquirir experiência. O árbitro do kumite tem uma tarefas difícil, que eu não penso que não seja apreciado inteiramente por aqueles que nunca a tentaram, os lutadores são um exemplo principal. Antes de tudo o árbitro deve saber a teoria e interpretar as regras. Deve prestar atenção a cada movimento de dois competidores muito rápidos, que podem ambos atacar ao mesmo tempo, em dois sentidos e em dois níveis diferentes. Deve ver se os lutadores estão dentro da área de luta, mesmo uma pequena parte externa do pé pode mudar a decisão; deve avaliar o mérito técnico das técnicas, (se estão na área de alvo, se têm Boa forma, suficiente força, distância correta e assim por diante). Deve igualmente prestar atenção para os sinais dos juízes e estar pronto para fazer sua decisão imediatamente sobre o que viu. Não existe para ele o benefício do vídeo tape, câmera lenta e replay no conforto do repouso do sofá. Não, o árbitro tem que fazer sua decisão enquanto a técnica de pontuação é executada e antes que a técnica seguinte seja feita. Tem que tem que trabalhar o dia inteiro, freqüentemente mais de dezesseis horas, freqüentemente sem refrescamento ou comida adequada por períodos de descanso, geralmente sem recompensa financeira, e sob circunstâncias de um esforço considerável. É pedido para fazer centenas de julgamentos em milésimos de segundos e é esperado dele, nunca cometer um erro! Porém as recompensas são grandes, a satisfação em fazer um bom trabalho e em fazê-lo bem durante uma final de equipe nos campeonato europeu ou do mundial é algo nunca a ser esquecido.
Sarah Amos: Nós apenas gostaríamos de dizer que lhe agradecemos muito, sendo tão disposto a dar-nos uma entrevista. Nós compreendemos que você é muito ocupado, e nós somos muito gratos por sua gentileza. Obrigados outra vez.
Retirado do Orkut. Uma contribuição de Josias Rodrigues - Sensei FONTE: http://www.theshotokanway.com/tommymorrisinterview.html
“Ki”, “Shin” e “Tai”. Fortalecer, adquirir e unir três forças 1. KI (poder ou força que dá ação ao homem mentalmente). Energia não mecânica. 2. Shin ou Kokoro (coração ou sentimento). 3. Tai (força do corpo, inclusive as técnicas).
1.“KI” – É uma qualidade que o homem deve adquirir, da qual origina toda a força de ação. Pode-se também definir como uma energia baseada no controle mental ou psicológico. É possível fortalecê-la infinitamente com a prática correta do Karatê, auxiliada pela força de decisão. “Ki” se consegue através do treino consciente, no qual se adquire confiança e experiência. Quando o “Ki” do homem unir-se ao “Ki” da natureza (leis da natureza) surgirá uma força infinitamente grande. O domínio e o uso do “Ki” se consegue ampliar mais de 100% da própria capacidade, possibilitando maior proveito na vida cotidiana, no modo de agir e pensar. A energia hidroelétrica é um exemplo de união entre o homem e a natureza. Miyamoto Mussachi, quando adolescente, num dos duelos que travou, enfrentou um adversário fortíssimo, profissional de esgrima, conseguindo derrotá-lo aproveitando a queda de rochas como fator de surpresa. Este é outro exemplo da união homem-natureza.
2.“Shin” ou “Kokoro” (Sentimentos) – Também se deve observar utilizar e fortificar os sentimentos como objetivo no treino. Tentando cada vez mais lapidá-los ao alto grau de formação espiritual. Na união do “Ki” e do “Kokoro” surgem sentimentos naturais: a nobreza, lealdade, coragem, honra, responsabilidade, etiqueta, etc.
3.“Tai (corpo) – O corpo deve ser forte, rápido, flexível, resistente, rico em reflexos, assimilando todas as modalidades de técnicas. Uso total do corpo, descarregando as agressividades e tensões nervosas acumuladas.
O Bu-dô diz: o estado mental deve ser igual ou inabalável na hora da luta como nas horas normais da vida cotidiana. A mente deve ser livre, clara, ampla e equilibrada. Não pode se tornar tensa e nem totalmente relaxada, sem se prender a nada, e sim calma, tranqüila. À vontade, não parando por nenhum instante. Quando fisicamente se está calmo (parado, estático) a mente deve ser inversa, isto é, em estado de alerta. Quando o corpo está em forte movimento, o espírito deve manter-se calmo, como em dias normais. Evitar que o físico ou a mente sejam arrastados ou influenciados um pelo outro. Não se preocupar demasiadamente com seu próprio corpo e nem se distrair ocupando o pensamento com assuntos banais, mas evitar que o adversário perceba sua meta real na luta. Sua mente não deve se tornar turva, para que possa captar a imagem correta e conduzir o seu pensamento a uma posição mais nobre e contemporânea. Pesquisar cada vez mais no sentido de aperfeiçoar e lapidar o espírito, aumentando cultura e conhecimento. Cultivar a força de vontade, conhecendo o bem e o mal, o correto e o incorreto. Conhecer e assimilar as mais variadas modalidades de lutas e técnicas com a própria experiência, não se deixando iludir. Tudo isto deve ser praticado sempre, para poder corresponder instantaneamente quando solicitado nas horas de necessidade ou grande ocupação, pois isso não conseguirá ser aprendido em curto espaço de tempo.
Há um conto Taoísta sobre um velho fazendeiro que trabalhou em seu campo por muitos anos. Um dia seu cavalo fugiu. Ao saber da noticia, seus vizinhos vieram visitá-lo. "Que má sorte" eles disseram solidariamente. "Talvez," o fazendeiro calmamente replicou. Na manhã seguinte o cavalo retornou, trazendo com ele três outros cavalos selvagens. "Que maravilhoso!" os vizinhos exclamaram. "Talvez," replicou o velho homem. No dia seguinte, seu filho tentou domar um dos cavalos, foi derrubado e quebrou a perna. Os vizinhos novamente vieram para oferecer sua simpatia pela má fortuna. "Que pena," disseram. "Talvez," respondeu o fazendeiro. No próximo dia, oficiais militares vieram à vila para convocar todos os jovens ao serviço obrigatório no exército, que iria entrar em guerra. Vendo que o filho do velho homem estava com a perna quebrada, eles o dispensaram. Os vizinhos congratularam o fazendeiro pela forma com que as coisas tinham se virado a seu favor. O velho olhou-os, e com um leve sorriso disse suavemente: "Talvez."
O pensamento ocidental é de que o Kimono é uma coisa antiga dentro da tradição Japonesa.
Entretanto, somente em 17 de maio de 1921, quando o Mestre Jigoro Kano convidou ao mestre Funakoshi para ir ao seu Dojô o Kodokan para que fizesse a apresentação do Karate-Jutsu de Okinawa, foi que o Karate-gi surgiu como vestimenta de treinamento no Karatê. Anterior a essa época não havia nada preestabelecido como vestimenta para o treinamento no Karatê.
Esta não era uma vestimenta que se utilizava exclusivamente nos treinamentos quotidianos. O mestre Funakoshi adquiriu uma peça de algodão branco na casa de um comerciante de Kanda sendo ele próprio, Funakoshi, que confeccionou o traje a mão, evidentemente copiado do traje de Judô.
Gima havia preparado sua vestimenta, porém no dia da demonstração o Mestre lhe entregou o kimono confeccionado com suas próprias mãos na noite anterior, dizendo-lhe, no momento de entregá-lo: É possível que façamos algumas formas de combate e não seria harmonioso cada um usar uma cor diferente.
Deduzimos assim que o primeiro Karate-gi branco data de 1921, não tendo sido usado antes como uma roupa convencional para a prática do Karatê. Antes do seu surgimento, se treinava com roupas comuns ou calças curtas, e dorso nu, temos que ter em conta que o clima em Okinawa era quente, não sendo igual ao de Tóquio. Assim o Kimono branco se converteu progressivamente em um artigo habitual para o uso do Karatê, tornando-se mais tarde a vestimenta oficial, tendo sido introduzida em Okinawa como uma nova forma de tradição. Fonte: http://www.karateguipuzcoa.com/estilos/Shotokan.asp
A autodefesa é sempre algo de ingrato para qualquer praticante de artes marciais. Quando ele bate é um mau caráter, porque pratica artes marciais e se prevalece dos mais fracos; se é vencido numa luta, é medíocre porque pratica artes marciais e apanha de todos. Analisemos então quando começa a autodefesa. Muitos dirão que é quando se defende de um ataque vindo de outra pessoa. Julgo isso ERRADO! Para mim começa na PREVENÇÃO. Se usarmos nosso instinto e inteligência para lidarmos com as situações que nos deparamos no dia-a-dia de maneira preventiva iremos certamente vencer todos os desafios, mas quando não há solução e não dá para contornar a situação e a violência acontecer, aconselho que: 1 – Jamais menospreze o adversário. Julgue-o sempre como se ele fosse a pessoa mais perigosa do mundo, pois poderá estar armado e ainda usar de golpes sujos. 2 – Não use técnicas bonitas, mas sim eficazes. “Porque chutar na cabeça, quando podemos bater no joelho?” Esta regra é sem dúvida alguma das mais importantes. É freqüente vermos utilizar técnicas que gastam muita energia expondo os praticantes ao perigo, quando poderiam ser mais eficazes, econômicas, rápidas e decisivas. 3 – Observe os perigos do ambiente, festas, discotecas, clubes, rua, etc. e o tipo de pessoas que os freqüentam. 4 – Não é necessário ficar constantemente desconfiado a espera de agressão física, mas saiba o momento correto para iniciar a autodefesa. Existe uma linha a qual depois de ultrapassada não há retorno. Cabe a cada um perceber onde está essa linha. A experiência mostrará que antecipar e evitar é uma atitude mais sábia do que esperar o confronto físico em si. 5 – Quando se parte para a violência, não se pode pensar noutra coisa que não seja a vitória absoluta. Não se pode pensar no “após”, mas sim no “durante”. Bater onde for mais eficaz. 6 – Quando se enfrenta um grupo é preciso muito sangue-frio, capacidade de decisão. Observar sua estratégia; quem é o líder? É ele que precisa ser posto fora de combate primeiro ou primeiro aqueles que julgamos mais fortes ou os mais fracos, para impormos medo? O Karatê em si é um método altamente eficiente de defesa pessoa, mas é necessário que seus braços e pernas sejam treinados sistematicamente, de modo que o possibilite defender-se de qualquer tipo de inimigo. A prática do Karatê é um caminho longo e requer anos de muita dedicação. 7 – Nunca se precipite. É muito comum que o principiante de Karatê notando seu rápido progresso, seja levado por uma onde de impetuosidade, sentindo a necessidade de testar os conhecimentos adquiridos. Esta idéia distorcida deve ser sanada a tempo para que não venha a afastá-lo do real objetivo da arte. 8 – O treinamento do Karatê como defesa pessoal se divide em três etapas: a) Percepção (captar a intenção do adversário; b) Decisão (decidir conscientemente qual a atitude a ser tomada); c) Ação (reação, execução). Este tipo de pensamento permite ao praticante, numa situação de perigo, fazer uma real avaliação da causa, discernir o melhor modo de agir, e tomar uma atitude consciente. 9 – O verdadeiro valor do Karatê não está em sobrepujar os outros pela força física. Nesta arte marcial não existe agressão na sua extensão e sim nobreza de espírito, domínio da agressividade, modéstia e perseverança. Quando for necessário, ter a coragem de enfrentar milhões de adversários e vibrar no seu interior. Mestre Funakoshi disse: “Para o homem que sai do seu portão, existem milhões de adversário”. Olhando-se por este ângulo, julgo que se você realizou tudo que deveria fazer, não procurou nenhum tipo de desentendimento com quem quer que seja e evitou os conflitos que poderiam surgir, você obteve a maior das vitórias, cujo prêmio é a sua paz de espírito.
O Zen é um método de treinamento para se atingir a plenitude, um estado da mente alerta, em contato com a força criadora. Não é uma doutrina religiosa pode haver, portanto, Zen-Budistas, Zen-Católicos, Zen-Karatekas, Zen-Ateus, etc. A palavra Zen quer dizer literalmente meditação no sentido de contemplação e está mais próximo da ação pura. Ser Zen na vida é ter uma postura mais centrada e em contado com o seu Deus interior, com o seu próprio “EU”. Com o treinamento zen não nos permitidos perder a serenidade. Embora o Zen seja um ramo do budismo, não faz parte de nenhuma doutrina religiosa. Ele é um treinamento espiritual que os samurais utilizavam para se tornarem pessoas corteses e paradoxalmente melhores guerreiros. Tudo que contribui para torná-lo uma pessoa melhor e ser um verdadeiro karateka. O zen é um caminho para se tornar um ser “iluminado”, transcendendo os dualismos da existência: céu e terra, homem e mulher, bem e mal, tristeza e alegria, positivo e negativo, etc. Após a experiência dos extremos, o sábio seguirá no caminho do meio, compreendendo o universo de forma holística. As artes influenciadas pelo Zen são simples e não utilizam técnicas que dependem de raciocínio, memorização e controle. No karatê é necessário a ação pura, visto que não se pode praticá-lo intelectualizando-o. O pensamento é muito mais lento que o “EU”. O Zen é a prática. O que foi aprendido com o intelecto não terá o valor da aprendizagem experimentada na prática. Experimentamos o Zen ao praticarmos a autodisciplina, o amor, o respeito, a cortesia, o desapego... Uma maior compreensão sobre o tema pode ser verificada no poema a seguir:
A Verdadeira essência do Zen “O Zen é simplesmente uma flor silvestre, Espalhando sua fragrância a Quem possa interessar. Aqueles que têm a sensibilidade Compreenderão isto.
É a sua própria mente Que está encobrindo o seu ser Como uma gaiola. Uma vez que a mente é deixada para trás E você é apenas um observador, Bem distante... Subitamente as portas De todos os mistérios se abrem.
O Zen não fala sobre Deus, Ele lhe dá Deus: Ele não fala sobre o paraíso, Ele o empurra para dentro do paraíso
Qualquer resultado, por menor que seja, exige certa firmeza e certa tenacidade. É lógico que é necessária também inteligência, mas, com certeza, antes de tudo, para atingir a vitória, é necessária uma vontade firme que não se disperse. Tudo está contido no sentimento e na palavra “querer”. São conhecidos exemplos, onde uma inteligência mediana, fixa toda a sua vontade mantendo preso o espírito no seu objetivo, tendo a certeza de triunfar, persevera e atinge seu objetivo. Entretanto, é muito difícil alguém vencer sem um trabalho bem dirigido. O que, muitas vezes, pode parecer "sorte" não é senão fruto de um longo trabalho preparatório e de uma forte vontade de chegar ao sucesso. Qualquer que seja o ideal que anima um atleta, há horas em que o treino pode lhe parecer pesado e ele sinta-se tomado por certa lassidão à qual vem juntar-se um pouco de amargura, dado que as condições de treino são por vezes ingratas. Mas o atleta não deve se perturbar, deixar-se surpreender nem desconcertar-se, deve lembrar-se que nenhum esforço se perde e que nenhuma derrota é definitiva. Ele não pode deixar que nada dobre a sua vontade. Deve possuir alma grande para reconhecer seus erros e corrigir seus pontos fracos, mesmo com risco da sua tranqüilidade. Terá de permanecer senhor de si, da sua emoção, do seu capricho e da sua cólera. A força de vontade não é outra coisa senão uma adaptação incessante de si mesmo e das circunstâncias da vida para um fim claramente previsto e obstinadamente perseguido. Todo o atleta deve contar com vida dura, física e moralmente. Conhecerá talvez mais derrotas que vitórias, mais decepções do que alegrias, mais incompreensões do que recompensas, mais ingratidões do que encorajamentos, mais dificuldades do que oportunidades de triunfar. Mas não deve deixar-se deter por esta perspectiva, porque tem outra em seu coração: a da vitória invisível, aquela sobre si mesmo. Neste sentimento encontrará a fonte oculta das suas melhores energias. A recompensa está em si mesmo, na auto-superação.
Takekurabe significa aferição de altura. Isso explica o ato de aproximar-se ou chocar-se contra o adversário, para evitar tomar uma postura rebaixada. Em qualquer situação, para penetrar no adversário, é necessário que o corpo se alongue, se estenda ao todo, que fique mais solto, a vontade, cheio de reflexos, evitando que se torne encolhido ou contraído. Assim, deve-se enfrentar o adversário corajosamente frente a frente, dominador, exercendo pressão no adversário e com força, como se fosse vencê-lo numa aferição de altura. Yasuyuki Sasaki
Muitas crianças praticam artes marciais orientais desde muito pequenas. O Karatê proporciona a todos os praticantes, principalmente para as crianças, aumento dos níveis de concentração, melhora da coordenação motora, correção dos maus hábitos posturais, ensina a respiração correta, aumenta a flexibilidade corporal melhora o tônus muscular. De maneira geral, as crianças que praticam a técnica marcial tendem a ter um bom rendimento escolar e, aprendem a trabalhar em grupo. Para motivar as crianças a praticarem o Karatê, devemos incluir nos treinamentos atividades lúdicas e recreativas, pois através da ludicidade a atividade torna-se mais prazerosa para os pequenos aprendizes, conquistando assim maiores índices de permanência na prática do Karatê-Do. Além disso, devemos ter o cuidado de não exceder a capacidade física individual, cuidando para que os exercícios sejam leves e bem dosados. O Karatê, da mesma forma que outras artes marciais, fortalece toda a estrutura ósteo/muscular do jovem, proporcionando também, a aquisição de bons hábitos, como por exemplo a disciplina e o respeito. O Karatê é uma excelente atividade para as crianças mais agressivas, pois a prática ajuda a canalizar toda a agressividade para o lado bom, ou seja, direciona para a conquista de novas técnicas, novos Kata (seqüências pré-determinadas) etc. A busca pela superação dos próprios limites, também é proporcionado pela prática constante da arte-marcial. O esforço para alcançar certos objetivos, desde aprender uma determinada técnica até a obtenção de maior graduação, permite à criança ter consciência das suas capacidades e vivenciar vitórias importantes, proporcionando a melhora da auto-estima. Devemos salientar que, a filosofia do Karatê não permite que as crianças utilizem as técnicas de combates em outras crianças. De forma geral, o Karatê fomenta a formação de cidadãos saudáveis em todos os aspectos: físico, social e moral.
O Prof. Altemar Sabino da Silva-Faixa Preta 4º Dan FGK/CBK/WKF – Licenciado em Ed. Física UFRGS.
Pressa com prática e experiência produzem eficazmente o trabalho, sem demonstrar pressa. Não se deve definir o certo e o errado somente pela velocidade. Quando tudo está dentro do ritmo, nos aparenta normal, mas se algo estiver fora do ritmo, não parece rápido ou devagar, parece anormal. Na grande maioria, principalmente no Budô, a pessoa aperfeiçoada não aparenta rapidez, pressa ou velocidade. Um dançarino que executa seus movimentos em ritmo certo, com perfeição é agradável, mas aquele que não tem experiência, quando tenta ajustar-se, atrasa ou adianta, saindo fora do ritmo. A pessoa aperfeiçoada parece tranqüila e realiza com perfeição qualquer trabalho, sem parecer apressado. Numa luta cujas circunstâncias são desfavoráveis, como no pântano úmido e escorregadio, não se consegue e não deve-se realizar movimentos rápidos. Se tentarmos movimentar uma espada rapidamente como se fosse um leque, não conseguiremos cortar nada. Portanto, para cada situação existe um ritmo ideal, dependendo das situações apresentadas. Inclusive na luta, não precipitar-se principalmente se o adversário estiver com movimentação rápida e perturbadora, tentando quebrar o seu ritmo de luta. Nesta situação, controle-se, ficando mais calmo ou então execute movimentação maior do que a do adversário, evitando entrar no jogo ou ritmo do oponente. Um nadador principiante trabalha muito com os braços e pernas, batendo-os fortemente contra a água, sem render e produzir eficazmente. Antes de sentir-se ocupado, é necessário refletir e ver se a tarefa está rendendo ou não. Yasuyuki Sasaki
Para expor com perfeição toda a capacidade e conhecimento, deve-se agir de modo prudente e constante, em qualquer circunstância. A maioria das técnicas, atos fenomenais e lendárias transcritas, foram baseadas na aplicação do controle mental e não com o auxilio de milagres. Mesmo possuindo técnicas fenomenais, caso for surpreendido numa hora de distração, não conseguiremos realizar um trabalho consciente. Portanto, ao conduzir-se, verifique discretamente ao seu redor em todos os sentidos e direções, de modo a prevenir-se contra qualquer incidente, sempre observando cuidadosamente, preparando-se contra o perigo. Devemos ser prudentes no modo de agir, de proceder, preparando-nos física e mentalmente para estarmos aptos para qualquer situação, através do treino e prática constantes. Só assim, conseguiremos a dissuasão de um ataque em qualquer ambiente. Para uma pessoa bem treinada e segura no seu modo de proceder, pode transformar o seu olhar em um golpe dominante, que se denomina “Mitsumo”, isto é, um olhar dominador, em que o adversário perde seu ânimo e reflexos, sendo que, esta falha, numa fração de segundo, poderá ser uma das causas da derrota. O gato, com seu olhar consegue paralisar o rato e este esquece das pernas para fugir, preocupando-se com o olhar fulminante do gato. Os acontecimentos imprevistos podem ser fatais, apresentados e quem não estiver preparado, mesmo possuindo boas técnicas, poderá falhar. A união da técnica, mente e corpo refletem inconscientemente as suas capacidades com perfeição.
Dominar com “Iguem” (Kuraidori) e vencer com “Ação Enérgica” (Ikioi) “Iguem” ou “Kuraidori” significa que o homem domina o adversário não pela técnica da luta e nem pela força, mas sim por uma espécie de energia irradiada que se manifesta pelo grau de formação espiritual, cultura e de caráter do indivíduo “iguem” não se altera por influência externa ou circunstâncias, porque isto é uma qualidade adquirida do homem. Com o “iguem” e uma vez que o indivíduo tomou a posição da luta (Kamae) que é a posição realmente perfeita, exercendo uma pressão dominadora contra o oponente, sem a necessidade de movimentos, sua atitude nunca será influenciada ou abalada pelos movimentos do adversário. “Ikioi” é o movimento ou ação bastante forte e esmagadora, além de dominadora, contra o adversário. “Iguem” é calmo, mas no seu íntimo contém mil variações e alterações de reflexos prontos contra qualquer tipo de ataque do adversário. Junto com o movimento de ikioi, cuja ação é esmagadora, anula as mil tentativas do oponente. Assim diz-se: Enfrente o adversário com Iguem o vença com o Ikioi. São as duas coisas num só objetivo, dentro de Iguem contém Ikioi e vice-versa. Quando apresentar Iguem forte, jamais será influenciado pela tática adversária, não temerá o oponente e nem terá dúvidas de si próprio.
A prática do Budô, para mim, poderia resumir-se apenas em boa educação e respeito. O que precisamos entender é que o Budô deve ser adaptado aos novos tempos, até porque foi quando os samurais perceberam que seus afiados e bem manejados katanas eram inúteis diante de uma arma de fogo carregada, que passaram a praticar os movimentos marciais, não como métodos de guerra, mas sim como um método para atingirem a iluminação espiritual. É sem entender isto, que muitas pessoas aprendem Artes Marciais como uma forma de defesa pessoal, mas que de pouco valerá diante de pessoas realmente agressivas, que geralmente andam com armas de fogo. Devemos preservar e manter a etiqueta, mas ninguém mais anda pela rua vestindo hakama, calçando guetas e portando espadas ou bastões. O budô antigo foi criado no período onde o budoka que sobrevivia a uma luta de vida ou morte , desenvolvia influências filosóficas, com base nas suas técnicas utilizadas e no confucionismo, taoísmo ou no zen budismo, mas ao contrário do que muitos pensam, a palavra "DO" cujo kanji os chineses lêem como "TAO", significa a verdade última, o logos, Deus, portanto é, na verdade um caminho espiritual para as pessoas viverem melhor; algo semelhante a uma religião. Atualmente, a prática do Budô permite nos relacionarmos com outras pessoas, sem atos considerados ofensivos a outra pessoa e, ao mesmo tempo, sem nos diminuir em relação a ninguém ou diminuir a nossa atenção em nenhum momento. Sem o Budô, o treino no Dojô se transformaria em uma prática descuidada, o que poderia gerar risco de acidentes. Assim, as tradições seculares do Budô presentes no Karatê são um patrimônio cultural que deve ser preservado, embora poucas pessoas, na atualidade, estejam dispostas a praticarem o Budô como se fazia antigamente. O treinamento começa e termina com Reishiki (reverêncdia), mas não significa que apenas por inclinarmos a cabeça no início e no fim das sessões isso seja Budô. É necessário que se compreenda que a educação, o respeito, a gratidão e as boas maneiras não foram simplesmente "adicionadas”, elas devem fazer parte da arte. Para alguns outros, o Budô se resume apenas no cerimonial e na etiqueta de início e final de treinamento, muitas vezes até sem compreender muito bem o que e o porquê estão fazendo isso. Alguns, quando não sabem o significado original de tudo, inventam explicações fantásticas, místicas ou filosóficas. Penso que o Budô ainda é válido, no sentido de praticarmos a calma, a serenidade, o domínio das emoções, a segurança e a coragem, porque nossa verdadeira força está nas nossas atitudes. É importante a prática do Budô, mas adaptando-o para as situações do dia a dia moderno, senão tudo se perderá no vazio sem nexo da fantasia, da mistificação e da cultura inútil.
Só é um verdadeiro guerreiro aquele que sabe triunfar sobre os obstáculos excepcionais das vontades contrárias; vencendo-as e dando prova duma vontade também excepcional. Para ser um verdadeiro guerreiro, lhe é exigido o mais alto grau de vontade, o domínio das próprias paixões e dos desejos, que são externados nas suas atitudes exteriores. Um guerreiro aprende a reprimir todos os gestos inúteis ou excessivos de alegria, de sofrimento, de espanto, de entusiasmo, ou de terror. O domínio da sua fisionomia é impassível, mesmo nas suas piores angústias. Tudo isto faz parte do seu auto-domínio, tudo isto imprime na sua figura traços austeros e dá-lhe um ar firme e inexorável que convida à obediência. Certamente, quem não poupa as suas próprias fraquezas possui autoridade para não poupar as de outrem. Quem sabe dominar-se saberá afrontar a resistência de seus subordinados. Numa palavra, o perfeito auto-domínio prepara a autoridade do guerreiro.
Quando para uma equipe tudo parece ser muito difícil, quando os desafios parecem maiores do que nós mesmos e vencer parece um sonho distante, é neste momento que vemos o valor do verdadeiro Sensei. Há que compreender-se bem o sentido e a grandeza da palavra “Sensei”. Sensei, em termos filosóficos, é aquele que chegou antes, o “nascido antes”, portanto é aquele que possui mais experiência, mas não é apenas isso; ele deve ser também aquele que sabe fazer-se obedecer e ao mesmo tempo fazer-se amar. Não é aquele que impõe; mas aquele que se impõe, para ensinar e comandar. O verdadeiro Sensei tem o poder de ver o valor de seus alunos e os incentivar a fazer o que precisa ser feito para atingirem os seus objetivos, sem que precise mandar. A sua responsabilidade é motivar cada um de seus alunos e ele sabe como acender o fogo da vontade em cada um deles. Um verdadeiro Sensei já passou por muitas dificuldades e suas habilidades foram forjadas no calor da luta. Ele não se contenta apenas em saber, ensaiar e ensinar inúmeras técnicas; ele sabe que essas técnicas têm que ser inspiradas no combate real e o que conta, no momento decisivo, não é a técnica ensinada, mas a técnica executada. Ele sabe o valor de cada um de seus alunos. Conhece seus pontos fortes e seus pontos fracos, sua experiência não veio do nada, veio da sua capacidade de vencer os desafios que sabia que podia vencer e, com isso sabe criar uma visão que inspire seus alunos. Ele traça estratégias e mostra quais são os melhores caminhos para que eles atinjam seus objetivos, porque ninguém transforma ninguém, mas ninguém se transforma sozinho. Uma equipe possui coesão quando os membros se conhecem entre si, também conhecem o seu Sensei e sabem que são conhecidos por ele. O ser humano tem necessidade de se sentir reconhecido, compreendido, estimado e apreciado, para compreender que as dificuldades previstas ou imprevistas, fazem parte do programa de ensino no Karatê e se entregue assim ao treino exaustivo. Somente quando o aluno sabe que seu Sensei conta pessoalmente com ele para qualquer esforço que precise realizar-se, será capaz de exceder a si próprio. Para um Sensei, seus alunos são mais do que pessoas que aprendem a lutar com ele, são seus amigos e ele sabe que para liderá-los, deve primeiro servi-los, amá-los, acompanhá-los e apóia-los, fazendo-os compreender que o êxito pessoal de cada um depende mais da perseverança e da tenacidade nos treinos do que do sucesso em competições. Sua exigência é grande: Cada movimento, cada golpe deve ser sempre certeiro, sem hesitar. Sua postura deve ser impecável e impenetrável, sem medo e sem arrogância, mas com a certeza de que está pronto para o combate. E, nesse aspecto, o esforço é a única fonte certa de organização contra a anarquia interior do instinto e dos desejos egoístas, que nos desviam do caminho. A personalidade e o caráter só são salvos pelo esforço, por isso o Sensei, dá o exemplo, é sempre ético para consigo mesmo. Não sozinhos, mas juntos, Sensei e aluno (deshi), para chegarem, então, nos seus objetivos.
Procurar pelo velho é compreender o novo O velho, o novo Isto é uma questão de tempo. O homem deve ter a mente tranquila em todas as coisas. Caminho: Quem o seguirá honesta e corretamente?
Existe um provérbio que diz: “Conhecendo o adversário e conhecendo-se a si próprio, pode-se lutar cem vezes e não haverá perigo. Não conhecer o adversário, porém conhecendo-se a si mesmo, às vezes pode-se ganhar ou perder. Mas, quando não se conhece o adversário e nem a si próprio, nunca se conseguirá vencer”. É necessário admitir corajosamente a sua falha, que poderá ser a causa de sua derrota. Não exceder a sua capacidade e nem se rebaixar. O excesso de orgulho e outras falhas acontecem devido à falta de visão realista coragem e cultura. É preciso conhecer o seu eu fraco e o seu eu forte para adquirir a vitória.
Espírito Real é conseguir ver, analisar e agir de modo correto através do seu estado normal e que não fica preso a qualquer coisa. O espírito falso, ao contrário, é preso a um pensamento isolado. Se seu espírito real se concentra apenas num lugar, torna-se sólido e se transforma em espírito falso. Deste modo não poderá reagir naturalmente contra diversos tipos de problemas que surgem ao seu redor. A água e o gelo são semelhantes, mas não são iguais. Com o gêlo não se pode lavar, somente derretendo-o e permitindo-se que a água escoe livremente em todas as direções, torna-se assim utilizável. Com a mente acontece o mesmo. Não se deixe prender, porque a mente ficando sólida, perde a flexibilidade e não poderá ser utilizada. Derretendo-a e permitindo que ela escoe por todo o seu corpo, onde quer que seja, fluindo em todo lugar livremente, assim poderá se dizer que é o espírito real. Quando a mente fica presa em uma flor, esquecendo-se do tronco, das raízes e folhas, perde-se a visão do conjunto. O homem, às vezes refletindo sobre seus atos, logo percebe que estava nervoso e descontrolado por assuntos tão banais, porque a sua mente estava presa e sólida.
Informo a todos alunos e interessados no Karatê que as aulas, a partir do mês de abril, acontecerão no Centro de Treinamentos Sul Grilo`s, na Rua Barão do Triunfo, 975, das 20:30h às 21:30h, de segunda a sexta-feira, em Sta Maria-RS.
Um abraço.
Prof. Estivales - 4º Dan FGK-CBK Presidente da Associação Centro Sul de Karatê Oficial
O Kasato Maru, navio que trouxe os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil, chega ao porto de Santos (SP) em 1908 (Foto: Ministério das Relações Exteriores).
Há cem anos os primeiros imigrantes vindos do Japão chegaram ao nosso país
Em 2008, os japoneses que vivem no Brasil – assim como seus filhos, netos, bisnetos e outros descendentes – têm um grande motivo para comemorar. No dia 18 de junho, faz cem anos que pessoas nascidas no Japão começaram a vir para o nosso país em busca de uma vida melhor. Ou seja, começaram a imigrar para o Brasil, algo que marcou para sempre a nossa história e a nossa cultura.
A trajetória japonesa em terras brasileiras começou em 1908, quando o navio Kasato Maru atracou no porto de Santos, a 83 quilômetros da capital paulista. Foram 165 famílias japonesas que saíram da cidade de Kobe, no Japão, e tiveram a chance de começar uma nova vida em terras tropicais.
Naquela época no Japão, as máquinas agrícolas estavam substituindo os trabalhadores no campo e, com isso, os altos índices de desemprego assustavam o governo e os japoneses. Além disso, o mundo já estava se preparando para a Primeira Guerra Mundial, que eclodiu em 1918. A solução proposta para o problema ganhou, então, a forma de imensos cartazes, que mostravam as grandes oportunidades de trabalho no Brasil.
Por isso, quando os primeiros 781 japoneses chegaram, foram logo trabalhar nas plantações do oeste paulista, hoje representado por cidades como Presidente Prudente, Bauru e São José do Rio Preto. Lá, os cultivos de café e algodão exigiam muita mão-de-obra.
O interessante é que, cem anos depois da chegada dos primeiros japoneses, muita gente vem tentando recontar a história dos imigrantes vindos do Japão, seja em páginas na internet, seja em museus, livros ou revistas.
Uma dessas pessoas é Kiniti Kitayama, um professor da Universidade de Brasília que estuda insetos e animais em geral. Seus pais chegaram ao Brasil dez anos depois do Kasato Maru e, para registrar essa importante etapa da vida dos japoneses, Kiniti decidiu pesquisar sobre a história dos primeiros imigrantes. Para isso, ele escolheu a colônia de Primeira Aliança, um pequeno distrito da cidade paulista de Mirandópolis, fundada por japoneses no início de 1920.
O professor Kiniti conta que, junto com as fazendas e casas de madeira, os japoneses ergueram igrejas, lojas, uma farmácia, uma casa de saúde e quatro escolas. “Eles consideravam a educação fundamental. Mesmo tendo que percorrer descalças distâncias de até seis quilômetros das vilas para as escolas, lá estavam as crianças prontas para as aulas, tanto na chuva como no sol”, conta ele.
Esses jovens estudiosos – bem como todos os filhos de imigrantes vindos do Japão – ficaram conhecidos como nisseis, pois representavam a segunda geração de japoneses no Brasil. “Eles se tornaram cientistas ou se formaram em medicina, engenharia e administração, porque levaram a sério os estudos”, completa Kiniti.
Os japoneses também enfrentaram dificuldades relacionadas às diferenças de cultura, clima e, principalmente, idioma. Quando batia a saudade de casa, eles preparavam seus alimentos favoritos, como arroz, soja, peixe, morangos e até cobras! Para se divertirem, praticavam esportes como caratê, beisebol e montavam dobraduras divertidas como os origamis.
Com o tempo, japoneses e brasileiros promoveram uma grande integração cultural, passando os costumes de geração para geração e adaptando-os à vida no Brasil. Não é por acaso que hoje nós vemos o Japão por todos os lados: na culinária, na decoração, na moda e até mesmo nos desenhos animados!
Em São Paulo, para onde foram 80 de cada 100 imigrantes que chegaram ao Brasil, a festa pelos cem anos da chegada do navio Kasato Maru será maior. Mas estados como Paraná, Mato Grosso e Pará também celebrarão o centenário. Mais de 1,3 milhões de imigrantes e descendentes irão comemorar e você também não pode perder essa comemoração. Afinal, essa é uma boa oportunidade para conhecer melhor as tradições e os costumes de quem veio da terra do sol nascente.
Juliana Marques Ciência Hoje das Crianças 18/03/2008 Fonte: CIÊNCIA HOJE
MESMO QUANDO SABEM DEFESA PESSOAL, AS MULHERES devem estar sempre atentas.
A pessoa que elaborou o conteúdo deste e-mail é diretor de uma empresa de segurança no RJ
1. Se um dia você for jogada dentro do porta-malas de um carro, chute os faróis traseiros até que eles saiam para fora.
Estique seu braço pelos buracos e comece a gesticular feito doida.
O motorista não verá você, mas todo mundo verá.Isto já salvou muitas vidas.
2. Os três motivos pelos quais as mulheres são alvos fáceis para atos de violência são:
A. Falta de estar consciente:
Você TEM que estar consciente de onde você está, e do que está acontecendo em volta de você.
B. Linguagem do corpo:
Mantenha sua cabeça erguida, balance seus braços, e permaneça em posição ereta.
C. Lugar errado, hora errada:
NÃO ande sozinha em ruas estreitas, nem dirija em bairros mal-afamados à noite.
As mulheres têm a tendência de entrar em seus carros depois de fazerem compras, refeições, ou depois do trabalho, e sentarem-se no carro (fazendo anotações em seus talões de cheques, ou escrevendo alguma lista etc.) NÃO FAÇA ISSO!
O bandido estará observando você, e essa é a oportunidade perfeita para ele entrar pelo lado do passageiro, colocar uma arma na sua cabeça, e dizera você onde ir.
No momento em que você entrar em seu carro, tranque asportas e vá embora.
3. Algumas dicas acerca de entrar em seu carro num estacionamento, ou numa garagem de estacionamento:
Esteja consciente:
A. Olhe ao redor, olhe dentro de seu carro, olhe no chão dianteiro e traseiro de seu carro, olhe no chão do lado dopassageiro, e no banco de trás.
B. Se ao lado da porta do motorista do seu carro, estiver estacionada uma van grande, entre em seu carro pela porta do passageiro. A maioria dos assassinos que matam em seqüência atacam suas vítimas empurrando-as ou puxando-as para dentro das vans deles na hora em que as mulheres estão tentando entrar em seus carros.
C. NUNCA deixe para procurar as chaves do seu carro, quando estiver parada em frente a porta do mesmo. Diriga-se ao veículo já com a chave em punho, pronta para abrir a porta e dar a partida.
É SEMPRE MELHOR ESTAR A SALVO DO QUE ESTAR ARREPENDIDA
4. Use SEMPRE o elevador em vez das escadas. (Escadarias são lugares horríveis para se estar só, são o local perfeito para o crime).
5. Se o bandido estiver armado e você não estiver sob controle dele SEMPRE CORRA!
O bandido só acertará um alvo móvel 4 vezes em 100 tentativas e, mesmo assim, muito provavelmente NÃO acertará um órgão vital. PORTANTO CORRA!
6. As mulheres, estão sempre procurando ser condescendentes (prestativas): PARE COM ISSO!Essa característica poderá resultar em que você seja assassinada!
Ted Bundy, o assassino seqüencial, era um homem de boa aparência,tinha boa formação acadêmica, e SEMPRE explorava a simpatia e o espírito conciliador e condescendente das mulheres.
Ele andava com uma bengala ou mancava, e conseqüentemente pedia 'ajuda' e era então que ele raptava sua próxima vítima.
A humildade está dentro de nós e é tão humilde que não precisa ser demonstrada. A humildade é uma atitude dos vencedores de si mesmos, porque quem a possui faz o que precisa ser feito, sem querer que o seu ato seja reconhecido. Quem é humilde assume o seu lugar sem relegá-lo a outra pessoa e faz isso com absoluta naturalidade, sem se preocupar com o que os outros acharão de sua atitude. A falsa modéstia é a humildade de um hipócrita que pede perdão por seus próprios méritos. Ir para o meio dos medíocres para demonstrar que é humilde, não é a verdadeira humildade, uma vez que nesse mesmo ato se contradiz por “ter orgulho de ser humilde”. Humildade é se encontrar no lugar que lhe é determinado e assumir a responsabilidade que a vida lhe impôs sem medo de parecer incompetente para o cargo que lhe é determinado ou sem exigir aprovação, porque ela brota da coragem de assumir aquilo que somos. Ser humilde é fazer o melhor que lhe for possível e aceitar a justa retribuição sem esperar nada melhor do que isso. Ser humilde é ser indiferente aos elogios e reflexivo nas críticas. Quem tem medo do julgamento e da comparação, normalmente não possui humildade porque tem uma auto-estima alta demais tornando-nos arrogantes. Humildade é ter a consciência tranqüila de ter feito o melhor possível. Ser humilde é repelir naturalmente o que não lhe serve sem nenhum tipo de sentimento emotivo, e aceitar o que lhe é devido sem nenhum tipo de ganância.
Esse texto foi publicado originariamente na revista Oriente número 2, já há vários anos. De lá para cá, infelizmente, pouca coisa mudou e os enganos persistem. Resolvi, então, rever e ampliar aquele texto e publicá-lo novamente, dessa vez na Internet. Espero que apreciem. Nesses anos de estudos em Filosofia Oriental e Artes Marciais, já me deparei com uma série enorme de idéias errôneas ou mal-concebidas a respeito destes assuntos. Às vezes é uma pessoa que não sabe bem o que está falando por ter um entendimento superficial do assunto e outras é por ter sido mal-informada em livros, cursos ou pelo seu próprio professor. Uma das coisas que mais me aborrece é quando encontro alguém que não sabe a diferença entre religião e filosofia. Este tipo de pessoa acha que artes marciais é algum tipo de culto oriental (satânico, claro), ou que busca uma certa "Iluminação", que todos falam mas ninguém sabe exatamente o que seja. Vamos dar nomes aos bois.
UMA MÁ NOTÍCIA A notícia ruim é que se você procurou a arte marcial para atingir algum tipo de "Iluminação" ou "chegar a Deus", embarcou numa canoa furada. O objetivo do Caminho Marcial não é este, em absoluto. Nas artes marciais buscamos um aprimoramento do corpo e da mente para, aí sim, buscar alguma coisa mais. Claro que isso não deixa de ser uma coisa muito boa. Mas não se deve confundir o meio com os fins. As artes marciais são uma das melhores ferramentas que existem para qualquer tipo de busca espiritual, pois aperfeiçoam os sentidos e aguçam a sensibilidade do praticante
UMA BOA NOTÍCIA Você pode praticar artes marciais e estudar filosofia e cultura oriental independente da sua religião, qualquer que ela seja. Sem conflitos nem querelas. Muitas pessoas deixam de enriquecer suas vidas com a filosofia das artes marciais por acreditarem que isso se chocará com suas crenças religiosas. De modo algum. Para isso devemos saber o que é religião e o que é filosofia.
RELIGIÃO Embora muitos afirmem que a palavra religião vem do latim religare, que significaria religar a pessoa com Deus, o dicionário Caldas Aulete nos dá a raiz relígio como a precursora de religião. Segundo o dicionário latino-português de Geraldo de Ulhoa Cintra e José Cretela Jr., Cícero usava este termo para significar culto, cerimônias religiosas, escrúpulo de consciência ou ainda profanação (ausência de relígio). Justinus a usava com o sentido de superstição e o poeta Virgílio, como o medo que infunde as coisas religiosas. Como vemos, nenhuma alusão à juntar ou unir. Minha concepção de religião é aproximadamente a mesma do dicionário da língua portuguesa já citado. Para mim, religião é um conjunto de crenças, dogmas e cerimônias que são utilizadas para se tentar alcançar um Ente Superior ou Divindade. Gostaria de acrescentar que religião é uma coisa muito pessoal, onde cada ser humano possui a sua própria. Duvida? O que acha da pessoa que de manhã vai a um centro espírita fazer estudos e tomar passes e à noite vai à missa na igreja Católica? Esse tipo de sincretismo é característico do povo brasileiro, mas não apenas dele. Se perguntar a um chinês qual a sua religião, ele ficará confuso. Dificilmente uma pessoa possui uma única crença, mas sim uma mistura sutil de várias delas, embora normalmente ninguém confesse uma coisa destas, optando por uma colocação mais fácil: "sou católico" (mas a última vez que comunguei foi na Páscoa de 1972…)
FILOSOFIA Filosofia é uma palavra grega que significa "amigo da sabedoria" (philos= amigo, sophia= sabedoria). Para os gregos, o filósofo era alguém que pesquisava o porquê das coisas, estabelecendo leis que explicavam os acontecimentos da Natureza e do Homem. No mesmo dicionário aparece como definição de filósofo: "o que ama a sabedoria; .....; o que se dedica ao estudo e investigação dos princípios e causas gerais e suas relações com os efeitos; o que segue unicamente os ditames da razão e se não deixa levar pelos sentimentos; o que procede sempre com sabedoria e refletidamente". Ora, os primeiros cientistas ocidentais foram os filósofos gregos! Então podemos colocar, sem problemas, que a filosofia é uma coisa LÓGICA, que pode ser estudada e pesquisada, sem que se necessite de uma crença ou fé. É algo que pode ser discutido com outras pessoas e se utilizar de argumentos sólidos para as colocações. Muitas vezes não encontramos as palavras necessárias, principalmente em se tratando de filosofias orientais, mas é apenas porque as colocações muitas vezes não fazem parte de nossa cultura ou as pessoas que discutem não possuem a mesma experiência. Nossos conceitos são formados com base em nossas experiências, sejam físicas ou intelectuais.
RELIGIÃO E FILOSOFIA Pelo que acabei de mostrar, nem toda filosofia é necessariamente uma religião, mas toda religião tem uma filosofia predominante, um conjunto de regras e leis que determinam o funcionamento do Universo. Quando se estuda filosofia oriental se estuda o conjunto de conceitos e leis de determinadas linhas de pensamento formuladas ao longo dos séculos. E isto nada tem a ver com religião! Por exemplo, se você estudar a filosofia budista achará as Quatro Nobres Verdades e o Óctuplo Caminho, que são como normas de conduta para que você possa viver melhor. Você não acendeu nenhum incenso até agora, não é? Acontece que, devido às divergências de opinião que existem em qualquer ser humano, as pessoas passaram a usar este conhecimento de maneiras diversas. Assim apareceram as duas grandes correntes budistas: o Grande Caminho e o Pequeno Caminho. Já no Tibete surgiu o Budismo Tibetano ou Lamaismo, que se subdividiu em Chapéus Vermelhos e Chapéus Amarelos, principalmente. E na China temos o Budismo Ch'an, que se tornou o Zen Budismo japonês. E, com o acréscimo de rituais, sacerdotes e lendas, o budismo virou religião! Mas todos seguem a mesma idéia principal: os ensinamentos de Gautama, o Buda. A sua
FILOSOFIA.
É o mesmo com os Cristãos: todas as correntes cristãs dizem seguir os ensinamentos de Cristo, sua FILOSOFIA, mas existem muitas religiões diferentes: os Católicos Apostólicos Romanos, os Pentecostais, os Luteranos, os Evangélicos, etc.. E dentro destes existem muitos outros ramos, cada qual com seus ritos, crenças e interpretações. Nada impede que um oriental estude a filosofia cristã, sem entrar em seus aspectos religiosos. Por que não se poderia estudar a filosofia oriental sem entrar em religião? Conheci um rapaz na faculdade que praticava Kung Fu Shaolin. Conversando uma vez num barzinho próximo ao campus, com ele e outros colegas praticantes, tocamos no assunto "filosofia oriental". Nunca vou esquecer a sua reação. Começou a falar que nunca havia estudado isso e nem pretendia, que achava um absurdo estudarem esse tipo de coisa, etc... Interpelado por nós sobre o porquê dessa opinião tão radical, ele disse em altos brados que era Católico e que a filosofia oriental se chocava com o cristianismo e que a verdade era: se não assistíssemos a missa aos domingos, iríamos para o inferno. E deu um soco na mesa que daria para matar um rinoceronte! Se esse rapaz estudasse um pouco mais a FILOSOFIA CRISTÃ, talvez se controlasse melhor e tivesse uma mente mais aberta.
AFINAL... Depois do que foi dito, você já deve ter uma outra opinião sobre o estudo da filosofia oriental. Na verdade, todas as artes marciais e culturas orientais estão profundamente embebidas nessas filosofias. Você pode perfeitamente praticar uma arte marcial e estudar a sua filosofia de origem sem qualquer tipo de comprometimento religioso. Na verdade, você vai encontrar diversos paralelos entre estes ensinamentos e os de sua religião, não importa qual seja. Agora, se você realmente quer distância da cultura oriental, então pratique outra modalidade, como a luta Greco-Romana, Boxe, Esgrima, Arquearia, Dardo (era uma arma grega, sabia?), ou outra modalidade marcial ocidental, pois não se pode praticar uma arte marcial do Oriente ignorando a cultura oriental. Mas nunca se esqueça: para ser um "amigo da sabedoria", deve-se ter a mente sempre aberta.
Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Escritor. Estuda cultura e filosofia oriental desde 1977, tendo mais de 200 artigos publicados. Como Taoísta, estuda e divulga essa filosofia e suas artes em artigos e cursos para que todas as pessoas possam usufruir de seus benefícios.www.taoismo.orgwww.longevidade.net
Este é um Makiwara portátil que inventei, para quem não tem possibilidade de fazer um makiwara tradicional cravado ao chão. É possível pendurá-lo no lugar e na altura que se deseja, preso apenas a um prego ou parafuso na parede.
Muitos detalhes estão presentes num combate real, dos quais seis são principais: 1- METSUKE.. 2- MA AI. 3- KAMAE. 4- MA 5- TSUKURI. 6- ZANSHIN.
1 – METSUKE (Olhar) Em condições normais, defronte ao adversário, deve-se ficar o olhar num dos olhos do oponente para enxergar desde o topo da cabeça até a ponta dos pés perfeitamente. Nos treinos normais, deve-se sempre manter o corpo em perfeito equilíbrio e exercitar o olhar sempre, evitando “passear” com o olhar pelo corpo do oponente.
2 – MA AI (Distância) Diz-se MA AI sobre a distância que o separa do oponente. Normalmente avançando meio passo, se encontrará em condições de desferir um golpe. É considerando-se isso, existem a distância curta e a distância longa.
3 – KAMAE (Posição de guarda) Existem vários KAMAES no Karatê, cada um com suas próprias qualidades e aplicáveis em determinadas situações. Estude todos os KAMAES e suas aplicações cuidadosamente, sejam em KATAS ou combinados.
4 – MA (Timing momento de ação) Capacidade de ação e reação no momento e tempo exatos, tanto para ataque ou defesa. Executar qualquer ato fora deste espaço de tempo será executar trabalho desnecessário.
5 – TSUKURI (Técnica de atrair o adversário – armadilha) Estratégia criada com a utilização das técnicas citadas anteriormente como: KAMAE, MA AI, MA, criando situações para enganar o adversário de forma a que se possa tirar vantagem do mesmo.
6 ZANSHIN (Espírito aberto) Condição ou capacidade de manter o espírito atento após o ataque ou defesa, deixando de criar com isso, para o adversário, alguma chance de ação ou reação. Koji Takamatsu
Kimi ga yo (Hino do Japão) Kimi ga yo wa (Possa o reinado do meu senhor,) Chiyo ni (Prosseguir durante uma geração,) Yachiyo ni (Uma eternidade,) Sazare ishi no, (Até que seixos) Iwao to narite, (Surjam das rochas,) Koke no musu made. Cobertas de musgo verde claro
Sohei - Os guerreiros de Buda Combatentes disciplinados, os sohei eram monges que, como verdadeiros samurais, por séculos representaram a força religiosa do Zen-Budismo.
Os sohei, tinham a tradição de se envolverem em guerras que não necessariamente diziam respeito a eles. Muitos monastérios também tinham uma tradição de produzir bravos e fanáticos guerreiros, homens certos de que a morte no campo de batalha não significava derrota, desgraça e falha, mas um lugar perto do paraíso.
A tropa de monges guerreiros era uma poderosa força de luta, motivada por devoção religiosa. Também usavam um "templo portátil" no lugar de uma bandeira de batalha como estandarte. A presença deste templo tornava as outras tropas relutantes a atacá-los, por causa do sacrilégio em potencial. No entanto, inimigos estrangeiros não sofriam qualquer penalidade por atacar monges guerreiros.
Os Samurais normalmente possuíam armadura, o que os tornava um pouco menos móveis. Porém monges guerreiros não utilizavam armadura alguma, eram ágeis o suficiente para se esquivarem de flechas e ataques e desferir ataques poderosos. Veja mais: http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.jishin.lemacsi.com.br/imagens/sohei.jpg&imgrefurl=http://www.jishin.lemacsi.com.br/sohei.html&h=494&w=296&sz=52&hl=pt-BR&start=43&tbnid=faY_y_RYXVPqZM:&tbnh=130&tbnw=78&prev=/images%3Fq%3DCASTA%2BGUERREIRA%26start%3D40%26gbv%3D2%26ndsp%3D20%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN
SHOTOKAN: O fundador do estilo foi o Mestre Gichin Funakoshi (1868-1957) MITSUSUKI HARADA – chegou ao Brasil no ano de 1955, para trabalhar no Banco América do Sul, agência em São Paulo, e portava o 5º Dan outorgado diretamente pelo Criador do Estilo Shotokan Gichin Funakoshi. Nasceu na Manchúria em 1928, em 1948 entrou na Universidade Waseda. JUICHI SAGARA – chegou ao Brasil no ano de 1957. Nasceu em Kanagawa/Japão no ano de 1934. Cursou a Universidade de Takudai, onde iniciou a prática do Karatê Shotokan. No Brasil, juntamente com Yassutaka Tanaka, Sadamu Uriu, e Tetsuma Higashino, todos colegas da Takudai, iniciaram na Vila Prudente em São Paulo de forma organizada o ensinamento da prática do Karatê. EISUKE OISHI – em 1961 mudou-se para a Bahia o japonês Eisuki Oishi, 19 anos, que tinha conhecimento do Karatê, mesmo não sendo faixa preta, foi quem iniciou Denílson Caribe na prática do Karatê, sendo considerado o precursor do Karatê no estado da Bahia.
GOJURYU: O fundador do estilo foi o Mestre Chojun Miyagi (1888-1953) SEIICHI (Shihan) AKAMINE – chegou ao Brasil no ano de 1958 a convite da Okinawa Riukai para difundir o Karatê, portando a graduação de 8º Dan. Nasceu na cidade de Naha/Okinawa em 1920.
WADORYU: O fundador do estilo foi o Mestre Hironori Otsuka (1892/1982). KOJI TAKAMATSU – chegou ao Brasil no ano de 1956. Nasceu na cidade de Kakogawa/Japão em 1930. Cursou a Universidade de Agricultura de Tóquio. TAKEO SUZUKI – chegou ao Brasil no ano de 1960 onde permaneceu até 1973. Nasceu na cidade de Tóquio/Japão em 1937, onde cursou a Universidade de Agricultura.
MICHIZO BUYO – chegou ao Brasil no ano de 1964. Nasceu na cidade de Okayama/Japão em 1940. Formado pela Universidade de Agricultura de Tóquio.
SHORIN-RYU: O fundador do estilo foi o Mestre Choshin Chibana (1892/1969). YOSHIHIDE SHINZATO – chegou ao Brasil em 1954. Nasceu na ilha de Okinawa/Japão em 1927. Em 25 de Janeiro de 1954 realizou uma demonstração de Karatê no parque do Ibirapuera em comemoração ao 4º Centenário da cidade de São Paulo.
Mestre Shinzato faleceu em 13 de janeiro de 2008.
KENYURYU:AKYO YOKOYAMA – chegou ao Brasil no ano 1965. Nasceu na cidade de Tóquio/Japão em 1942. Formado em ciências contábeis e administração.
(Fonte: Confederação Brasileira de Karatê)
SISTEMAS DE KARATÊ:
SHOREI RYU: Enfatiza fundamentalmente o desenvolvimento da força física e do poder muscular e seu poderio é impressionante. Foi desenvolvido na cidade de Naha e foi praticado também em Tomari.
SHORIN RYU:
É muito ligeiro e veloz, com rápidos movimentos para frente e para trás que podem ser comparado ao vivo vôo do falcão. Desenvolveu-se na cidade de Shuri e foi também praticado em Tomari.
O que deve ser um aspirante a faixa preta de Karatê? O que deve ser observado nele? O que ele tem que mostrar para merecer ser shodan?
Embora essa pergunta devesse ser respondida por quem formula o que é exigido nesses exames, vou deter-me à alguns aspectos que julgo relevantes sem referir-me aos filosóficos.
No aspecto teórico e técnico (que já foram colocados neste blog sob o título de "O que é analisado e avaliado nos Exames de Graduação (recomendações)"), os examinadores devem ter uma consciência nítida daquilo que acham que deve ser demonstrado pelos aspirantes a uma graduação.
Todos somos como espelhos, não conseguimos refletir a nós mesmos, por isso que é necessário que alguém nos avalie.
Antigamente não havia exames em Federações, quem avaliava era o próprio professor de cada um, coisa que julgo mais justa.
Por isso penso que, sempre que um professor autoriza um aluno para realizar exame para faixa preta, no seu entender esse aluno já possui essa graduação, porque não acho que um professor consciente iria jogar seu aluno “aos lobos” sem que tivesse capacidade.
Analisando friamente: O que é avaliação? É classificar e definir o destino dos atletas de acordo com as normas tradicionais. É uma função seletiva, uma função de exclusão dos que costumamos rotular de “menos capazes”.
O importante para um examinador é ter uma definição clara do que um SHODAN, NIDAN, SANDAN, etc. precisa saber e conseguir executar com a qualidade esperada para que seja aprovado a essa graduação.
Existem as técnicas obrigatórias em cada estilo, que todos os atletas devem conseguir executar com exatidão, para que sejam considerados aptos para a nova graduação. Mas avaliando os aspectos do Kihon, Kata ou Kumite, será que aquilo que ele soube e conseguiu executar com mais perfeição é mais importante do que aquilo que ele não conseguiu executar com exatidão?
Quando eu avalio, o valor de cada técnica está em minha mente, assim o que procuro são erros de postura, de execução, dentre outros, para deduzir de um valor padrão inicial que tenho em minha mente. Quando um atleta acrescenta “algo mais” do que é esperado, pode obter créditos extras e quando sua apresentação é inferior ao que eu esperava esses créditos são deduzidos.
Para mim, cada técnica tem um valor inicial, mesmo que isso seja abstrato. Isto quer dizer que se o atleta não acrescentar nada a mais, sua apresentação poderá obter no máximo a nota padrão, mesmo que os movimentos sejam executados perfeitamente. Acho que alguém que se aproxima da faixa preta, deve ter não apenas uma preocupação consigo mesmo, mas uma preocupação com todos os alunos do Dojô, procurando auxiliar o seu Sensei.
É nessa fase que deve-se buscar o desenvolvimento da força explosiva, o refinamento e compreensão das técnicas. Cada qual tem que buscar treinar a si próprio. Deve-se buscar uma auto-avaliação dos conhecimentos adquiridos em cada graduação anterior e compreender que as explicações de tudo estão em si mesmo.
O Sensei externo só oferece sugestões que despertam o mestre interno e o põe em situação de compreender as coisas. O aluno deve buscar a emancipação, a serenidade e a sedimentação de tudo o que aprendeu, agora com reais responsabilidades, porque ele será visto como alguém com possibilidades de auxiliar na condução do Karatê, como atleta, árbitro ou técnico...
Mas o que espero de um aspirante a uma graduação? Espero é que ele seja aprovado, para que seu Sensei também não seja reprovado juntamente com ele.
Desde pequeno eu treinava Karatê apaixonadamente, tinha várias medalhas de competições, já estava na faixa marrom e sonhava ser um faixa preta.
Estava com 18 anos de idade e então achei que havia chegado a hora. Eu queria fazer meu exame para faixa preta e então resolvi pedir permissão ao meu Sensei para realizar exame para Shodan. Meio relutante, porque talvez me achasse um tanto imaturo, diante da minha animada insistência, ele concedeu-me permissão.
Então me apresentei diante da Banca Examinadora da Federação.
Aquele exame, para mim, se revestia da maior importância na vida e era como se ela mesma estivesse em jogo naquele momento.
O Exame começou e coloquei toda minha e energia em cada movimento, mas talvez devido ao meu nervosismo e ansiedade, acabei exagerando em diversos movimentos do Kihon e do Kata e machucando um companheiro no Kumite. De volta para casa, ainda incrédulo e esbravejando pela reprovação tomei a decisão de abandonar o Karatê. Eu havia apresentado o melhor de mim. Tinha empregado o meu Kime mais forte e estava com remorso de não haver correspondido à confiança que meu Sensei depositara em mim. Doze anos mais tarde, já sendo pai de um garotinho de 7 anos, que também coloquei no Karatê, reconheci no exame do meu filho, o Sensei que foi o presidente daquela Banca Examinadora que me havia reprovado.
Após o primeiro exame de faixa do meu filho, que foi aprovado, aproximei-me daquele Sensei e lhe falei o que acontecera comigo e com meu Karatê, anos atrás, por ter sido reprovado e não ter conseguido aceitar isso.
"Acho que aquilo foi uma injustiça! Eu dedicava toda minha vida ao Karatê nunca havia sido reprovado, era um excelente atleta, diversas vezes campeão! Todos diziam que eu tinha capacidade. Meu professor confiou em mim! Fiz um exame excelente com muito Kime... Eu hoje poderia ser um faixa preta se não fosse a rigidez com que os senhores daquela Banca me avaliaram!
Com calma e compreensão o velho Sensei me respondeu: "Perdoe-me, mas você nunca será um faixa preta de verdade, enquanto não for capaz de suportar um não da opinião de algumas pessoas e abandonar a luta na primeira derrota, sem persistir no seu objetivo."
...Na semana seguinte comprei um Karategi novo e estava colocado na última fila do Dojô, junto com meu filho.
Pesquisas científicas estão comprovando aquilo que os iogues e monges já sabiam há milênios – a meditação é muito mais do que uma simples técnica de relaxamento; a prática regular da meditação altera as estruturas neuronais do cérebro, estimulando as emoções sentimentos positivos e incrementando as capacidades da mente.
Existem diversas linhas de meditação. O hinduísmo e o budismo têm vários tipos de prática. E há ainda as meditações judaica, cristã e islâmica, além daquelas praticadas pelos povos tradicionais. Tendo em mente que meditar é a única maneira de compreender o que significa meditação, mostramos a seguir algumas considerações sobre o tema:
“Todas as tradições religiosas do Oriente e do Ocidente, dos monoteístas, dos politeístas e dos animistas tiveram e têm uma expressão meditativa no sentido de cultivar uma mente mais pacificada e um coração apaziguado.” (Vivi Tuppy)
“A meditação cria uma instância mental que permite tomar consciência dos pensamentos e emoções antes de agir. Com isto, posso dar a eles o devido valor, descartando (na medida do possível) conscientemente aqueles que possam causar sofrimento ao outro e a mim próprio.” (Georg Tuppy, cardiologista)
“Dentro de suas orações havia toda a eternidade; e nas horas de meditação o tempo fluía e refluía, avançava ou recuava mil anos ou então se sumia de tudo no espaço ilimitado de seu espírito, que de repente ficava esvaziado do seu conteúdo de tempo, bem como uma lagoa cuja água se drenasse por completo.” (Érico Veríssimo. O Tempo e o Vento)
“Meditação, para efeitos de um modelo biológico, é exercício de concentração e simultânea inibição de estímulos irrelevantes.” (João Radvany)
“A meditação me possibilita estar presente neste instante eterno.” (Monja Coen)
“É a arte de se abrir a cada momento com consciência calma.” (Victor N. Davich, em O Melhor Guia para a Meditação)
“Se a água barrenta ficar quieta por muito tempo, o barro se depositará no fundo e a água se tornará clara. Na meditação, quando o barro de seus pensamentos inquietos começa a depositar-se, o poder de Deus começa a refletir-se nas águas claras de sua consciência.” (Paramahansa Yogananda, 1893-1952) (Planeta – Junho 2006)
Desde que você começou no Karatê, deve ter observado que uma das principais exigências a um praticante é o cumprimento da disciplina no Dojô. Nesse sentido, quando o aluno chega atrasado é orientado a fazer a reverência ao Dojô e aguardar à beira do koto que o sensei o autorize a ingressar no treinamento e, somente então, deverá cumprimentar (fazer reverência) ao seu sensei e aos seus colegas e ingressar na turma. Porém, mesmo sendo mais graduado, deverá nesta ocasião, dar preferência na aula para os alunos que chegaram no horário correto, independente de suas graduações, posto que a paciência e a humildade são virtudes que devem ser desenvolvidas pelos praticantes de Karatê. Quando o exercício é em duplas, ele deverá dar preferência para os que chegaram no horário, se faltar alguém sem dupla o aluno sem parceiro será sempre ele e caso falte material de trabalho, a preferência será para os alunos que chegaram no horário. A hierarquia, sendo uma das principais características do Karatê, deve ser respeitada com disciplina, sem rancor, sentimento de inferioridade ou ressentimento. Devemos lembrar que todo atleta graduado, um dia já foi menos graduado. Isto faz parte dos ensinamentos em busca da humildade, este é o grande segredo que está por trás de toda a disciplina e respeito. Aquele que não tem humildade e disciplina não vai muito longe e em seguida ficará isolado até mesmo dos seus pares e colegas. O Espírito deve sempre sobrepor-se à Técnica A Técnica deve sempre sobrepor-se ao Corpo Ki>Waza>Tai A prática do Karatê-Do, é hoje compreendida em todo o mundo, como uma disciplina psicofísica e cultural. Muito mais que uma arte marcial, é uma arte de movimento e respiração, criada com o objetivo de adquirir coragem, cortesia, integridade, humildade e autocontrole, e aqui reside a sua essência, para além de outros fatores de caráter atlético, como aperfeiçoamento físico-mental dos seus praticantes, através de uma prática salutar. Aspectos que vão desde o treino físico do sistema muscular, flexibilidade, sistema respiratório, coordenação motora, equilíbrio, etc. até ao treino mental de aperfeiçoamento da personalidade.
Logo após a restauração de Meiji, um homem chamado Motobu Tinki, demonstrando seu poderio no Karatê consegue deixar o Japão assombrado. Um lutador russo de quase dois metros de altura estava no Japão desafiando todos os melhores lutadores locais. Motobu Tinki sempre foi muito rebelde, esperto e desobediente, seu pai era um grande lutador e professor de Karatê, mas como uma forma de castigo, decidiu não ensinar-lhe a luta. Observando os treinamentos do pai, através das frestas do Dojô, Motobu Tinki aperfeiçoou-se somente em um Kata, o Naifantin (conhecido como Tekki pelos japoneses), treinando sozinho ao ar livre, Motobu tornou-se um expert na luta. Quando a família de Motobu soube do desafio russo, partiu imediatamente para o Japão com três lutadores. Motobu estava com 43 anos e iria servir de cobaia na primeira luta, mas ele já sabia até qual o golpe iria usar para eliminar seu adversário. Nesta época os japoneses ainda não acreditavam muito no poder do Karatê e haviam reunido os melhores lutadores do Japão mestres de Aikijujitsu, Jiu Jitsu, Sumo, etc. O russo iria lutar primeiro com Motobu. A luta começou e o russo tentou acertá-lo, mas Motobu conseguiu escapar e o acertou com um Tzuki no plexo. Após outro Tzuki no mesmo local, o russo começou a tossir e cuspir sangue e caiu estirado no chão. A equipe russa revistou Motobu desconfiando de alguma arma escondida, mas ele estava de mãos vazias. A multidão aclamava Motobu, o desafiante russo morreu a bordo de um navio três dias após o combate. A partir deste combate o povo japonês começou a demonstrar interesse pelo Karatê de Okinawa e mestre Gichin Funakoshi, então pouco conhecido, logo após esse combate foi ao Japão e difundiu lá o Karatê, uma arte que trabalha o corpo e o espírito do homem. (O verdadeiro caminho do Karatê)
Os primeiros meses, na faixa branca serão de adaptação, você sentirá alguma dificuldade em executar alguns dos movimentos e posturas. Isso é normal em todos os iniciantes, porém tenha confiança em si mesmo, logo você sentirá grandes transformações em sua disposição geral, se insistir e for persistente.
Praticando com seriedade e procurando entender o verdadeiro espírito do Karatê, você aprenderá técnicas eficazes, testadas por milhares de pessoas em situações reais e conhecerá uma filosofia que influenciará positivamente a sua saúde e seu modo de pensar, que irá desenvolver sua persistência e a sua tenacidade.
Passará por situações em que enfrentará provas e testará sua coragem. Algumas vezes terá que superar a dor física e, às vezes, a dor moral e com isso aprenderá o autocontrole. Assim, conhecendo suas próprias fraquezas, tentará superá-las, mas terá que esperar por respostas que só você mesmo poderá descobrir e isso o ajudará a desenvolver a sua paciência e auto-estima.
Em suas lutas, quando vencido, ou vencedor, exercitará a sua humildade e sua integridade se tornará transparente, pois a virtude não pode ser disfarçada dentro de um Dojô, lugar aonde instintivamente vem à tona aquilo que realmente somos e isto o levará a conhecer a si mesmo, lutando e vencendo principalmente o seu pior inimigo que é você mesmo.
Todos temos um lado mau e preguiçoso e neste período, ele tenderá a manifestar-se. Ele inventará várias desculpas para fazer você abandonar o treino, desde medo de se machucar, problemas físicos, dores musculares, achar maçante, descobrir coisas mais importantes para fazer e tantas outras desculpas. Procurará mesmo fazer você não perceber os benefícios já conseguidos até o presente momento através do seu próprio esforço. Não lute contra ele! Apenas ignore-o!
A persistência, a força de vontade, a disciplina no treinamento e a assiduidade ao trabalho correto, é o segredo para superar-se e obter sucesso nos exames de graduação, assim como nas competições.
Siga os bons exemplos do Dojô, mas não fique preso às comparações. Concentre-se no seu próprio crescimento, porque cada pessoa tem seu próprio ritmo, suas dificuldades e facilidades e nem sempre quem anda mais rápido chega primeiro ao final da jornada.
O karatê é mais do que dar socos e chutes, é um modo ou filosofia de vida. O importante é avançar com dedicação disciplina, lealdade e honradez, isto é fundamental para a sua evolução individual e seu futuro dentro da arte que escolheu.
Exija sempre mais de si mesmo, mas não prenda-se às derrotas ou vitórias passadas ou futuras, só procure desenvolver constantemente a nobreza de espírito, o domínio da agressividade, a modéstia, a lealdade e o respeito para com todas as criaturas, estas são as únicas vitórias que não serão passageiras.
Nunca deixe que o desânimo ou a tristeza lhe vençam, concentre-se nos benefícios que o Karatê lhe proporciona. Neste sentido, além dos benefícios físicos já mencionados, o Karatê também lhe dará uma melhor postura, fortalecerá suas articulações, lhe dará maior elasticidade muscular, aumentará seu equilíbrio físico e emocional, seu poder de concentração mental será potencializado, a sua força de vontade será desenvolvida, diminuirá significativamente a timidez, aumentará seus reflexos e sua segurança. Enfim, o Karatê lhe ajudará a superar a surpresa, a indecisão, a dúvida, o medo e ao cansaço.
O Karatê é uma das mais completas artes marciais, você brevemente sentirá o desenvolvimento de suas qualidades de performance física, tornando-se apto para qualquer atividade que exija força, destreza, agilidade, resistência rapidez de reflexos e calma. Assim se, em algum momento você pensar em desistir, por algum motivo que não seja sua própria saúde, não o faça logo de primeira, seja pontual e sincero consigo mesmo e, ainda que estando impossibilitado de treinar vá visitar o Dojô. NÃO FALTE ÀS AULAS, resista mais tempo e, aí então, poderá tomar uma decisão com mais segurança.
Saiba que no progresso do Karatê não existem atalhos, não existem milagres, você mesmo deverá realizar o milagre em si próprio. O professor lhe dará uma fórmula, mas é você quem realizará a experiência em si mesmo. Após o terceiro ou quarto mês tudo ficará mais fácil e estimulante, e conforme o seu aproveitamento e assiduidade aos treinos você deverá logo ser convidado para realizar o seu primeiro exame de graduação.
Desejo-lhe muita força, saúde e boa sorte nos treinamentos que iremos compartilhar. Oss!
Não podemos generalizar, mas não são todos os que levam as coisas a sério no Karatê, muitos são adeptos de levar tudo na “brincadeira”, eles “estão” professores ou atletas, mas não o “são”, o que para mim, demonstra um sério descaso com as coisas, ou no mínimo uma imaturidade persistente. Como mudar essa mentalidade? Acho que temos que começar por nós.
Não sei se sou utópico por querer levar as coisas a sério, mas poucos são os que ao prestar um serviço, fazem isso de maneira muito profissional, levando a sério mesmo, considerando isso uma obrigação ou um dever. Lembre-se: “Quem não dá assistência, abre concorrência.” Antigamente, quando alguém não gostava de alguma coisa, simplesmente interrompia sua atividade. Hoje, vai correndo procurar outra academia ou agremiação.
Atualmente, quando uma criança é colocada no Karatê por seus pais, estes lhe compram um uniforme branquinho e bonitinho e dizem que isso é a coisa mais importante do mundo, que ela deve praticar com seriedade, etc., mas depois, quando essa criança cresce, para alguns pais isso já não é tão importante assim, agora eles pensam que as coisas mudaram e os objetivos nas vidas de seus filhos também devem mudar. Isso quando não deixam, de forma mais sutil, que os planos iniciais de seus filhos definhem e morram por si mesmos, propositalmente, sem nenhum incentivo de continuidade de sua parte. Acho que essa mentalidade deixa os adolescentes confusos e faz com que achem que nem tudo é o que parece ou, nem tudo é tão importante quanto parece inicialmente. O que precisamos nos conscientizar é que todos devemos ter uma visão séria, comprometimento com aquilo que norteia nossas ações, desenvolver um engajamento e uma coragem persistente, pois sem isto as coisas acabarão por desaparer mesmo.
Há muito tempo li um livro, que não lembro o autor, nem a editora; mas o título me parece que era “A outra face da glória”, o qual se referia a campanha dos pracinhas na Itália, através de uma visão de um jornalista americano, que demonstra bem o tipo da mentalidade do brasileiro. Há um trecho em que o jornalista comenta que, ficava espantado ao ver que, antes de uma missão perigosa, mesmo diante da possibilidade de morte, alguns ainda tinham disposição para fazer piadinhas e brincadeiras da situação. É lógico que no livro também há inúmeros depoimentos de austeros e disciplinadíssimos oficiais europeus e norte-americanos elogiando a coragem e a dedicação dos soldados brasileiros, mas se dependessem dos brincalhões, certamente as coisas haveriam de ser diferentes.
Sabemos que, neste país, quem se dedica exclusivamente ao Karatê está destinado a uma vida austera e de sacrifícios para poder sobreviver. O prof.Roberto Sant Ana, relata apropriadamente em seu blog em “Um assunto seríssimo sobre dojos...”, a mentalidade de quem não leva a sério um profissional de karatê.
Talvez para alguns, a brincadeira ou a busca pelo relaxamento em uma situação séria seja um tipo de fuga, mas não para mim.
Acho pior ainda quando algumas pessoas nos cobram a seriedade e o profissionalismo mas não nos tratam como profissionais que somos. Por exigir seriedade profissional não significa que eu tenha perdido o gosto pela vida e não queira me divertir, apenas penso que para tudo há hora e lugar.
No Karatê, não sou contra o esporte, mas sou contra “somente” ao esporte. Mestre Nakayama disse, que o esporte é um "mal necessário" à divulgação do Karatê. Entretanto temos que lutar é para que todos percebam a diferença entre o Karatê Arte Marcial e o Karatê Competição, seja ele nas entidades que perseguem o Budô ou nas que buscam o esporte e separar uma coisa da outra para que sigam paralelas levadas adiante por seus simpatizantes. Os sensei são os únicos responsáveis pela formação dos alunos e por não deixar que se percam as raízes do Budô nas quais o Karatê se formou, mas normalmente quem pratica apenas o Karatê Esporte, tem a tendência a se tornar um tanto indiferente à etiqueta (Reigi) que existe no Karatê, bem como quem procura o Karatê Budô, relega a um segundo plano o esporte que existe paralelo ao Karatê.Penso que o Karatê é tudo isso esporte, arte marcial, defesa, filosofia e muito mais... Entretanto, alguns só querem ver por um lado da moeda... o lado que lhe convém, ou o lado que mais se identifica, fazendo assim, um Karatê capenga.
KUMITE O Karate está formado indissoluvelmente pelos três "K"; Kihon, Kata e Kumite. Estes formam uma roda que está em continuo movimento, passando do Kihon ao Kata e deste ao Kumite, isto é enquanto o ensinamento se realiza circularmente ou corretamente.
Atualmente há uma certa tendência para o ensinamento linear, onde pode-se prescindir parcial ou totalmente de uma das partes, ou treinar as três porém podendo dar maior ênfase a uma delas. No caso, isto pode acontecer quando se dá prioridade à competição devido ao auge do Karatê desportivo, o que leva a treinar mais o Shiai Kumite, em detrimento do Karate tradicional. Aqui trataremos de uma parte específica das três mencionadas, o Kumite, que é o método de treinamento das técnicas de defesa e ataque estudadas nos Kata. O Kumite, literalmente "duelo de mãos" ou "assalto", representa a parte mais espetacular e talvez mais conhecida do Karatê. A palavra em si não representa um enfrentamento até a morte, como finalidade, mas um !encontro! onde o oponente é um adversário e não um inimigo.
Há três formas de Kumite claramente diferenciadas:
1. Desportivo (Shiai Kumite). É um duelo sem ser, é uma simulação de luta, é uma degeneração do Karatê original, porém necessária, até certo ponto para estudar características como a distancia, a concentração, a rapidez, etc. Mesmo que não sirva para estudar as reações finais, pois na luta real o instinto se impõe à força e inclusive à técnica e naturalmente uma competição de caráter desportivo não gera os mesmos instintos.
O primeiro campeonato de Kumite e Kata foi organizado pelo mestre Nakayama em 20 de outubro de 1957, um fato relativamente recente, posto que tivesse que esperar o falecimento do mestre Funakoshi que sempre foi totalmente contrario ao Kumite. Posteriormente Nakayama compreendeu do por que da postura de seu mestre e começou a preocupar-se com as repercussões que poderia advir desse tipo de campeonatos. Preocupava-lhe que se poderiam perder muitas das variadas técnicas do Karate pelo afã de marcar pontos, e também algo muito pior, como o fato de começarem a surgir outros tipos de competições de caráter mais violento, o que viria em claro prejuízo da Arte Marcial, contrário ao que os mestres contemporâneos quiseram adotar no sentido espiritual do "Do". Desgraçadamente os temores de Nakayama não eram infundados e o primeiro deles já é uma realidade, o segundo está começando, passo à passo.
2. Tradicional O Kumite tradicional é mais uma busca do caminho "Do", que se estuda como realização pessoal. É um combate entre dois ou mais Karatekas, é muito mais consciente que o Shiai Kumite, porém menos que o marcial. O treinamento do Kumite necessita de uma evolução em seu estudo, qualquer das três formas passa pelas mesmas fases de trabalho e de compreensão do que se está fazendo, não esqueçamos que é da compreensão que nasce a maestria.
O estudo do Kumite tradicional está formado por quatro fases, que são: 1. No-Sen: Defesa e contra-ataque. 2. Sen-No-Sen: Um contra-ataque simultâneo ou tomar a iniciativa (Tai-No-Sen e Yo-No-Sen) 3. Iro-No-Sen: Se realiza o contra-ataque quando a intenção de ataque do oponente tenha sido formulada. 4. Kokoro-No-Sen: Não há decisão perceptível nem em um e nem em outro lutador. É impossível o ataque e a concentração é máxima.
O trabalho a realizar no Kumite tradicional passa também por várias fases de aprendizagem e treinamento.
O primeiro e muito importante é o Ippon Kumite, se realiza sobre um só passo, Tori ataca a Uke e este se defende e contra-ataca com uma técnica considerada decisiva (Shimei), esta tem que ser mortal ou deixar o oponente nocauteado. A partir deste se realiza o Gohon Ippon Kumite, Kumite com cinco passos e Jion Ippon Kumite, com dez passos. Neste os passos são independentes, cada ataque é independente dos outros. Uke bloqueia os primeiros ataques e contra-ataca no último, se estuda a posição, a estabilidade, a potência, etc. A fase seguinte é o estudo do Sambon Kumite, com três passos ou três ataques. O estudo aqui é diferente dos outros, troca o ritmo. Uke tem que adaptar-se a Tori, este ataca uma vez, Uke defende porém Tori não deixa que se repita a defesa e ataca outra vez muito rápido, tentando desequilibrar Uke que retrocede muito rápido e contra-ataca. O ritmo é semelhante ao da linha central do Kata Heian Shodan, primeiro 1 de logo 2 e 3 seguidos. A terceira fase é o Jyu Ippon Kumite, é como o Ippon Kumite porém livre, sem conhecimento prévio da técnica de ataque nem em que parte do corpo será dirigida. Cada contendor realiza um ataque por vez. Esta forma de treinamento se aproxima muito ao combate livre o Jyu Kumite. A partir daqui as formas de trabalho implicam um nível alto de conhecimentos técnicos, estas formas são o Happo Kumite, que se pratica contra vários adversários. Estes se colocam em volta de Uke, em círculo, atacam por turnos e podem anunciar ou não o nível e a técnica de ataque. O Kaeshi Ippon Kumite, Tori ataca, Uke defende ou esquiva e contra-ataca porém Tori não bloqueia e contra-ataca com uma ação decisiva. O Okuri Jyu Ippon Kumite, se no Ippon Kumite consideramos que o contra-ataque é decisivo, aqui não. Portanto Tori ataca, Uke defende e contra-ataca como no Ippon Kumite, porém ao considerar o contra-ataque como não decisivo, há um instante de pausa, Tori encaixa o contra-ataque e toma a iniciativa sem anunciar a técnica, é livre. É muito importante manter a concentração. E como estudo e objetivo final o Jyu Kumite ou combate livre, aqui podemos dizer que vale tudo, desde técnicas de todo tipo tanto de braços como de pernas, até luxações, projeções, estrangulamentos, etc. Em resumo, derrotar ao adversário e o que é mais importante superar a nós mesmos é o autêntico e última finalidade do Karatê.
3. Marcial É o verdadeiro Karatê, não há assaltos nem regras entre os lutadores, é vida ou morte, os implicados são inimigos e não há um número limitado de participantes, é por isso que nos Kata são executadas técnicas contra muitos inimigos imaginários. Se desenvolve o instinto de conservação, a visão periférica, em uma palavra, a sobrevivência. Temos que ter em conta que é o Karatê original,que surgiu da necessidade de defender-se em uma época que as guerras, os saques e os assaltos era mais que habituais. Afortunadamente hoje em dia, salvo raras exceções, não nos vemos expostos a estes perigos, por isso sua prática na sociedade atual não tem muito sentido.
Inicialmente o Karate não tinha estilos específicos, hierarquias ou faixas coloridas, tal como há hoje. As técnicas ou métodos eram conhecidos através dos nomes de quem os tinha inventado, ou dos locais onde eram praticados. Assim, os três mais proeminentes centros de prática eram Shuri, Naha e Tomari. Mais tarde, o Karate foi para o Japão, mais concretamente para Tóquio através de Gichin Funakoshi, em 1922. Um pouco mais tarde, desenvolvem-se os 4 estilos básicos de Karate; Shotokan (Gichin Funakoshi), Shito-Ryu (Kenwa Mabuni), Goju-Ryu (Chojun Miyagi) e Wado-Ryu (Hironori Otsuka). O Shotokan de Mestre Gichin Funakoshi se desenvolveu nas Universidades, e foram os universitários que desenvolveram esquemas de treino para competição, bem como as bases dos sistemas de torneio de hoje em dia.
PRINCIPAIS ESTILOS:
SHITO RYU: JAPÃO: KENWA MABUNI. Estilo surgido no Japão em algum momento depois de 1929, pois até então o mestre Kenwa Mabuni vivia em Okinawa. Não se sabe ao certo o ano de criação do estilo, porém é possível afirmar que este nome foi utilizado "oficialmente" pelo fundador apenas em 1938 em seu livro "Karatedô Nyûmon". SHITO é a combinação do primeiro caractere de cada um dos nomes dos dois principais instrutores de Mestre Mabuni: ITOSU (Ito = SHI) e depois HIGAONNA (Higa = TÔ). De SHURI, veio o trabalho rápido e de NAHA o forte. De posições naturais, nem muito baixas nem muito altas. As defesas usam posições mais baixas que os ataques. Os movimentos são velozes e fluídos com técnicas de alcance curto e rápido. É o método de Kenwa Mabuni, praticado em Ôsaka (Kansai e Kantô) com mais intensidade, agrupando adeptos de vários pontos do Japão. Neste estilo usam-se os Katas Heian sob os nomes originais de Pin-An e os Katas especiais: Seipai, Seienchin, Kôsôkun (Dai e Shô), Shihô-zuki e outros. Enfatiza a esquiva sobre o bloqueio. Encadeia técnicas e muitos golpes em pouco tempo. Posições características: Neko Ashi Dachi. Zenkutsu Dachi. Shiko Dachi. Kokutsu Dachi antigo. Moto Dachi, Han Zenkutsu Dachi (Futsu-dachi). As posições são mais altas um pouco e os movimentos mais executados no sentido do poder. É um estilo baseado no Shuri-te o que o torna um estilo muito rápido e com pouca contração muscular durante a execução dos movimentos (apenas no momento do impacto).
GOJU RYU: KYOTO 1929: CHOJUN MIYAGI. O nome deste estilo advém da conjunção da Força (GO) e da suavidade (JU). Tem ritmos de contração e descontração bem marcados. Nesta escola usa-se Kokyu que é uma respiração diafragmática com contração abdominal sonora IBUKI que desenvolve energia interior. Este estilo prima pelo bloqueio, no lugar, para dar mais rapidez ao ataque. Ainda tem como fator principal, quando se é atacado pela flexibilidade se responde com a força e vice-versa. Muitas vezes não dá muito atenção ao bloqueio, quando o ataque não é muito sério, para passar logo ao ataque. É um sistema muito duro, penoso e verdadeiro. Este é o estilo de Higaonna aperfeiçoado por Miyagi, de posições altas com centro de gravidade alto. Posições características: Sanchin Dachi. Shiko Dachi. Nekoashi Dachi. Zenkutsu Dachi. É proveniente do Nahate da linha do mestre Kanryo Higaonna.
SHOTOKAN: OKINAWA/TOKIO 1930: GICHIN FUNAKOSHI. Este estilo, foi fundado pelo Mestre Funakoshi, que teve extensivo treinamento do Shorin-Ryu (ou Shuri-Te) e um resquício do Shorei-Ryu, de onde se deu a fusão para a formação do estilo SHOTOKAN. SHOTO é o pse